{"id":18304,"date":"2014-09-28T19:04:35","date_gmt":"2014-09-28T20:04:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/?p=18304"},"modified":"2014-09-28T19:04:35","modified_gmt":"2014-09-28T20:04:35","slug":"kazuo-dan-um-japones-na-praia-de-santa-cruz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cultu\/kazuo-dan-um-japones-na-praia-de-santa-cruz\/","title":{"rendered":"Kazuo Dan: Um japon\u00eas na praia de Santa Cruz"},"content":{"rendered":"<p>Um escritor e poeta japon\u00eas do per\u00edodo do p\u00f3s-guerra, Kazuo Dan, viveu um ano e quatro meses na praia de Santa Cruz. Inicialmente, previra ali residir apenas meio ano. Mas adaptou-se t\u00e3o bem \u00e0 vida naquela que era, em 1970-71-72, uma r\u00fastica aldeia piscat\u00f3ria, que resolveu prolongar a estadia por ainda mais 4 meses. A raz\u00e3o pela qual escolhera a Praia de Santa Cruz foi porque o local permitia uma \u00edntima interac\u00e7\u00e3o entre ele pr\u00f3prio e o C\u00e9u e a Terra, tudo com o som do mar ao fundo. \u201cPara isso, a Praia de Santa Cruz era perfeita, sem igual. (\u2026) Os raios solares reluziam incansavelmente no alto da minha fronte e, a meus p\u00e9s, havia sempre o mar a desenhar as suas estampas onduladas\u201d, escreveu.<br \/>\nQuanto n\u00e3o seria ex\u00f3tica aquela presen\u00e7a do escritor japon\u00eas numa aldeiazita piscat\u00f3ria nos recuados anos 70 do s\u00e9c. XX!<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1918.jpg\" alt=\"1\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18306\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1918.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1918-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Quando se mudou para Portugal, Kazuo Dan contava j\u00e1 cinquenta e oito anos. Cedo iniciara cedo a sua actividade liter\u00e1ria, publicando desde os dezasseis anos no Liceu de Fukuoka. Em 1932, frequentou a Universidade de T\u00f3quio, a mais prestigiada do pa\u00eds. Mas, ao inv\u00e9s de estudar, e embora se tenha conseguido formar em Economia, passou aqueles anos a ler e a escrever. A sua carreira ficou lan\u00e7ada quando publicou \u201cO Car\u00e1cter desta Fam\u00edlia\u201d na revista Shinjin, que recebeu cr\u00edticas elogiosas. Decidiu ent\u00e3o consagrar-se inteiramente \u00e0 escrita. Foi o vencedor do Pr\u00e9mio Noma de 1944.<\/p>\n<p>Quando lhe foi atribu\u00eddo, encontrava-se na China como correspondente de guerra. S\u00f3 regressou ao Jap\u00e3o no final da guerra, casando-se ent\u00e3o em Yanagawa com Yosoko-san. A sua vida foi sempre aventurosa.<br \/>\nUma vez estabelecido em T\u00f3quio, de novo \u00e9 premiado, desta feita com o Pr\u00e9mio Naoki, em 1951. Entre a publica\u00e7\u00e3o de romances e poesias, viaja pelo Jap\u00e3o, pela Europa, pelos Estados Unidos, China, URSS, Austr\u00e1lia e Nova Zel\u00e2ndia. Visitou Portugal em 1970 e a sua afinidade com a Praia de Santa Cruz foi de tal ordem que decidiu estabelecer-se l\u00e1. Alugou uma casita abandonada, que considerava o seu pal\u00e1cio e que pode ser visitada na rua que hoje tem o seu nome, Rua Kazuo Dan, n\u00ba 6.<\/p>\n<p>Naquele tempo, permaneciam em Santa Cruz durante todo o ano apenas cerca de duzentas pessoas. Todos se conheciam e ningu\u00e9m fechava \u00e0 chave a porta da sua habita\u00e7\u00e3o. Todos os dias Kazuo Dan percorria os dez quil\u00f3metros que distavam da sua casa ao penhasco, para a\u00ed contemplar a amplid\u00e3o do oceano. A paz era apenas perturbada durante o ver\u00e3o, quando as praias se enchiam de veraneantes. Mas isso s\u00f3 acontecia de Junho a Setembro. Com o baixar da mar\u00e9 de meados de Setembro, os vinte mil veraneantes desapareciam. O mar voltava ent\u00e3o a ser todo seu: \u201cE, se caminho pela extensa praia de areia branca que se estende ao longo do penhasco, s\u00f3 a minha pista desenha um cintur\u00e3o duplo sobre ela.