{"id":18191,"date":"2014-09-09T16:22:06","date_gmt":"2014-09-09T17:22:06","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/?p=18191"},"modified":"2014-09-09T16:22:06","modified_gmt":"2014-09-09T17:22:06","slug":"o-mundo-maravilhoso-de-hasegawa-machiko","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/manga\/o-mundo-maravilhoso-de-hasegawa-machiko\/","title":{"rendered":"O mundo maravilhoso de Hasegawa Machiko"},"content":{"rendered":"<p>Toda a gente conhece os manga japoneses, mas poucos saber\u00e3o qual a mais popular s\u00e9rie de manga de sempre no pr\u00f3prio Jap\u00e3o. Ora, \u00e9 interessante verificar que tal s\u00e9rie n\u00e3o partilha muitas das caracter\u00edsticas que estamos habituados a ver nas manga: superpoderes, cen\u00e1rios futuristas, samurais ou vampiros. O pr\u00f3prio tra\u00e7o do desenho n\u00e3o se assemelha de todo ao daquelas figuras estilizadas de cabelos esvoa\u00e7antes e grandes olhos inexpressivos que povoam os livros de manga que se encontram \u00e0 venda em todo o mundo.<\/p>\n<p>Encontramos uma fam\u00edlia t\u00edpica do Jap\u00e3o destro\u00e7ado do p\u00f3s-guerra. A hero\u00edna \u00e9 uma mulher jovem e estouvada chamada Sazae. \u00c9 ela que d\u00e1 o nome \u00e0 s\u00e9rie, \u201cSazae-san\u201d. Provavelmente, n\u00e3o h\u00e1 japon\u00eas nenhum que n\u00e3o conhe\u00e7a \u201cSazae-san\u201d, a menos que n\u00e3o tenha ainda idade para isso. Al\u00e9m do conte\u00fado ser inesperado para n\u00f3s, ocidentais, o facto de a autora ser, tal como a hero\u00edna, uma mulher, foi algo inesperado para os pr\u00f3prios japoneses. Hoje em dia, existem muit\u00edssimas autoras de manga no Jap\u00e3o mas, na primeira metade do s\u00e9c. XX, a maioria das japonesas estava ainda destinada a ser filha, esposa, m\u00e3e, sogra e pouco mais.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2586.jpg\" alt=\"2\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18199\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2586.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2586-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>As primeiras tiras de \u201cSazae-san\u201d apareceram publicadas no jornal di\u00e1rio \u201cYukan Funichi\u201d de Fukuoka, na ilha de Kyushu, em Abril de 1946, ou seja, quase um ano ap\u00f3s as bombas de Hiroshima e Nagasaki. A autora chamava-se Machiko Hasegawa ou, mais correctamente, Hasegawa Machiko. Hasegawa \u00e9 o sobrenome e Machiko o nome pr\u00f3prio. No Jap\u00e3o, tal como na China, o sobrenome surge em primeiro lugar. No entanto, costuma mudar-se essa ordem quando se escreve numa l\u00edngua ocidental. Hasegawa Machiko nascera a 30 de Janeiro de 1920.<\/p>\n<p>Natural de Taku, no distrito de Saga, na ilha de Kyushu, Machiko tinha duas irm\u00e3s, um pai engenheiro muito devotado \u00e0s filhas e a m\u00e3e, dona de casa. A fam\u00edlia mudou-se para T\u00f3quio quando Machiko tinha apenas doze anos, devido \u00e0 morte do pai. Com quinze anos, ainda aluna de liceu, Machiko come\u00e7ou a sua carreira de desenhadora. Aos dezasseis, tornou-se aprendiz de Suiho Tagawa (1899-1989), considerado o maior autor de B.D. da \u00e9poca anterior \u00e0 Segunda Grande Guerra e criador da s\u00e9rie \u201cNorakuro\u201d<br \/>\n(1933-35), acerca de um c\u00e3ozinho que se alistava no Ex\u00e9rcito Imperial. Mas a rapariga depressa come\u00e7ou a forjar o seu pr\u00f3prio caminho. Um dia em que caminhava pela praia com uma das