{"id":16281,"date":"2013-10-28T11:34:45","date_gmt":"2013-10-28T12:34:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/?p=16281"},"modified":"2015-08-07T19:34:12","modified_gmt":"2015-08-07T20:34:12","slug":"attack-of-the-friday-monsters-a-infancia-segundo-ayabe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/games\/attack-of-the-friday-monsters-a-infancia-segundo-ayabe\/","title":{"rendered":"\u201cAttack of the Friday Monsters!&#8221; &#8211; A Inf\u00e2ncia segundo Ayabe"},"content":{"rendered":"<p>Por norma, os videojogos s\u00e3o infantis, e mesmo quando vestem trajes de adulto, mant\u00eam sempre uma certa infantilidade moral e est\u00e9tica na forma como olham o mundo. Kaz Ayabe, director do est\u00fadio Millenium Kitchen, fez do grande objectivo da sua j\u00e1 substancial carreira a cria\u00e7\u00e3o de videojogos sobre a mem\u00f3ria da inf\u00e2ncia. Mem\u00f3ria essa que \u00e9 a do adulto, e assim por oposi\u00e7\u00e3o aos videojogos comuns, uma mem\u00f3ria que \u00e9 tudo menos infantil.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/133.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16284\" alt=\"1\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/133.png\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/133.png 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/133-300x135.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Tudo haver\u00e1 come\u00e7ado com \u201cBoku no Natsuyasumi\u201d, obra que encerra a singularidade \u00fanica do seu autor e que importa relembrar antes de olhar para a sua aventura mais recente. O trocadilho do t\u00edtulo d\u00e1 o mote \u00e0 duplicidade brilhante da experi\u00eancia, podendo ser lido como as \u201cAs f\u00e9rias de Ver\u00e3o de Boku\u201d, Boku sendo o nome do protagonista ou, dado que Boku \u00e9 express\u00e3o infantil para \u2018eu\u2019 na l\u00edngua nip\u00f3nica, \u201cAs minhas f\u00e9rias de Ver\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>No papel de um Boku j\u00e1 adulto, somos convidados a relembrar as distantes mem\u00f3rias do Agosto de 1975, revivendo atrav\u00e9s das p\u00e1ginas do seu colorido\u00a0di\u00e1rio, as f\u00e9rias passadas no maravilhoso mundo rural do Jap\u00e3o. De forma praticamente livre, podemos explorar um mundo imenso aos olhos do pequeno Boku, escolhendo como passar cada dia das f\u00e9rias, se a passear pela natureza, apreciando os verdes vales cobertos de brilhantes girass\u00f3is, se a interagir com fam\u00edlia e os amigos ou coleccionando insectos, pescando peixes, voando o papagaio ou batalhando escaravelhos com outros pelintras.<\/p>\n<p>As hip\u00f3teses s\u00e3o t\u00e3o vastas como a imagina\u00e7\u00e3o de um menino de 9 anos, que \u00e9 o mesmo que dizer, infinitas. Todas as ac\u00e7\u00f5es s\u00e3o plenas em significado e sem objectivos tra\u00e7ados, e como a qualquer crian\u00e7a, importa apenas uma inconsciente forma de <i>carpe diem<\/i>,\u00a0o aproveitar de todos os momentos para experienciar algo de t\u00e3o belo e divertido e memor\u00e1vel quanto poss\u00edvel antes que a \u00e1gua da clepsidra escorra por completo e seja hora de voltar para casa. O tempo voa, dia ap\u00f3s dia, e vamos vendo os pequenos rituais de uma fam\u00edlia nip\u00f3nica a viver no campo: o acordar ao som do galo, os exerc\u00edcios f\u00edsicos matinais, o Itadakimasu! das refei\u00e7\u00f5es em fam\u00edlia, o conhecer dos mi\u00fados da vizinhan\u00e7a nas mais rocambolescas tropelias, e sempre o glorioso p\u00f4r do sol ao som das cigarras.<\/p>\n<p>No entretanto do dia que passa, vivem-se os momentos mais marcantes e m\u00e1gicos da inf\u00e2ncia de um rapaz, aqueles que ser\u00e3o para sempre olhados com nostalgia e uma l\u00e1grima agridoce no canto do olho: o comer de um suculento gelado com a fam\u00edlia, a imagem do arco-\u00edris deixado por uma chuva de Ver\u00e3o, a orgia de cores e luz do fogo-de-artif\u00edcio, e como n\u00e3o podia deixar de ser, o palpitar do seu cora\u00e7\u00e3o puro aquando do avistamento do primeiro amor.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16285\" alt=\"2\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/230.png\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/230.png 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/230-300x135.