\u201d Nadou quase diariamente por entre as ondas do Porto das Vacas at\u00e9 ao in\u00edcio de Dezembro, devido \u00e0s temperaturas amenas de Portugal.<\/p>\n<p>Cedo um c\u00e3o abandonado come\u00e7ou a segui-lo nas suas incurs\u00f5es junto ao mar. Al\u00e9m do c\u00e3o, Kazuo Dan adoptou tamb\u00e9m um passarinho. Perguntou um dia a um rapazito o nome de uns passarinhos que cantavam de maneira peculiar. O menino capturou e ofereceu-lhe ent\u00e3o um desses cantores. Era um pintassilgo. E Kazuo Dan foi com o garoto comprar-lhe uma gaiola.<\/p>\n<p>Pela manh\u00e3, dedicava-se \u00e0s plantas do quintal, composto de sementes e flores apanhadas nos campos. Regava-as, adubava-as e polvilhava-as com qu\u00edmicos e cinzas da lareira, desconhecendo muitas vezes os seus nomes. Impressionava-o o florescimento das plantas e flores de Portugal. Tudo florescia com um \u00edmpeto e uma exuber\u00e2ncia como ainda n\u00e3o lhe fora dado ver. A pr\u00f3pria mulher, quando o visitou, admirou-se com a pujan\u00e7a da natureza portuguesa. Com o seu gosto japon\u00eas pelo despojamento, chegava a cansar-se de ver tanta flor: \u201cH\u00e1 demasiadas flores em Portugal!\u201d<br \/>\nA maior paix\u00e3o de Kazuo Dan era, no entanto, o p\u00f4r-do-sol em Santa Cruz: \u201cO que h\u00e1 de realmente espl\u00eandido l\u00e1 \u00e9 o poente.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/448.jpg\" alt=\"4\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18311\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/448.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/448-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Sempre que sentia a sua proximidade, deixava de lado o que quer que estivesse a fazer, corria ao penhasco mais pr\u00f3ximo e punha-me a gritar, a exemplo do ilustre Kiyomori[1]: \u201cDevolva-mo! Devolva-mo!\u201d<br \/>\nEnt\u00e3o, sentia a vibra\u00e7\u00e3o do sol ardente no meu \u00e2mago e via-o desaparecer por entre as ondas.<br \/>\nO reluzir das nuvens logo a seguir era de uma beleza inesquec\u00edvel.\u201d<br \/>\nMas n\u00e3o se pense que Kazuo Dan tinha vida de eremita. Na verdade, depressa fez amigos entre os habitantes. O sobrenome Dan assemelhava-se foneticamente a D\u00e3o \u2013 por sinal, o seu vinho favorito \u2013 e, por essa raz\u00e3o, a sua presen\u00e7a e o seu nome ficavam bem marcados na mem\u00f3ria dos portugueses. Foi gra\u00e7as a Kazuo Dan que o vinho D\u00e3o e a Praia de Santa Cruz passaram a ser conhecidos pelos japoneses. <\/p>\n<p>Quando regressava a casa dos seus passeios junto ao mar, aguardavam-no sempre presentes chorudos: sargos e robalos gigantes do Joaquim e enguias trazidas pelo Jos\u00e9. Chegavam a oferecer-lhe trinta enguias e peixes t\u00e3o grandes que Kazuo Dan n\u00e3o tinha outro rem\u00e9dio sen\u00e3o organizar um pequeno banquete e convidar os habitantes a com\u00ea-los com ele. Com os robalos ainda vivos do Joaquim, preparava um delicioso sashimi e sopa japonesa e com os sargos do Jos\u00e9 fazia chazuke. Com o cora\u00e7\u00e3o pesado, era obrigado, por vezes, a deitar fora o excesso de alimentos cuja proveni\u00eancia era a inesgot\u00e1vel generosidade das gentes simples de Santa Cruz. Adorava percebes, que at\u00e9 ent\u00e3o desconhecia, mas os amigos forneciam-lhe tantos que acabava por ter de os lan\u00e7ar \u00e0 lareira. Joaquim e Jos\u00e9, por\u00e9m, tinham o orgulho dos pescadores e levavam-lhe sempre do maior e na maior quantidade que pudessem. