{"id":21781,"date":"2016-03-08T17:46:36","date_gmt":"2016-03-08T18:46:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/?p=21781"},"modified":"2016-03-08T19:46:58","modified_gmt":"2016-03-08T20:46:58","slug":"uma-breve-historia-sobre-a-evolucao-dos-movimentos-feministas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/socie\/uma-breve-historia-sobre-a-evolucao-dos-movimentos-feministas\/","title":{"rendered":"Uma Breve Hist\u00f3ria Sobre a Evolu\u00e7\u00e3o do Movimento Feminista"},"content":{"rendered":"<p>Feliz Dia Internacional da Mulher! Para comemorar este dia iremos trazer-vos alguns artigos dedicados \u00e0 mulher japonesa. Contudo, infelizmente este dia n\u00e3o est\u00e1 ligado apenas a elementos felizes e, por isso, o objetivo deste primeiro artigo ser\u00e1 o de dar uma vis\u00e3o geral sobre a posi\u00e7\u00e3o da mulher no Jap\u00e3o ao longo dos anos, havendo um foco nos momentos que antecedem e sucedem\u00a0os movimentos sufragistas. E claro, \u00e9 necess\u00e1rio salvaguardar que cada \u00e9poca \u00e9 uma \u00e9poca, cada mulher \u00e9 uma mulher, e que de nenhuma forma este artigo pretende insinuar que todos os aspetos abaixo referidos s\u00e3o seguidos como regra pela totalidade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se estiverem curiosos coloquei uma lista de Bibliografia Recomendada no final deste artigo para que possam confirmar algumas das informa\u00e7\u00f5es ou para que possam conhecer mais detalhadamente alguns dos assuntos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-21819\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/imperatrizjingu.png\" alt=\"imperatrizjingu\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/imperatrizjingu.png 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/imperatrizjingu-300x136.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 novidade que o Jap\u00e3o sempre foi uma na\u00e7\u00e3o essencialmente patriarcal, tal como acontecia um pouco por todo o mundo. Dos 123 imperadores apenas nove foram mulheres, tendo duas exercido esta fun\u00e7\u00e3o duas vezes. Por outro lado, as Imperatrizes eram sempre antecedidas e sucedidas\u00a0por homens, ou seja, o poder \u00e9 sempre passado de pai para filho, pai para filha, ou m\u00e3e para filho. A esta regra existe apenas uma exce\u00e7\u00e3o, entre as Imperatrizes Genmei e Gensho durante o S\u00e9culo VIII. (Faremos em breve um artigo sobre as Imperatrizes).<\/p>\n<p>A presen\u00e7a de mulheres no trono japon\u00eas, especialmente at\u00e9 ao S\u00e9culo XVII, \u00e9 ainda acompanhada de uma grande liberdade feminina, onde as mulheres possu\u00edam certa independ\u00eancia\u00a0financeira, direitos de herdar propriedades e at\u00e9 de manter amantes.<\/p>\n<p>Esta situa\u00e7\u00e3o muda radicalmente durante o final do S\u00e9culo XVII e in\u00edcio do S\u00e9culo XVIII, altura em que o neo-confusionismo come\u00e7a a influenciar e a moldar a sociedade japonesa. Entre as obras de refer\u00eancia temos, por exemplo, \u201cOnna Daigaku\u201d publicada em 1729 por Kaibara Ekken (1630 \u2013 1714). Este \u201cmanual\u201d pretendia mostrar \u00e0s mulheres qual o seu verdadeiro lugar na sociedade, defendendo a ideia de que s\u00e3o incompetentes na educa\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as (dos futuros pais de fam\u00edlia), que n\u00e3o s\u00e3o de confian\u00e7a e que deveriam obedecer cegamente aos seus pais e, mais tarde, aos seus maridos.<\/p>\n<p>Para melhor atingir este objetivo \u2013 de transformar qualquer mulher numa m\u00e3e capaz de educar o seu filho de modo a torn\u00e1-lo num exemplar chefe de fam\u00edlia \u2013 o governo Meiji aposta na educa\u00e7\u00e3o das jovens mulheres. Contudo, este ato levar\u00e1 a consequ\u00eancias para as quais a sociedade n\u00e3o estava preparada.