{"id":7701,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7701"},"modified":"2001-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2001-01-01T00:00:00","slug":"ima-sokoni-iru-boku","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/anime\/ima-sokoni-iru-boku\/","title":{"rendered":"Ima, Sokoni Iru Boku"},"content":{"rendered":"<p><split><\/p>\n<p>Quantas vezes, na anima&ccedil;&atilde;o, o hero&iacute;smo em tempo de guerra &eacute;-nos oferecido por retratos de her&oacute;is que, apesar de confrontados com obst&aacute;culos aparentemente inultrapass&aacute;veis, acabam inevitavelmente por superar todas as dificuldades e surgir triunfantes com o pr&eacute;mio, a mi&uacute;da e a contribui&ccedil;&atilde;o para um futuro melhor? E quantas vezes se passa por cima do sacrif&iacute;cio, dor e crueldade que tantas vezes permeiam esses actos? Quando uma obra se declara como escapista, &eacute; quase inevit&aacute;vel que tome todas essas liberdades para se tornar mais agrad&aacute;vel para quem a assiste. Mas a guerra, no seu pior, &eacute; uma aberra&ccedil;&atilde;o cruel, sangrenta e saturada do sofrimento de quem nela se v&ecirc; envolvido. Por&eacute;m, ainda assim, podem existir her&oacute;is.<\/p>\n<p>Com uma sobriedade que despe a guerra de toda a gl&oacute;ria que lhe possa ser atribu&iacute;da, &#8220;Ima, Sokoni Iru Boku&#8221; &eacute; uma s&eacute;rie de 13 epis&oacute;dios que mostra que mesmo em meio &agrave; feiura do massacre, existe espa&ccedil;o para o hero&iacute;smo &#8211; mas n&atilde;o sem dor, n&atilde;o sem morte, n&atilde;o sem sacrif&iacute;cio. Produzida pelos est&uacute;dios AIC\/Pioneer em 1999 e lan&ccedil;ada em Fran&ccedil;a com o nome &#8220;L&#8217;Autre Monde&#8221; e nos Estados Unidos sob o t&iacute;tulo &#8220;Now and Then, Here and There&#8221;, esta obra &eacute; brutalmente honesta e realista no retrato que faz de uma guerra num mundo alternativo. Por&eacute;m, apesar da sua mensagem poderosa e de um forte conjunto de qualidades art&iacute;sticas, a s&eacute;rie n&atilde;o atingiu qualquer notoriedade no Jap&atilde;o ou no Ocidente. Depois de assistir &agrave; sua totalidade, n&atilde;o &eacute; dif&iacute;cil perceber porqu&ecirc;.<\/p>\n<p>Matsutani Shuzo (Shu para os amigos), &eacute; um jovem japon&ecirc;s como tantos outros, mpulsivo e teimoso, vivendo numa sociedade relativamente pac&iacute;fica. Um dia, ele v&ecirc; algu&eacute;m sentado no topo de uma chamin&eacute; de uma f&aacute;brica abandonada. Trepando para a alcan&ccedil;ar, ele vislumbra uma jovem estranha contemplando o p&ocirc;r do sol. &Eacute; assim que Shu conhece Lala Ru.<\/p>\n<p>Mas o momento de paz &eacute; interrompido por engenhos de guerra que surgem do nada para capturar Lara Ru. Shu &eacute; apanhado na confus&atilde;o, e ao tentar ajudar a jovem, &eacute; levado para um outro mundo, sendo capturado e aprisionado. Este &eacute; o mundo de Hellywood, uma gigantesca fortaleza m&oacute;vel comandada pelo louco Rei Hamdo, auxiliado pelo seu bra&ccedil;o direito, a fria Abelia. &Eacute; um mundo in&oacute;spito, onde a &aacute;gua &eacute; um bem precioso, e tudo o que separa Hellywood da domina&ccedil;&atilde;o total &eacute; &aacute;gua para alimentar os seus motores. E Lala Ru &eacute; exactamente o ingrediente que falta, pois al&eacute;m do seu poder de manipula&ccedil;&atilde;o h&iacute;drica, possui um pendente de onde pode fazer jorrar quantidades ilimitadas de &aacute;gua. Shu &eacute; obrigado a juntar-se ao ex&eacute;rcito de Hellywood, composto das gentes raptadas das aldeias indefesas das redondezas. Mas a sua teimosia &eacute; sobrestimada pelos que o rodeiam: ele n&atilde;o desistir&aacute; de salvar Lala Ru e fugir do mundo infernal onde foi parar. Nem ao custo da pr&oacute;pria vida.