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Wolfs Rain OST

O nome de Yoko Kanno (Ghost in the Shell Stand Alone Complex, Escaflowne, Brain Powerd, Arjuna,…) está mais uma vez ligado a uma das melhores bandas sonoras do ano de 2003.

Mais uma vez e como é hábito nas produções/composições Yoko Kanno, não gosta de receber os louros sozinha por isso vários artistas dos mais diferentes campos musicais são convidados para dar à OST não uma estética de música nipónica mas sim conferir-lhe um estatuto de música do mundo.

Criada pelo estúdio Bones (Cowboy Bebop) e imaginada por Keiko Nobumoto, Wolf’s Rain narra a história de uma alcateia em busca de um “paraíso” (como a terra prometida) num futuro muito próximo. Para esta banda sonora, Yoko Kanno convida mais uma vez Maaya Sakamoto (Escaflowne, Arjuna,…), Steve Conte (Cowboy Bebop), e ainda Ilaria Graziano (Ghost in the Shell – SAC), entre outros.

Ao longo das 21 faixas (13 BGMs e 8 canções) que compõem o cd podemos ouvir sonoridades tão díspares como bossa nova, valsa e ainda ritmos indianos. A primeira faixa chama-se “Stray”, uma música interpretada por Steve Conte, com a estética rock americano dos anos 80-90. Um rock bastante calmo onde se destaca o refrão (fácil de decorar). Em suma um “opening” excelente.

Outra faixa que se destaca neste disco, é “Coraçâo Selvagem” uma música bastante exótica, talvez por ser cantada na língua de Camões. A interpretação deste tema ficou a cargo de Joyce (um nome totalmente desconhecido, mas que depois de ouvirmos esta música vamos ficar de ouvidos e olhos mais atentos). Com um ambiente brasileiro, os ritmos de samba e a voz alegre e agradável de Joyce fazem desta música a minha preferida e de certeza de todos os que tiverem a possibilidade de ouvir esta OST.

Para esta OST, ficamos com a impressão que Yoko Kanno decidiu fazer uma viagem pelo mundo em busca de ambientes totalmente diferentes do que estávamos habituados a ouvir. Ela começa a sua viagem nos ritmos endiabrados do Brasil: a bossa nova, o samba, a força das percussões e a doçura das guitarras e das maracas, que dão e levam a uma certa tristeza e melancolia puramente latina.

Depois decide viajar pelas reservas “indianas”, onde os diversos ritmos mistícos, os instrumentos tradicionais e os cânticos mágicos dos feiticeiros dão a algumas faixas do álbum um ambiente onírico quase mistico.

Apesar de o cd ser maioritariamente de temas instrumentais, os temas cantados que são raros, não se perdem pelo disco nem perdem a qualidade antes pelo contrário. Para confirmar este facto mesmo antes de chegarmos ao final do disco encontramos outro tema forte desta OST, trata-se de “Gravity”, música do genérico final cantado por uma das artistas de eleição de Yoko Kanno, falamos claro de Sakamoto Maaya. Acompanhada ao piano Maaya canta num tom doce e melancólico em inglês (quase perfeito), interrompido por um interlúdio instrumental em flauta, terminando num solo de piano. Sem dúvida que é uma das melhores baladas de Maaya (em inglês), mas sentimos que fica muito longe do tema explosivo de Rahxephon.

Yoko Kanno mostra-nos neste cd todo o seu talento habitual, uma banda sonora soberba e diversificada onde a música dá uma mais valia ao anime. Este albúm fará as delicias auditivas dos fãs de Yoko Kanno, mas também aos amantes da música em geral. Sem dúvida que Yoko Kanno é uma compositora a descobrir/redescobrir, a ouvir e tornar a ouvir sem parar…
Autor:Fernando Ferreira

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