{"id":21808,"date":"2016-03-08T19:45:56","date_gmt":"2016-03-08T20:45:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/?p=21808"},"modified":"2019-07-04T12:26:26","modified_gmt":"2019-07-04T13:26:26","slug":"o-papel-das-gueixas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/socie\/o-papel-das-gueixas\/","title":{"rendered":"O Papel das Gueixas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">As gueixas, conhecidas tamb\u00e9m por <em>geiko<\/em> (\u82b8\u5b50) ou <em>gueigi<\/em> (\u82b8\u5993) s\u00e3o mulheres de origem japonesa que se dedicaram ao estudo milenar do canto, dan\u00e7a, e arte, consistindo num dos exemplos das tradi\u00e7\u00f5es ancestrais que o Jap\u00e3o ainda preserva e que as define como sendo artistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As gueixas caracterizam-se pela utiliza\u00e7\u00e3o de indument\u00e1ria requintada e distinta, bem como o uso de um determinado tipo de maquilhagem espec\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-21816 size-full\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1-9.jpg\" alt=\"1\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1-9.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1-9-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Contrariamente ao que se julga, a gueixa na cultura oriental n\u00e3o corresponde a uma mulher de m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o (prostituta), pelo que esta ideia errada surgiu por parte da cultura ocidental. O papel da gueixa na sociedade japonesa \u00e9 de import\u00e2ncia cultural, simb\u00f3lica, associada aos costumes japoneses que continuam bem enraizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Uma aprendiz de gueixa, sim porque tamb\u00e9m as h\u00e1, s\u00e3o designadas de <em>maiko<\/em> (\u821e\u5b50 \/ \u821e\u5993) que s\u00e3o pequenas dan\u00e7arinas ou ent\u00e3o <em>hangyuku<\/em> (\u534a\u7389) que significa meia-j\u00f3ia, pela simples raz\u00e3o de n\u00e3o receberem o sal\u00e1rio completo como o de uma gueixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Segundo os ditos populares, as gueixas habitam uma realidade paralela, diferente da que existe no dia-a-dia (<em>kary\u016bkai<\/em>), pelo facto de emanarem uma presen\u00e7a subtil, cheia de gra\u00e7a, for\u00e7a, mas tamb\u00e9m fr\u00e1gil, como a de uma flor.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">Mas afinal, qual \u00e9 o papel da gueixa e os seus segredos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">De facto, a hist\u00f3ria \u00e9 bem mais remota, do que possamos eventualmente imaginar. Ao vasculharmos a hist\u00f3ria ancestral japonesa, descobrimos que na sociedade existiam artistas femininas, as <em>saburuko<\/em> (raparigas que servem), e que n\u00e3o tinham vida nem destino certo, por se tratarem de filhas de fam\u00edlias que tinham sido obrigatoriamente deslocadas, em consequ\u00eancia das lutas desencadeadas durante o s\u00e9culo VII. Algumas infelizmente tinham que vender o corpo em servi\u00e7os sexuais, mas outras, por possu\u00edrem uma educa\u00e7\u00e3o mais esmerada e um n\u00edvel cultural mais elevado, serviam como forma de entretenimento de pessoas de uma alta camada social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A partir da era Heian, por volta de 794, altura em que a Corte Imperial se fixa em Kyoto, os mist\u00e9rios e o que entendemos pelo papel cultural da gueixa na sociedade come\u00e7am de facto a estabelecer-se e a acentuar-se.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Conv\u00e9m explicar que o papel ideal de uma mulher na sociedade japonesa, era o conceito de boa m\u00e3e e de boa esposa, modesta e recata, preocupada com o bem-estar do lar e de toda a fam\u00edlia. Os prazeres da carne eram explorados fora do ambiente familiar, nos bra\u00e7os de cortes\u00e3s licenciadas, as <em>yujo<\/em>, que se podiam encontrar em locais espec\u00edficos, os <em>y\u016bkaku<\/em> (\u6e38\u5ed3, \u6e38\u90ed), constru\u00eddos durante o s\u00e9culo XVI, bairros pr\u00f3prios para tal e que fora dos quais, tornar-se-iam situa\u00e7\u00f5es il\u00edcitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As <em>yujo<\/em> correspondem a uma esp\u00e9cie de antepassadas das gueixas,&nbsp;que al\u00e9m de mulheres de m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m exerciam a atividade de atriz, realizando dan\u00e7as er\u00f3ticas (<em>kabuki<\/em>), arte intitulada de <em>kabuku<\/em>, uma arte selvagem, provocante e depravada, sendo estas as \u00fanicas reconhecidas para a fun\u00e7\u00e3o sexual. As <em>oiran <\/em>surgem durante o per\u00edodo Edo e consistem em cortes\u00e3s de elevado estatuto, embora em algumas