<\/p>\n<p>Apesar de aparentemente recheado de clich&eacute;s (a menina com o pendente m&aacute;gico, o transporte para o outro mundo), &#8220;Ima, Sokoni Iru Boku&#8221; &eacute; tudo menos um estere&oacute;tipo de s&eacute;rie de aventuras. Isto por causa do tratamento que &eacute; dado ao conflito que reina no mundo in&oacute;spito que lhe serve de cen&aacute;rio, uma guerra alimentada pela loucura de um Rei paran&oacute;ico, na posse da arma mais poderosa do planeta. O ex&eacute;rcito de Hellywood &eacute; uma am&aacute;lgama das v&iacute;timas da pr&oacute;pria fortaleza, seduzidas pela miragem de voltarem &agrave;s suas vidas anteriores, uma vis&atilde;o depressa destru&iacute;da pela participa&ccedil;&atilde;o nos horrores de uma guerra aparentemente intermin&aacute;vel. &Eacute; dado grande destaque &agrave; viv&ecirc;ncia do ex&eacute;rcito de Hellywood, pelos olhos de 3 soldados com os quais Shu trava conhecimento: Nabuka, endurecido pelas batalhas travadas, Buu, cuja tenra idade poupou-o ao sacrif&iacute;cio da sua inoc&ecirc;ncia, e Taburu, com sede de poder e embriagado pela pot&ecirc;ncia destrutiva. Eles representam 3 facetas diferentes de um conflito em que nem as crian&ccedil;as s&atilde;o dispensadas de servir como soldados, mas onde as mulheres servem apenas como objecto reprodutivo e sexual. O expoente desta vitimiza&ccedil;&atilde;o est&aacute; em Sara, uma jovem do nosso mundo que foi confundida com Lala Ru e capturada, para depois do engano constatado, servir como &#8220;objecto de entretenimento&#8221; dos soldados de Hellywood. &Eacute; assim t&atilde;o brutal, assim t&atilde;o crua, a representa&ccedil;&atilde;o da guerra em &#8220;Ima, Sokoni Iru Boku&#8221;.<\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>A AIC\/Pioneer podia ter afogado a mensagem poderosa desta obra num del&iacute;rio audio-visual, mas n&atilde;o o fez. Os designs de personagens s&atilde;o extremamente s&oacute;brios, e at&eacute; mesmo minimalistas, apesar da anima&ccedil;&atilde;o ser competente. Nesta s&eacute;rie n&atilde;o existem grandes efeitos especiais, e o cen&aacute;rio desolado n&atilde;o se oferece a vistas espectaculares. Isso poder&aacute; desde logar desincentivar alguns potenciais espectadores, mas acho que se pode pedir alguma paci&ecirc;ncia mais a um f&atilde; de anime, t&atilde;o habituado a ter que esperar para obter o que quer. E o que se quer, aqui, &eacute; a hist&oacute;ria, e n&atilde;o desenhos bonitos. Toda a s&eacute;rie tem um look mais associado ao final dos anos 80 do que ao dos anos 90, mas uma vez habituado o espectador, ele n&atilde;o deixar&aacute; que isso se interponha entre ele e a experi&ecirc;ncia de visualiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A m&uacute;sica n&atilde;o &eacute; brilhante, fazendo igualmente pensar