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-21820\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/homenscontrasugrafistas.png\" alt=\"homenscontrasugrafistas\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/homenscontrasugrafistas.png 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/homenscontrasugrafistas-300x136.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Entre as aulas de arranjos florais e prepara\u00e7\u00e3o do ch\u00e1 \u2013 atividades que qualquer boa dona de casa deveria dominar \u2013 as jovens alunas come\u00e7am a aprender mais sobre o mundo da pol\u00edtica, consequ\u00eancia da grande taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o e do elevado grau de escolaridade que agora det\u00eam. Claro, este interesse n\u00e3o seria f\u00e1cil de alimentar, especialmente pelo facto das mulheres estarem proibidas por lei de expressar as suas opini\u00f5es pol\u00edticas, de se juntarem a partidos ou estarem presentes em reuni\u00f5es desses mesmos partidos.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o piora em 1898 quando \u00e9 instaurado o Sistema Ie que confina ainda mais as mulheres \u00e0s suas casas e vidas dom\u00e9sticas. O Sistema Ie, entre outras regras, prop\u00f5e que cada fam\u00edlia possua um chefe de fam\u00edlia respons\u00e1vel por todos os membros. Quando se encontra demasiado velho, o chefe de fam\u00edlia deve passar este cargo ao seu filho mais velho, que por sua vez fica encarregue de viver na casa dos pais e tomar conta deles at\u00e9 \u00e0 sua morte. No entanto, o que realmente acontece \u00e9 que as esposas t\u00eam agora o dobro do trabalho \u2013 para al\u00e9m de serem respons\u00e1veis pela educa\u00e7\u00e3o dos filhos e limpeza da casa, t\u00eam agora de tomar conta dos sogros, deixando-lhes pouco ou nenhum tempo livre.<\/p>\n<p>Mas esta \u00e9 apenas uma das leis instauradas no final do S\u00e9culo XIX e in\u00edcio do S\u00e9culo XX. Outra lei, por exemplo, entra em vigor em 1908 e permite aos maridos assassinarem legalmente as esposas por infidelidade, sendo que n\u00e3o era necessariamente importante a apresenta\u00e7\u00e3o de provas definitivas que justificassem o homic\u00eddio.<\/p>\n<p>Todas estas limita\u00e7\u00f5es e leis opressivas fazem crescer ainda mais o descontentamento das mulheres e culmina no nascimento do movimento feminino que chega ao seu auge nos anos 20, seguindo as tend\u00eancias internacionais. Entre as conquistas destas mulheres est\u00e1, por exemplo, uma reforma na lei que lhes permite finalmente participarem em reuni\u00f5es de partidos pol\u00edticos, apesar de continuarem banidas de fazerem oficialmente parte deles \u2013 n\u00e3o esquecendo que muitos pol\u00edticos da \u00e9poca acreditavam que a sua participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica retirar-lhes-ia tempo para a execu\u00e7\u00e3o das suas atividades dom\u00e9sticas, fundamentais ao bom funcionamento da fam\u00edlia tradicional japonesa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-21821\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/tokyo1923.png\" alt=\"tokyo1923\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/tokyo1923.png 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/tokyo1923-300x136.