situa\u00e7\u00f5es pudessem ter uma forma\u00e7\u00e3o ainda mais r\u00edgida por forma a estarem aptas para atuarem na frente do Imperador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Mas estes locais destinados inicialmente ao prazer e \u00e0 luxuria, rapidamente dariam lugar a outras componentes mais diversificadas e que por sinal davam ao ambiente um ar mais requintado, preenchido atrav\u00e9s da utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais, canto e dan\u00e7a, sendo algumas gueixas primitivamente at\u00e9 homens disfar\u00e7ados que entretinham os clientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As gueixas, pessoas do sexo feminino, tal como as conhecemos atualmente, prov\u00eam inicialmente das <em>odoriko<\/em> (dan\u00e7arinas adolescentes) e estas durante os finais do s\u00e9culo XVII, atuavam em casas de particulares de elevado estatuto social, os samurais, acabando no s\u00e9culo XVIII por se transformarem em mulheres de m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o (prostitutas), e adotando o nome de gueixa, essencialmente as que j\u00e1 n\u00e3o eram adolescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-21814 size-full aligncenter\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3-7.jpg\" alt=\"3\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3-7.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3-7-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As gueixas do sexo feminino passaram a ser grandemente populares durante o s\u00e9culo XVIII, muitas delas somente como artistas e trabalhando por vezes nos mesmos locais que as do sexo masculino. Com o passar do tempo a ocupa\u00e7\u00e3o de gueixa passou a ser considerada apenas feminina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Com o desencadear da Segunda Guerra Mundial, todo um mundo associado \u00e0 cultura gueixa, desde casas de ch\u00e1, bares e outros estabelecimentos semelhantes, acabaram obrigatoriamente por ser encerrados, e todos os funcion\u00e1rios que trabalhavam nestes lugares tiveram que se dedicar a outro tipo de fun\u00e7\u00f5es, essencialmente fabris, ligadas diretamente ao esfor\u00e7o de guerra. \u00c9 precisamente durante este per\u00edodo que o termo gueixa ganha de facto a conota\u00e7\u00e3o espec\u00edfica de mulher de m\u00e1 reputa\u00e7\u00e3o (prostituta), por parte dos oficiais e militares americanos. Por\u00e9m, as que retomaram esta vida fizeram-no enquanto artistas, recusando totalmente o t\u00edtulo err\u00f3neo que tinham recebido por parte do mundo ocidental, pois o conceito de gueixa e a sua cultura foi implementada ainda durante as ra\u00edzes feudais japonesas em vigor na sociedade e era precisamente essa a verdadeira ideia que devia ser transmitida a todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As pessoas do sexo feminino preparavam-se para serem gueixas, muito cedo, por volta dos 3, 5 e 9 anos de idade, embora com a proibi\u00e7\u00e3o do trabalho infantil esta pr\u00e1tica tenha desaparecido durante os anos 50 do s\u00e9culo XX. Contudo, em alguns casos, se as gueixas tivessem filhas (<em>okyia<\/em>), estas estavam diretamente ligadas \u00e0s suas casas, ficando conhecidas por <em>hangyoku<\/em> e eram sem d\u00favida consideradas as sucessoras (<em>atotori<\/em>) das gueixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Havia um determinado per\u00edodo de treinamento e uma gueixa quando come\u00e7ava a sua atividade n\u00e3o tinha que ser obrigatoriamente enquanto <em>maiko<\/em>, podendo imediatamente se tornar uma gueixa, todavia, para ambas as situa\u00e7\u00f5es, havia um tempo de aperfei\u00e7oamento e que durava em m\u00e9dia um ano. Dependendo das cidades, de Kyoto para T\u00f3quio, as <em>maiko<\/em> tornava-se aprendizes entre os 18 e os 15 anos respetivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto uma <em>shikomi<\/em> \u00e9 considerada uma serva, as <em>minarai<\/em> s\u00e3o aprendizes que observam a arte de ser uma verdadeira gueixa, estando dependentes de uma pessoa mais velha, reconhecida por <em>onee-san<\/em> (irm\u00e3 mais velha) que lhes aconselhava e orientava nos ensinamentos e comportamentos adequados que uma gueixa devia ter e mostrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As <em>minarai<\/em> podem ainda ser requisitadas para festas, e geralmente trabalham em casas de ch\u00e1 (<em>minarai-jaya<\/em>), e aprendem todas as t\u00e9cnicas necess\u00e1rias (conversa e entretenimento) atrav\u00e9s da <em>okaa-san<\/em> (uma esp\u00e9cie de m\u00e3e e propriet\u00e1ria do estabelecimento).