nos idos da d&eacute;cada de 80, e seria bem mais adequado um acompanhamento sinf&oacute;nico. Apesar disso, torna-se &oacute;bvio que o conte&uacute;do da s&eacute;rie &eacute; apropriado a fazer brilhar os seus actores de voz. Okamura Akemi (Mirandah em &#8220;Battle Athletes&#8221;) oferece um entusiasmo e teimosia surpreendentes a Shu, fazendo-nos acreditar que ele far&aacute; o que f&ocirc;r preciso para salvar Lala Ru, a quem Nazuka Kaori (Subaru em &#8220;.Hack\/\/Sign&#8221;) transmite uma suprema melancolia na voz. Ishii Kouji (Kimura em &#8220;Azumanga Daioh&#8221;, Mitsukake em &#8220;Fushigi Yuugi&#8221;) &eacute; exuberante no papel do Rei Hamdo, e fazendo sobressaltar a sua obsess&atilde;o com Abelia, interpretada com sobriedade extrema por Yasuhara Reiko. Tamb&eacute;m de destacar s&atilde;o os trabalhos de Konishi Hiroko (Nene em &#8220;BGC: Tokyo 2040&#8221;, Sae em &#8220;Mahou Tsukai Tai!&#8221;) como o pequeno Boo, Imai Yuka (Wakaba em &#8220;Shoujo Kakumei Utena&#8221;, Futaba em &#8220;Puni Puni Poemi&#8221;, Otaru em &#8220;Saber Marionette&#8221;) como o severo Nabuka, Suyama Akio (Ohgami em &#8220;Sakura Taisen&#8221;) como o inescrupuloso Taburo e Nakao Azusa como a m&aacute;rtir Sara.<\/p>\n<p>Num mercado saturado de alternativas escapistas, &#8220;Ima, Sokoni Iru Boku&#8221; &eacute; um verdadeiro balde de &aacute;gua fria que vai de todo contra aquilo que as massas querem ver. Apesar de n&atilde;o t&atilde;o pessimista e melodram&aacute;tico, &eacute; infinitamente mais brutal e cru do que o &uacute;nico t&iacute;tulo recente que se lhe pode comparar, o excelente &#8220;Saishuu-Heiki Kanojo&#8221;. Infelizmente, uma s&eacute;rie como esta nunca poderia obter grande notoriedade junto dos f&atilde;s no contexto actual da anima&ccedil;&atilde;o japonesa, simplesmente pelo facto de sacrificar grande parte da sua complexidade art&iacute;stica e actualidade t&eacute;cnica em nome do conte&uacute;do e mensagem.<br \/>Merc&ecirc; da sua honestidade, nunca ser&aacute; popular, mas sempre ser&aacute; lembrada por<br \/>quem a viu.<\/p>\n<p>&#8220;Ima, Sokoni Iru Boku&#8221; n&atilde;o &eacute; para todos, mas &eacute; uma s&eacute;rie de uma qualidade incr&iacute;vel que n&atilde;o desiludir&aacute; quem a assistir com uma disposi&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria e uma toler&acirc;ncia consider&aacute;vel a crueldade do pior g&eacute;nero. Recomendado a quem quer ver em anime um meio para a transmiss&atilde;o de algo mais do que escapismo, fazendo tamb&eacute;m passar as mensagens que importam.<br \/><split><br \/><b>Autor:Jo&atilde;o Rocha<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantas vezes, na anima&ccedil;&atilde;o, o hero&iacute;smo em tempo de guerra &eacute;-nos oferecido por retratos de her&oacute;is que, apesar de confrontados com obst&aacute;culos aparentemente inultrapass&aacute;veis, acabam inevitavelmente por superar todas as&nbsp;[ &hellip; ]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,1283],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7701"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7701"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7701\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7701"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}