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o enchiam de fruta. \u201cN\u00e3o desprezem a fruta portuguesa!\u201d, alertava Kazuo Dan. A do\u00e7ura das uvas portuguesas fazia as japonesas parecerem desenxabidas. As ma\u00e7\u00e3s enrugadas e pequenas que lhe levou a m\u00e3e da Anabela do caf\u00e9 da esquina provocaram-lhe a princ\u00edpio viva desconfian\u00e7a. Mas quando se atreveu a prov\u00e1-las \u201cfiquei t\u00e3o surpreendido com tamanha del\u00edcia que quase sufoquei.\u201d E escreveu acerca delas: \u201dO sumo e a polpa daquelas ma\u00e7\u00e3s enrugadas apresentavam-se em perfeita harmonia e pude apreci\u00e1-las como se guardasse na boca uma cria\u00e7\u00e3o divina e perfeita chamada \u201cma\u00e7\u00e3\u201d.&#8221; As cerejas e os mel\u00f5es de Portugal deixavam-no igualmente extasiado.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2590.jpg\" alt=\"2\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18307\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2590.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2590-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Mas a mais grata recorda\u00e7\u00e3o seria a dos amigos da Praia de Santa Cruz.<br \/>\nAo rumar ao Jap\u00e3o, na v\u00e9spera do seu 60\u00ba anivers\u00e1rio, a 2 de Fevereiro de 1972, ia com a esperan\u00e7a de regressar a Portugal. Por essa \u00e9poca, escreveu:<br \/>\n\u201cEstive cerca de um ano e quatro meses numa aldeia chamada Santa Cruz em Portugal.<br \/>\nN\u00e3o, tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que a minha casa ainda fica em Santa Cruz e estou temporariamente no Jap\u00e3o para ver o que se tem passado.<br \/>\nPorque as minhas duas empregadas Odete e Carolina est\u00e3o ansiosas pelo meu regresso; porque deixei um pintassilgo que j\u00e1 se amansou comigo numa gaiola e um c\u00e3o chamado Poli deve estar a percorrer o caminho entre a praia e a casa, \u00e0 minha procura.<br \/>\nN\u00e3o apenas isso. No quintal, os espinafres, os nabos, as couves est\u00e3o todos \u00e0 minha espera estendendo as folhas ao sol e o canteiro ao centro deve estar repleto de flores vermelhas, brancas e amarelas, num prel\u00fadio da aproxima\u00e7\u00e3o da primavera.<br \/>\nE mais, a Anabela do caf\u00e9 da esquina, que me iniciou na l\u00edngua portuguesa, a sua irm\u00e3 Maria C\u00e1rmen, a Ana Maria do sal\u00e3o de beleza, a Maria Calada do bar, a Judite Navarro, a escritora\u2026 Ali\u00e1s, n\u00e3o apenas mulheres, mas tamb\u00e9m o Fernando inv\u00e1lido, o Carlos da taberna, os pescadores Joaquim e Jos\u00e9 e o Humberto alco\u00f3lico\u2026 Est\u00e3o todos \u00e0 minha espera de bra\u00e7os abertos.<br \/>\nEm toda a minha vida, nunca havia feito amizades t\u00e3o sinceras e t\u00e3o intensas como as de l\u00e1, no espa\u00e7o de pouco mais de um ano.\u201d<\/p>\n<p>No entanto, durante uma viagem \u00e0 Coreia e a Taiwan, sentiu-se mal do f\u00edgado. Retirou-se do bul\u00edcio de T\u00f3quio, procurando ref\u00fagio na sua ilha natal, Kyushu. Num dia de Junho de 1975, sentiu uma dor aguda nas costas e foi hospitalizado. Suspeitava j\u00e1 que sofria de cancro, cuja causa ter\u00e1 sido talvez o seu amor pelo vinho. Apressou-se ent\u00e3o a finalizar a sua obra. Durante dez dias seguidos, ditou aquele que viria a ser o romance \u201cO Homem das Paix\u00f5es\u201d, que come\u00e7ara a escrever em Santa Cruz. <\/p>\n<p>No dia 2 de Janeiro de 1976, Kazuo Dan exalava o \u00faltimo suspiro, sem ter conseguido realizar o seu \u00faltimo desejo: regressar \u00e0 pequena aldeia portuguesa.