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Por outro lado, uma <em>maiko<\/em> (aquela que dan\u00e7a), era tamb\u00e9m uma aprendiz que recebia um ensinamento ao n\u00edvel das artes formais, que era efetuado em escolas espec\u00edficas; nas pr\u00f3prias casas de ch\u00e1, seguindo sempre a sua <em>onee-san<\/em>; e por \u00faltimo o comportamento social, no dia-a-dia atrav\u00e9s de sauda\u00e7\u00f5es, oferendas e visitas a qualquer local japon\u00eas de import\u00e2ncia social, um conjunto de regras de aprendizagem essenciais para o seu sucesso enquanto futuras gueixas. As <em>maiko<\/em> s\u00e3o inclusive encaradas como um fator &nbsp;lascivo, mas de grande atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, tornando-se verdadeiras gueixas numa cerim\u00f3nia pr\u00f3pria, a <em>eriage<\/em>, quando completavam os 20 ou 22 anos de idade. Estas ainda estavam sujeitas a uma outra cerim\u00f3nia, a <em>mizuage<\/em>, em que um homem pagava para ter rela\u00e7\u00f5es sexuais com uma <em>maiko<\/em>, dando assim in\u00edcio \u00e0 sua maioridade e independ\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A arte que as gueixas aprendem baseia-se no canto e dan\u00e7a que \u00e9 assimilado quando ainda s\u00e3o imensamente jovens. A evolu\u00e7\u00e3o das dan\u00e7as (kabuki-dan\u00e7a selvagem), tornou-se mais delicada e graciosa, com uma elevada carga de disciplina (Tai Chi). Cada dan\u00e7a conta uma determinada hist\u00f3ria, contendo uma certa simbologia, que s\u00f3 alguns conseguem realmente compreender. As dan\u00e7as s\u00e3o acompanhadas de m\u00fasica tradicional, onde se utilizam instrumentos como o <em>shamisen<\/em> (esp\u00e9cie de banjo com tr\u00eas cordas e tocado por uma palheta) e que por vezes pode ser acompanhado por uma flauta. Al\u00e9m destes dois instrumentos tamb\u00e9m se aprendia a tocar o <em>ko-tsuzumi<\/em> (pequeno tambor de ombro em formato de ampulheta) e o <em>taiko<\/em> (tambor de ch\u00e3o). Algumas eram escritoras, compondo m\u00fasicas tristes e nost\u00e1lgicas, enquanto outras tamb\u00e9m se dedicavam \u00e0 pintura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um universo cheio de complexidade, mas onde a arte e as t\u00e9cnicas da gra\u00e7a e da subtileza conviviam harmoniosamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Outro dos grandes pormenores que n\u00e3o podia faltar na cultura gueixa \u00e9 precisamente a apar\u00eancia, a indument\u00e1ria e a maquilhagem utilizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-21815 size-full\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2-7.jpg\" alt=\"2\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2-7.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2-7-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A apar\u00eancia de uma gueixa muda drasticamente com o avan\u00e7ar dos tempos, passando de uma jovem aprendiz para uma gueixa completa. Todo um conjunto de elementos, desde os penteados usados, at\u00e9 ao comprimento das sobrancelhas, significa a mudan\u00e7a de idade e a aquisi\u00e7\u00e3o de maturidade ao longo dos anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A maquilhagem \u00e9 aplicada de acordo com o grau de experi\u00eancia que se tem e \u00e9 usada por todo o rosto, cobrindo este de branco, sendo aplicada somente quando se exercia algum n\u00famero de dan\u00e7a ou para chamar a aten\u00e7\u00e3o de algum cliente. O tempo de aplica\u00e7\u00e3o dura cerca de duas horas, efetuado com o m\u00ednimo cuidado, de forma a n\u00e3o se cometer erros e de uma forma geral era aplicada pela sua <em>onee-san<\/em> ou at\u00e9 pela sua <em>okaa-san<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As jovens (<em>maiko<\/em>) usam apenas um p\u00f3 branco (<i>oshiroi<\/i>) que cobre o rosto, pesco\u00e7o e peito, deixando algumas \u00e1reas a neutro, por forma a salientar em parte o erotismo do corpo feminino. As bochechas eram retocadas com um p\u00f3 rosa escuro e os olhos a vermelho, mudando de acordo com a idade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A indument\u00e1ria base \u00e9 sempre o <em>kimono<\/em>, por\u00e9m as <em>maiko<\/em> usavam um <em>kimono<\/em> extremamente colorido composto por um <em>obi<\/em> exc\u00eantrico, dando assim um ar ex\u00f3tico, por\u00e9m a forma de o colocar varia de Kyoto para T\u00f3quio; este <em>kimono<\/em> \u00e9 completado com o uso de mangas com bolsos (<em>furi<\/em>) e que pode variar tamb\u00e9m de acordo com o evento em que esta participa, bem como a pr\u00f3pria \u00e9poca do ano. O <em>kimono<\/em> forrado usa-se durante o Inverno e o <em>kimono<\/em> sem forro durante o Ver\u00e3o, alternando assim entre esta\u00e7\u00f5es frias e quentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Enquanto uma gueixa veste vermelho ou rosa <em>nagajuban<\/em>, a <em>maiko <\/em>usa as cores branca e vermelha com motivos padronizados impressos. O colarinho desta \u00e9 tamb\u00e9m \u00e0 base dos tons branco e vermelho ou prata e ouro, sofrendo altera\u00e7\u00f5es quando esta atinge a idade de 20 anos, em que o colarinho passa a ser branco. A gueixa usa ainda uma sand\u00e1lia apertada (<em>zori<\/em>) e dentro de casa utiliza o <em>tabi<\/em>, podendo em outras ocasi\u00f5es usar os c\u00e9lebres tamancos de madeira (<em>geta<\/em>), enquanto as <em>maiko<\/em> usam um tamanco espec\u00edfico, o <em>okobo<\/em>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O penteado tamb\u00e9m foi sofrendo altera\u00e7\u00f5es ao longo do tempo, mudando de era para era, em que a partir do s\u00e9culo XVII o cabelo das gueixas deixa igualmente de ser curto, para se tornar mais comprido, e \u00e9 precisamente nesta altura que surge o t\u00edpico <em>shimada <\/em>(<em>shimada taka <\/em>usado por mulheres solteiras<em>; shimada tsubushi <\/em>usado por mulheres mais velhas<em>; uiwata <\/em>usado pelas<em> maiko<\/em>). No entanto, poderiam ser aplicados outros g\u00e9neros de penteados, pois o penteado de uma gueixa mudava todas as semanas e era levado muito a s\u00e9rio, sendo elaborado com muita perfei\u00e7\u00e3o e enriquecido com a coloca\u00e7\u00e3o de pentes e grampos, mas que com o passar do tempo tem o grave problema de poder causar a calv\u00edcie no meio da cabe\u00e7a. Importa salientar que na atualidade existem gueixas que preferem usar perucas enquanto as <em>maiko<\/em> utilizam o seu pr\u00f3prio cabelo natural.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">As gueixas de uma forma geral devem ser solteiras, pois as que realmente pretendessem constituir fam\u00edlia, teriam obrigatoriamente que se retirar desta profiss\u00e3o. Atualmente j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 muito comum, mas no passado uma gueixa estabelecida, geralmente escolhia um patrono, um benfeitor (<em>danna<\/em>), que era um homem geralmente rico que ajudava a custear o seu treinamento e aperfei\u00e7oamento enquanto gueixa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Um mundo de mist\u00e9rios e segredos, muitos deles talvez n\u00e3o os consigamos entender, mas tratam-se de escolhas de vida, e que continuam a servir de modelo de inspira\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica, como \u00e9 exemplo disso \u201cMem\u00f3rias de uma Gueixa\u201d um romance de 1997, da autoria de Arthur Golden, levado ao cinema e que foi baseado na obra \u201cGeisha of Gion\u201d de Mineko Iwasaki.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Desta forma, conseguimos compreender que a vida de uma gueixa n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil, nem simples, por vezes subjugadas ao poder masculino, em que o ar er\u00f3tico e sensual se confunde com a graciosidade e a delicadeza, em que a m\u00e1scara da representa\u00e7\u00e3o \u00e9 conjugada com uma pose teatral, que \u00e9 mantida sempre at\u00e9 ao fim, obrigadas a seguir um conjunto de regras e t\u00e9cnicas de aprendizagem de forma a poderem ter \u00eaxito nesta vida que pretendem ou s\u00e3o obrigadas a seguir, ao mesmo tempo que a perfei\u00e7\u00e3o da arte em causa, \u00e9 de todo essencial para a sua pr\u00f3pria reputa\u00e7\u00e3o e sobreviv\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Assim sendo, a vida cultural de uma gueixa consiste de facto num dos grandes e fascinantes s\u00edmbolos dos costumes e da cultura japonesa, que comunga ao mesmo tempo com a modernidade dos tempos, um Jap\u00e3o antigo, ancestral e tradicional em harmonia com um Jap\u00e3o din\u00e2mico e tecnol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Escrito por: Mia Mattos<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As gueixas, conhecidas tamb\u00e9m por geiko (\u82b8\u5b50) ou gueigi (\u82b8\u5993) s\u00e3o mulheres de origem japonesa que se dedicaram ao estudo milenar do canto, dan\u00e7a, e arte, consistindo num dos exemplos&nbsp;[ &hellip; ]<\/p>\n","protected":false},"author":70,"featured_media":21816,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1283,10,2773,7],"tags":[5114,5111,1609,5112,3082,5113],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21808"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/users\/70"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21808"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21808\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27805,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21808\/revisions\/27805"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21816"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}