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Salta logo \u00e0 vista o naturalismo presente na\u00a0portentosa dimens\u00e3o pl\u00e1stica do mundo que rodeia Boku: ao primeiro relance dir-se-ia tratar de uma anima\u00e7\u00e3o japonesa de topo. Os cen\u00e1rios desenhados por Ayabe na sua palete de cores riqu\u00edssima, possuem uma min\u00facia e um realismo que ro\u00e7am o impens\u00e1vel num videojogo, tornando o mundo bem mais palp\u00e1vel e habit\u00e1vel que qualquer arquitectura tridimensional. As personagens de tra\u00e7os na\u00eff de Mineko Ueda (animadora da Ghibli em &#8220;Neko no ongaeshi&#8221;, o &#8220;Reino dos Gatos&#8221;) embora de um minimalismo que lembra as primeiras mangas, s\u00e3o de uma expressividade emocional inqualific\u00e1vel e ganham vida aos nossos olhos, permitindo uma completa empatia entre os sentimentos de Boku e os nossos.\u00a0E como o desenho de jogo serve este mundo com interac\u00e7\u00f5es que nunca fogem \u00e0 realidade de uma crian\u00e7a de 9 anos, podemos dizer que se trata de um dos raros casos no meio videol\u00fadico em que a concep\u00e7\u00e3o que governa todo o jogo \u00e9 naturalista.<\/p>\n<p>\u201cBoku no Natsuyasumi\u201d foi uma revela\u00e7\u00e3o. E embora trilhando o caminho de obras anteriores que lidavam com a inf\u00e2ncia num mundo rural, como o original \u201cZelda\u201d de Miyamoto ou o \u201cHarvest Moon\u201d de Yasuhiro Wada, o remover da componente l\u00fadica aliado \u00e0 escrita adulta de Kaz Ayabe e ao seu espirito naturalista, operaram uma aut\u00eantica revolu\u00e7\u00e3o na rela\u00e7\u00e3o que o jogador tinha com a tem\u00e1tica nesses jogos. Ausente da media\u00e7\u00e3o por via de desafios ou antagonismos, somos facilmente empurrados para um espa\u00e7o mental em que nos relacionamos de forma genu\u00edna com a inf\u00e2ncia de Boku, (vi)vendo assim a nossa sua pr\u00f3pria inf\u00e2ncia disposta no ecr\u00e3.<\/p>\n<p>Infelizmente, apesar do resultado ser um dos ambientes abertos mais ricos e interactivamente significantes da sua era, na senda do inolvid\u00e1vel \u201cShenmue\u201d (lan\u00e7ado meses antes), a obra nunca viu a luz do dia no Ocidente.\u00a0N\u00e3o obstante o moderado sucesso comercial na terra do sol nascente, a Sony parece ter cedido \u00e0 cobardia da pragm\u00e1tica comercial, e achando o t\u00edtulo culturalmente intraduz\u00edvel para uma audi\u00eancia ocidental (embora hoje tenhamos amplas evid\u00eancias do contr\u00e1rio), fechou a sete portas uma das obras-primas da idade de ouro do design de jogo japon\u00eas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16283\" alt=\"4\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/4.png\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/4.png 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/4-300x135.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Entretanto lan\u00e7aram-se 3 sequelas e uma obra distinta sobre inf\u00e2ncia (o mal recebido \u201cBokura no Kazoku\u201d \u2013 \u201cA nossa fam\u00edlia\u201d, mais uma obra autobiogr\u00e1fica, qualquer coisa como um simulador da educa\u00e7\u00e3o de filhos) antes que o Ocidente n\u00e3o letrado em japon\u00eas pudesse conhecer uma obra de Ayabe. Hoje, sob a capa da s\u00e9rie de compila\u00e7\u00f5es v\u00eddeol\u00fadicas de autor \u201cGuild\u201d, distribu\u00edda pela Level-5 na consola port\u00e1til da Nintendo, chega-nos finalmente este \u201cAttack of the Friday Monsters! A Tokyo Tale\u201d&#8230; e mesmo n\u00e3o sendo uma obra ao n\u00edvel dos diversos \u201cBoku no Natsuyasumi\u201d, foi uma espera que valeu a\u00a0pena.<\/p>\n<p>Se em \u201cBoku\u201d o tema da inf\u00e2ncia era percepcionado por via das mem\u00f3rias das f\u00e9rias, em \u201cAttack!\u201d o tema \u00e9 percepcionado pelo prisma dos media e\u00a0da Televis\u00e3o, e da preponder\u00e2ncia que as fantasias a\u00ed presentes t\u00eam, por via da met\u00e1fora e do simbolismo e da magia, em ajudar as crian\u00e7as a compreender melhor os dilemas da vida e no processo a amadurecer o seu ponto de vista moral. \u00c9 uma obra que olha com bons olhos as tardes passadas a ver os \u2018tokusatsu\u2019 como \u201cGojira\u201d ou \u201cUltraman&#8221;, pois uma das constantes nestas s\u00e9ries era o subtexto moral, tipicamente sobre os perigos do avan\u00e7o cient\u00edfico desregrado (por exemplo, nos efeitos que polui\u00e7\u00e3o nuclear teria na origem do tem\u00edvel Gojira). E como para combater o mal apenas o bem absoluto serve, os super-her\u00f3is destas s\u00e9ries primavam sempre pela pureza de esp\u00edrito e uma b\u00fassola moral afinada, providenciando um muito necess\u00e1rio exemplo a seguir pelos mais novos.