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Outro momento que liberta as mulheres das suas fun\u00e7\u00f5es, dando-lhes uma oportunidade de se organizarem \u00e9 o terramoto de 1923 que destr\u00f3i grande parte das cidades de Tokyo e Yokohama, causando ainda danos em toda a regi\u00e3o de Kanto. Como resposta ao desastre \u00e9 criada a Tokyo Rengo Fujinkai (Federa\u00e7\u00e3o de Tokyo das Mulheres Organizadas), com o objetivo de ajudar as v\u00edtimas. Com ela, nasce o maior grupo de ativistas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Algum tempo depois a federa\u00e7\u00e3o divide-se em cinco grupos dedicados \u00e0 sociedade, ao governo, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao trabalho, e ao emprego. Do grupo focado no governo aparece a Fusen Kakutoku Domei (Liga de Mulheres Sufragistas) focada na obten\u00e7\u00e3o do voto para as mulheres. Os seus manifestos incluem provas de como o voto feminino \u00e9 justificado e essencial \u2013 como educadoras \u00e9 sua responsabilidade destruir tradi\u00e7\u00f5es que v\u00e3o contra a igualdade de g\u00e9neros; tanto homens como mulheres possuem graus de escolaridade semelhantes e \u00e9 apenas natural que seja concedido o direito ao voto a ambos; o voto \u00e9 fundamental \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de mais de quatro milh\u00f5es de trabalhadoras diariamente v\u00edtimas de abuso; sem direitos pol\u00edticos n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel um reconhecimento das mulheres por parte do seu pr\u00f3prio governo.<\/p>\n<p>O movimento manifestou-se de v\u00e1rias formas mas uma das mais eficazes foi a cria\u00e7\u00e3o da <em>Seito, Fujin Koron<\/em> e da <em>Shufu no Tomo<\/em>, revistas feministas que se aproveitavam da elevada taxa de alfabetiza\u00e7\u00e3o. As edi\u00e7\u00f5es tocavam em assuntos como o aborto, a sexualidade, a pol\u00edtica e a independ\u00eancia, e inclu\u00edam tamb\u00e9m obras feministas ocidentais proibidas em territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-21818\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/FUSAE-ICHIKAWA.png\" alt=\"FUSAE ICHIKAWA\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/FUSAE-ICHIKAWA.png 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/FUSAE-ICHIKAWA-300x136.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>N\u00e3o posso ainda deixar de mencionar neste artigo nomes como Shidzue Kato, Fusae Ichikawa (imagem a cima), Shigeri Yamataka, e Hiratsuka Raicho, mulheres fundamentais aos movimentos sufragistas no Jap\u00e3o.<\/p>\n<p>Shidzue Kato (1897 \u2013 2001) lutou pelos direitos de reprodu\u00e7\u00e3o da mulher e direitos pol\u00edticos, tendo inclusivamente anulado o seu primeiro casamento e casado uma segunda vez, algo extremamente raro e dif\u00edcil na altura. Fusae Ichikawa (1893 \u2013 1981) lutou pelo direito ao voto e pelo direito de presen\u00e7a em reuni\u00f5es pol\u00edticas. Depois de viajar at\u00e9 aos Estados Unidos da Am\u00e9rica logo ap\u00f3s a Primeira Guerra Mundial, Ichikawa conhece mulheres como Alice Paul e v\u00ea o grande avan\u00e7o que os movimentos feministas estavam a ter no Ocidente. Shigeri Yamataka (1899 \u2013 1977) trabalhou bastante com Ichikawa e chega mesmo a exercer fun\u00e7\u00f5es pol\u00edticas com ela na d\u00e9cada de 1950. Finalmente, Hiratsuka Raicho (1886 \u2013 1971) foi fundadora da Associa\u00e7\u00e3o da Nova Mulher (Shin Fujin Kyokai) em 1919.<\/p>\n<p>Em 1946, ap\u00f3s o final da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos da Am\u00e9rica obrigam \u00e0 altera\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o Japonesa, permitindo, entre outras coisas, que as mulheres pudessem agora votar, escolher os seus maridos e ocupa\u00e7\u00f5es. Este ato concede-lhes maior liberdade, um status mais elevado, e maior igualdade perante os homens. Com o passar do tempo outras medidas foram tomadas, permitindo \u00e0s mulheres ordenados equivalentes aos dos homens, casarem sem o consentimento do patriarca da fam\u00edlia, herdar a heran\u00e7a da fam\u00edlia, entre outros.