<br \/>\nA mem\u00f3ria de Kazuo Dan, todavia, seria perpetuada na aldeia: atrav\u00e9s da iniciativa de um grupo de amigos japoneses do escritor e poeta, liderados por Takao Nakatani, implantou-se um monumento a Kazuo Dan, no lado norte da Capela de Santa Cruz, a 2 de Janeiro de 1992. Na parte posterior do monumento, encontra-se gravado um poema que do escritor acerca do sol poente em Santa Cruz, o haiku [2] de que mais se orgulhava: <\/p>\n<p>Rakujitsu wo<br \/>\nHirohini yukamu<br \/>\nUmi no hate<\/p>\n<p>Em portugu\u00eas:<\/p>\n<p>Belo sol poente!<br \/>\nAh! Pudesse eu ir buscar-te<br \/>\nL\u00e1, ao fim do mar!<\/p>\n<p>A palavra rakujitsu, sol poente, est\u00e1 associada ao outono e simboliza tamb\u00e9m a decad\u00eancia, a vida que se esvai e que o poeta desejaria deter. <\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3537.jpg\" alt=\"3\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-18305\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3537.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3537-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Na base do monumento pode ler-se ainda:<br \/>\n\u201cHomenagem a Kazuo Dan<br \/>\nKazuo Dan foi um dos mais populares escritores do Jap\u00e3o do p\u00f3s-guerra. Possuidor de uma rara sensibilidade liter\u00e1ria, Dan viveu uma vida cheia de aventuras, tendo percorrido todo o mundo.<br \/>\nEste poema \u201cPoente\u201d, que ele adorava, foi escrito aqui em Santa Cruz, onde viveu e criou \u00edntimos la\u00e7os de amizade com os habitantes da aldeia. Logo ap\u00f3s ter regressado ao Jap\u00e3o, adoeceu. Em 1976, aos sessenta e tr\u00eas anos, este poeta errante encerrava o seu ciclo de vida, sem cumprir o seu sonho de regressar a Santa Cruz.<br \/>\nEm cumprimento do seu desejo, constru\u00edmos aqui este monumento, a fim de aprofundar as rela\u00e7\u00f5es de amizade entre Portugal e o Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>2 de Janeiro de 1992.<\/p>\n<p>Representante dos amigos: Takao Nakatani.\u201d<\/p>\n<p>Inacreditavelmente, n\u00e3o existe um \u00fanico livro deste escritor e amigo de Portugal na nossa l\u00edngua. Que melhor homenagem lhe poderiam prestar do que tornar acess\u00edvel a sua obra aos portugueses? <\/p>\n<p>[1] Taira no Kiyomori, general do Per\u00edodo Heian tardio \u2013 s\u00e9c. XII d.C. &#8211; que estabeleceu o primeiro<br \/>\ngoverno administrativo dominado pela classe samurai.<br \/>\n[2] Poema de tr\u00eas versos de, respectivamente, cinco, sete e cinco s\u00edlabas e que inclui sempre uma palavra de refer\u00eancia \u00e0s esta\u00e7\u00f5es do ano.<\/p>\n<p>Bibliografia: brochura &#8220;O P\u00f4r do Sol em Santa Cruz. Mem\u00f3rias de um japon\u00eas sobre uma aldeia portuguesa&#8221; de Kazuo Dan, traduzida do japon\u00eas por Norio Kinshichi, Jap\u00e3o, 1992.<\/p>\n<p><strong>Escrito por: Cl\u00e1udia Ribeiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um escritor e poeta japon\u00eas do per\u00edodo do p\u00f3s-guerra, Kazuo Dan, viveu um ano e quatro meses na praia de Santa Cruz. Inicialmente, previra ali residir apenas meio ano. 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