<\/p>\n<p>Pois bem, \u00e9 neste espa\u00e7o ficcional que se enquadra \u201cAttack!\u201d, um jogo de aventura tipicamente japon\u00eas decorrido num sub\u00farbio de Tokyo onde a realidade se mistura com a mitologia dos tokusatsu.\u00a0Todas as sextas, os Kaiju passam na televis\u00e3o e atacam a cidade, sempre sob o pouco auspicioso manto de polui\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica local. Sota, filho de um dono de lavandaria, \u00e9 apenas mais um rapaz que sonha um dia poder vir a ser uma esp\u00e9cie de Super Sentai, e como n\u00e3o podia deixar de ser, apesar da sua hist\u00f3ria come\u00e7ar com uma simples incumb\u00eancia caseira dada pela m\u00e3e, rapidamente se desenvolver\u00e1 numa batalha c\u00f3smica do bem contra o mal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-16286\" alt=\"3\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/325.png\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/325.png 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/325-300x135.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Como em \u201cBoku\u201d, tomamos mais uma vez o papel de um rapaz de tenra idade, exploramos uma minuciosamente decorada vila japonesa e habitamos espa\u00e7os familiares aqui pintados como quadros interactivos, inspirados na melhor tradi\u00e7\u00e3o da anima\u00e7\u00e3o japonesa e nas fitas de Ozu (n\u00e3o ser\u00e1 por acaso esta uma Tokyo Tale). No entanto, embora a sua g\u00e9nese seja claramente enraizada em &#8220;Boku no Natsuyasumi&#8221;,\u00a0houve algumas adapta\u00e7\u00f5es com o novo tema\u00a0em mente.<\/p>\n<p>A estrutura de jogo \u00e9 mais convencional, organizando-se este em pequenas demandas, cada uma representando um epis\u00f3dio diferente deste tokusatsu, com direito a subtema pr\u00f3prio e narrativa em tr\u00eas actos. Tamb\u00e9m o coleccionismo de insectos d\u00e1 a vez a um equivalente mais l\u00fadico: o de coleccionar cartas de Kaiju, usadas para desafiar os amigos num jogo de combates com l\u00f3gica pedra papel tesoura. Aparte de proporcionar um dos momentos de g\u00e9nio do jogo \u2013 o entoar do feiti\u00e7o m\u00e1gico que consolida a vit\u00f3ria sobre o derrotado\u00a0\u2013\u00a0este mini-jogo \u00e9 uma actividade mais artificial, menos rica esteticamente, e carente do pendor naturalista que enobrecia o original. \u201cAttack!\u201d reflecte assim uma tentativa de aproxima\u00e7\u00e3o \u00e0 audi\u00eancia mais infantil da 3DS, bem como de causar uma boa primeira impress\u00e3o no at\u00e9 agora desconhecido p\u00fablico ocidental, sem que isso no entanto desvirtue completamente a ess\u00eancia da autoria de Ayabe.<\/p>\n<p>Por esses motivos, &#8220;Attack!&#8221; acaba infelizmente por ser uma obra menor. Mas uma obra menor de um mestre, e ainda por cima, a primeira a chegar traduzida em l\u00ednguas do velho continente, logo sendo totalmente imprescind\u00edvel de experienciar por todos.\u00a0De facto, ter\u00e1 sido por mero alinhamento das estrelas que tivemos a felicidade de receber \u201cAttack of the Friday Monsters!\u201d no ocidente. N\u00e3o fosse \u201cPacific Rim\u201d o blockbuster mais badalado do Ver\u00e3o que agora passou, e provavelmente n\u00e3o ter\u00edamos podido contemplar esta obra bem mais aut\u00eantica e representativa do fen\u00f3meno que Guillermo del Toro, esse otaku mexicano, traduziu para a linguagem cinematogr\u00e1fica norte americana em vers\u00e3o pipoca desmiolada. Gra\u00e7as a esse acaso do destino, Kaz Ayabe pode finalmente gracear-nos com a sua obra e simultaneamente dar um final feliz \u00e0 sua trilogia sobre a inf\u00e2ncia. Sendo um dos autores maiores deste amaldi\u00e7oado meio, \u00e9 caso para festejar e agradecer \u00e0 Provid\u00eancia por este milagre.<\/p>\n<p><strong>Escrito por: Rui Craveirinha<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por norma, os videojogos s\u00e3o infantis, e mesmo quando vestem trajes de adulto, mant\u00eam sempre uma certa infantilidade moral e est\u00e9tica na forma como olham o mundo. 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