irm\u00e3s, surgiu-lhe a ideia para a s\u00e9rie que havia de torn\u00e1-la rica e famosa \u2013 \u201cSazae-san\u201d. Devido talvez ao local, os nomes das personagens s\u00e3o tamb\u00e9m os de v\u00e1rios frutos do mar. Por exemplo, Sazae significa rodovalho, Kazuo,<br \/>\nnome do irm\u00e3o de Sazae, significa bonito seco (uma esp\u00e9cie de atum, utilizado no okonomiyaki), Wakame, nome da irm\u00e3zinha, \u00e9 tamb\u00e9m o de uma alga usada na confec\u00e7\u00e3o da sopa miso e Tarao (Tara), o filho de Sazae, partilha o nome com o bacalhau.<\/p>\n<p>A s\u00e9rie come\u00e7ou, desde 1949, a ser publicada diariamente no conhecido jornal Asahi Shinbum e assim continuaria por mais 28 anos, at\u00e9 Fevereiro de 1974, perfazendo um total de 6 477 cap\u00edtulos. Cada um destes consiste num relato curto e independente.<\/p>\n<p>O \u00eaxito foi instant\u00e2neo. Os japoneses do p\u00f3s-guerra e das gera\u00e7\u00f5es posteriores identificavam-se de imediato com aquela fam\u00edlia da classe m\u00e9dia e com as situa\u00e7\u00f5es c\u00f3micas mas banais que protagonizavam.<br \/>\n\u201cSazae-san\u201d debru\u00e7a-se sobre a vida quotidiana de uma fam\u00edlia alargada vulgar (tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es na mesma casa), os Isono. O destaque vai para a filha mais velha, Sazae, mas h\u00e1 ainda o pai, Namihei, a m\u00e3e Fune, o irm\u00e3o Kazuo e a irm\u00e3 Wakame, assim como aquele que, pouco tempo depois de criada a s\u00e9rie, se torna no marido de Sazae, Fuguta Masuo, e o filhito de ambos, Tarao.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3533.jpg\" alt=\"3\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18200\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3533.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3533-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Os Isono come\u00e7am por viver em Kyushu mas mudam-se rapidamente para T\u00f3quio. Machiko Hasegawa viveu muito tempo no bairro Setagaya da capital, e fez com que a maioria das cenas da s\u00e9rie tamb\u00e9m tivesse ali lugar. Por essa raz\u00e3o, uma das ruas do bairro, at\u00e9 ent\u00e3o chamada Naka-dori, tomou o nome de Rua Sazae-san em 1987. Hasegawa Machiko frente a um desenho com o rosto de Sazae Como \u00e9 comum na banda desenhada, na s\u00e9rie \u201cSazae-san\u201d os tempos v\u00e3o passando e a sociedade mudando, mas as personagens conservam sempre a mesma idade. O conte\u00fado \u00e9 apropriado para fam\u00edlias e pouco controverso. Trata-se de um tipo de humor que n\u00e3o provoca gargalhadas, antes origina um sorriso permanente e boa disposi\u00e7\u00e3o para o resto do dia. Aborda situa\u00e7\u00f5es familiares a muitos de n\u00f3s, como proferir inconveni\u00eancias diante de visitas ou pregar partidas para se conseguir ficar com a guloseima da irm\u00e3.<\/p>\n<p>A jovem Sazae n\u00e3o possui super-poderes, tem um QI vulgar, \u00e9 fisicamente prosaica e n\u00e3o prima pelo bom-gosto. Mas o leitor come\u00e7a logo a render-se \u00e0 sua alegria, ao seu sentido de humor, \u00e0 sua natureza distra\u00edda, ao seu bom cora\u00e7\u00e3o, modos arrapazados (por causa deles, a m\u00e3e receava que nunca viesse a arranjar marido), gaffes e, por vezes, espalhafato. A maneira estouvada como Sazae lida com as adversidades do p\u00f3s-guerra (a falta de alimentos, as senhas de racionamento, a pobreza, os \u00f3rf\u00e3os de guerra, mas tamb\u00e9m as novas ideias e atitudes trazidas pelos ocupantes americanos) ofereceu aos japoneses de ent\u00e3o um certo sentimento de conforto e ajudou-os a superar essas adversidades com um sorriso.