<\/p>\n<p>Estas altera\u00e7\u00f5es permitem tamb\u00e9m \u00e0s mulheres adquirirem graus de escolaridade mais elevados. At\u00e9 1910 muito poucas universidades aceitavam mulheres e as que o faziam raramente viam as suas alunas completarem o curso por estas serem obrigadas a casar ou por serem retiradas da universidade pelos pais.<\/p>\n<p>As primeiras mulheres a conseguirem graus universit\u00e1rios foram: Tsuruko Haraguchi (1886 \u2013 1915), a primeira mulher a conseguir um doutoramento em Filosofia; Yoshioka Yayoi (1871 \u2013 1959), fundadora da Universidade de Medicina para Mulheres em Tokyo; e Tsuda Umeko (1864 \u2013 1929), graduada nos Estados Unidos da Am\u00e9rica e criadora do Instituto de Estudos Ingleses para Mulheres, e da Universidade de Tsuda onde atualmente se pode encontrar o seu t\u00famulo.<\/p>\n<p>Os atos destas mulheres incentivaram em muito a educa\u00e7\u00e3o das mulheres japonesas e gra\u00e7as aos seus esfor\u00e7os, ao longo das d\u00e9cadas a percentagem de sucesso escolar feminino foi crescendo. Em 2012 um estudo revelou que 98.1% da popula\u00e7\u00e3o feminina terminou o ensino secund\u00e1rio, e delas 45.8% completaram o ensino superior.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-21822\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/japantoday.png\" alt=\"japantoday\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/japantoday.png 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/japantoday-300x136.png 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Atualmente as mulheres vivem numa situa\u00e7\u00e3o amb\u00edgua. Por um lado, s\u00e3o incentivadas a participar no mundo do trabalho. Por outro, s\u00e3o constantemente expulsas dele \u2013 encorajando a vida dom\u00e9stica ap\u00f3s o casamento de forma a cuidarem dos filhos (ganhando cerca de 40% menos do que os seus colegas homens), ou sendo aceites essencialmente em trabalhos <em>part-time<\/em> (77% das mulheres empregadas exerce fun\u00e7\u00f5es neste tipo de emprego).<\/p>\n<p>Nos casos em que a mulher sai do mercado de trabalho para poder dar \u00e0 luz e cuidar do beb\u00e9 nos primeiros meses, o regresso ao emprego torna-se bastante dif\u00edcil, especialmente devido ao \u201cmatahara\u201d ou ass\u00e9dio maternal, no qual, entre outros fen\u00f3menos, as mulheres s\u00e3o v\u00edtima de uma grande redu\u00e7\u00e3o nos seus ordenados. Um estudo realizado por Hannah Beech (Time Magazine) mostra que 30% das mulheres que regressam ao trabalho depois da licen\u00e7a de maternidade terminar s\u00e3o alvo de \u201cmatahara\u201d. N\u00e3o esquecendo tamb\u00e9m o facto de ser esperado das mulheres conciliarem a vida p\u00f3s-laboral (conviver com colegas de trabalho) e a vida dom\u00e9stica (fazer refei\u00e7\u00f5es para os filhos, arrumar a casa, entre outros).<\/p>\n<p>A n\u00edvel comportamental ou de etiqueta ainda h\u00e1 bastantes expectativas e regras, nomeadamente as mulheres devem ser modestas (incluindo falar baixo e o m\u00ednimo poss\u00edvel), limpas (especialmente nas casas), simp\u00e1ticas (entretendo visitas, preparar e servir ch\u00e1), e confiantes (de forma a que as crian\u00e7as as respeitem e obede\u00e7am). N\u00e3o podemos esquecer tamb\u00e9m que a ind\u00fastria de cosm\u00e9tica japonesa \u00e9 a segunda maior do mundo, refor\u00e7ando a ideia de beleza presa \u00e0 mulher japonesa (pele clara, estatura pequena, olhos grandes, \u201cfofora\/kawaii\u201d). Contudo existem avan\u00e7os especialmente se tivermos em conta que as mulheres eram obrigadas a submeter-se a uma regra de \u201ctr\u00eas submiss\u00f5es\u201d \u2013 obedecer ao pai, depois ao marido, e no final ao filho mais velho.<\/p>\n<p>No parlamento, um estudo realizado pelo The Economist sobre a participa\u00e7\u00e3o das mulheres nos parlamentos mostrou que o Jap\u00e3o se encontra em 123\u00ba lugar num total de 189 pa\u00edses. O parlamento japon\u00eas \u00e9 constitu\u00eddo por 10% de mulheres, ainda que o governo pretenda elevar este n\u00famero para 30% at\u00e9 2020. Por curiosidade, um estudo realizado por pr\u00f3prio governo japon\u00eas em 2012 concluiu que 70% dos japoneses concordam que \u00e9 dado um tratamento preferencial aos homens.<\/p>\n<p>A este n\u00edvel Shinzo Abe tem, apesar das cr\u00edticas ao seu governo, lutado por uma maior igualdade de g\u00e9neros. Para al\u00e9m de querer aumentar o n\u00famero de mulheres no parlamento, tamb\u00e9m tem planos para aumentar o n\u00famero de creches. Ainda que provavelmente estas propostas venham para tentar fugir a assuntos inconvenientes como os problemas em Fukushima, entre outros.<\/p>\n<p>No fim a luta das mulheres por melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e trabalho tem consequ\u00eancias como a queda da taxa de natalidade pelo que muitas mulheres preferem trabalhar a casar e ter filhos, especialmente devido \u00e0 grande dificuldade em conseguir ambos.<\/p>\n<p>No entanto, claro, n\u00e3o podemos esquecer o grande n\u00famero de mulheres que escolhe de livre vontade ficar em casa e levar uma vida dom\u00e9stica, optando por trabalhos mais leves e <em>part-time<\/em> quando necess\u00e1rio. Desta forma podem manter tradi\u00e7\u00f5es t\u00edpicas femininas como as caixinhas de bento onde as m\u00e3es colocam os almo\u00e7os para os seus filhos e at\u00e9 maridos.<\/p>\n<p>Apesar dos grandes recuos em rela\u00e7\u00e3o aos direitos da mulher, o Jap\u00e3o tem nas \u00faltimas d\u00e9cadas dado grandes passos na igualdade de g\u00e9neros. Espero que este artigo tenha sido \u00fatil na compreens\u00e3o dessa evolu\u00e7\u00e3o, e\u00a0claro que este avan\u00e7o continue nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas.<\/p>\n<p><strong>Bibliografia Recomendada:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Azure Gilman, \u201cWork Conditions for Japanese Women May be Affecting Marriage, Birth Rates\u201d (<a href=\"http:\/\/tinyurl.com\/pe3tetc\">http:\/\/tinyurl.com\/pe3tetc<\/a>)<\/li>\n<li>Beate Sirota Gordon, \u201cThe Only Woman in the Room\u201d. ISBN: 9780226132655<\/li>\n<li>The Economist, \u201cHolding Back Half the Nation\u201d. (<a href=\"http:\/\/tinyurl.com\/m3da4qe\">http:\/\/tinyurl.com\/m3da4qe<\/a>)<\/li>\n<li>Hannah Beech, \u201cYou Mean Women Deserve Careers? \u2013 Patriarchal Japan Has Breakthrough Moment.\u201d (<a href=\"http:\/\/tinyurl.com\/jazxff8\">http:\/\/tinyurl.com\/jazxff8<\/a>)<\/li>\n<li>Helmut Morsbach, \u201cAspects of Japanese Marriage\u201d. ISBN 978-0300186079<\/li>\n<li>Japan Cabinet Office Gender Equality Bureau, \u201cPerceptions of Gender Inequality\u201d<\/li>\n<li>Joy Hendry, \u201cMarriage in Changing Japan: Community and Society\u201d. ISBN 0804815062 (<a href=\"http:\/\/tinyurl.com\/hdh63m7\">http:\/\/tinyurl.com\/hdh63m7<\/a>)<\/li>\n<li>Marnie S. Anderson, \u201cWomen in Modern Japanese history\u201d. (<a href=\"http:\/\/tinyurl.com\/hwsmd5w\">http:\/\/tinyurl.com\/hwsmd5w<\/a>)<\/li>\n<li>Takie Sugiyama, \u201cJapanese Women \u2013 Constraint and Fulfillment\u201d. ISBN 0824810252<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>Escrito por: \u00c2ngela Costa<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Feliz Dia Internacional da Mulher! Para comemorar este dia iremos trazer-vos alguns artigos dedicados \u00e0 mulher japonesa. 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