<\/p>\n<p>O pai de Sazae-san, como \u00e9 t\u00edpico dos homens japoneses, pouco faz em casa. Mas \u00e9 af\u00e1vel e atencioso, muito diferente do pai japon\u00eas tir\u00e2nico da \u00e9poca anterior \u00e0 guerra:<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 tr\u00eas coisas a temer na vida: os terramotos, os inc\u00eandios e o pai\u201d, era ent\u00e3o um dito popular. Em \u201cSazae-san\u201d, janta-se \u00e0s seis em fam\u00edlia, seguindo o costume tradicional. A disposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mesa tamb\u00e9m \u00e9 tradicional \u2013 no lugar de honra sentam-se os homens: o pai e o marido. Sazae e a m\u00e3e sentam-se do lado mais pr\u00f3ximo da cozinha, porque lhes cabe a elas servir os pratos. Mas a atmosfera \u00e9 descontra\u00edda e partilham todos os mesmos alimentos simples, n\u00e3o ficando reservados aos homens as melhores iguarias, como acontecia antes da Guerra. A tradi\u00e7\u00e3o ditava ainda que fosse a noiva a ir viver com a fam\u00edlia do marido. No entanto, \u00e9 o marido de Sazae que vai viver para casa dela. \u201cSazae-san\u201d n\u00e3o ajudou apenas os japoneses a suportarem as agruras da \u00e9poca do p\u00f3sguerra; ajudou-os tamb\u00e9m a promover no pa\u00eds uma maior igualdade entre homens e mulheres, quando o peso da mentalidade tradicional era ainda muito importante.<\/p>\n<p>A mistura do tradicional e do moderno, t\u00e3o caracter\u00edstica do Jap\u00e3o, tamb\u00e9m \u00e9 vis\u00edvel atrav\u00e9s das roupas: os pais preferem quimonos, as gera\u00e7\u00f5es mais novas adoptam trajes ocidentais. E assim prosseguiu Sazae-san pelos anos cinquenta e sessenta adiante, cada vez mais feminista e alegre, vestindo j\u00e1 cal\u00e7as \u00e0 boca-de-sino e at\u00e9 mini-saia.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/447.jpg\" alt=\"4\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18197\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/447.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/447-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>A s\u00e9rie manteve-se sempre t\u00e3o popular que foi editada numa colec\u00e7\u00e3o de 68 livros, conquistou a r\u00e1dio nos anos cinquenta, o grande \u00e9cran com nove filmes de sucesso e acabou a passar na televis\u00e3o em desenhos animados desde 1966 at\u00e9 aos nossos dias! Machiko Hasegawa, todavia, desaprovava os desenhos animados, tendo comentado: \u201cA s\u00e9rie Sazae-san emitida agora na televis\u00e3o difere tanto da minha Sazae-san que n\u00e3o tenho nada a ver com ela.\u201d Talvez assim fosse porque os desenhos animados serviam de ve\u00edculo publicit\u00e1rio para v\u00e1rios patrocinadores e qualquer epis\u00f3dio mais sat\u00edrico ou com um humor um pouco mais negro era recusado.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 edi\u00e7\u00e3o japonesa dos livros de \u201cSazae-san\u201d, publicada pela editora Shimaisha (\u201cIrm\u00e3s\u201d, dirigida pela pr\u00f3pria Machiko Hasegawa e irm\u00e3s) e pela Asahi Shinbum, j\u00e1 vendeu mais de 86 milh\u00f5es de exemplares.<\/p>\n<p>Em 1974, Hasegawa resolveu terminar a s\u00e9rie. A forma de vida retratada na obra \u2013 comunidades agrad\u00e1veis de fam\u00edlias vizinhas, com costumes frugais, praticando a entreajuda e gozando de tranquilidade \u2013 tinha-se praticamente extinguido na T\u00f3quio da alta tecnologia, do ritmo de vida acelerado, do consumo desenfreado e das fam\u00edlias nucleares. No entanto, a s\u00e9rie continua a atrair o povo japon\u00eas, nost\u00e1lgico dessa vida de outrora, e tamb\u00e9m os ocidentais que anseiam por entender a hist\u00f3ria do Jap\u00e3o do s\u00e9c. XX.<\/p>\n<p>A desenhadora, que nunca se casou nem teve filhos, dedicou-se depois a consolidar o \u00eaxito da sua maior obra. A 3 de Novembro de 1985, com a irm\u00e3 Mariko, abriu no seu bairro (e das suas personagens), Setagaya, a sete minutos a p\u00e9 da esta\u00e7\u00e3o de Sakurashinmachi da linha Tokyu Shin-Tamagawa do Metro, o Museu Hasegawa Machiko, onde se pode contemplar, al\u00e9m dos desenhos originais da s\u00e9rie e demais trabalhos da autora, a colec\u00e7\u00e3o de arte das irm\u00e3s, com obras de Chagall, entre outros pintores de renome.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1912.jpg\" alt=\"1\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18198\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1912.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1912-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Hasegawa Machiko morreu em 1992, ap\u00f3s ter reinado durante cinquenta anos, numa sociedade onde a BD desempenha um papel de enorme relev\u00e2ncia, representando a cultura popular e a mentalidade japonesa do p\u00f3s-guerra. No ano da sua morte, foi-lhe dado um pr\u00e9mio, infelizmente p\u00f3stumo, pelo ent\u00e3o Primeiro-Ministro.<\/p>\n<p>Ao longo dos tempos, a s\u00e9rie &#8220;Sazae-san&#8221; levantou quest\u00f5es e d\u00favidas nos seus leitores. No intuito de as tentar esclarecer, o professor Kenkichiro Iwamatsu, da prestigiosa Universidade Keio Gijuku e dirigente da Associa\u00e7\u00e3o de Sazae de T\u00f3quio, publicou em 1992 um livro intitulado \u201cOs 69 Mist\u00e9rios Escondidos em Sazae-san\u201d. At\u00e9 hoje, vendeu mais de dois milh\u00f5es de exemplares. \u201cSazae-san\u201d \u00e9 t\u00e3o representativa da cultura japonesa e da vida das tr\u00eas d\u00e9cadas que se seguiram \u00e0 Segunda Grande Guerra, que apenas em 1997, cinco anos ap\u00f3s a morte da autora, se aventuraram a traduzi-la para<br \/>\ningl\u00eas, sob o t\u00edtulo \u201cThe Wonderful World of Sazae-san\u201d.<\/p>\n<p>Curiosamente, \u201cThe Wonderful World of Sazae-san\u201d viria a revelar ser uma leitura igualmente apaixonante para os ocidentais. Isso sucede porque se trata de um bom meio para entender a vida e cultura japonesas. \u00c9 tamb\u00e9m uma \u00f3ptima maneira para se come\u00e7ar a ler em japon\u00eas, uma vez que os di\u00e1logos s\u00e3o curtos e simples. Al\u00e9m disso, apesar das idiossincrasias da vida japonesa (o que s\u00f3 torna a s\u00e9rie mais atraente), o leitor ocidental, tal como o nip\u00f3nico, adere de imediato a \u201cSazae-san\u201d porque encontra nela uma resson\u00e2ncia da vida simples do dia-a-dia, vida essa que se assemelha por toda a parte e est\u00e1 recheada de situa\u00e7\u00f5es c\u00f3micas que oferecem muitas raz\u00f5es para ser feliz.<\/p>\n<p><strong>Escrito por: Cl\u00e1udia Ribeiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Toda a gente conhece os manga japoneses, mas poucos saber\u00e3o qual a mais popular s\u00e9rie de manga de sempre no pr\u00f3prio Jap\u00e3o. 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