{"id":7706,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7706"},"modified":"2001-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2001-01-01T00:00:00","slug":"saint-seiya-hades-chapter-santuary","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/anime\/saint-seiya-hades-chapter-santuary\/","title":{"rendered":"Saint Seiya Hades Chapter: Santuary"},"content":{"rendered":"<p><split><\/p>\n<p>Saint Seiya &eacute;, incontornavelmente, um dos animes mais famosos do Mundo. O seu papel na divulga&ccedil;&atilde;o do que &eacute; o anime por esse planeta fora, se considerarmos as camadas mais jovens, encontra par somente em Dragon Ball Z, Tsubasa ou talvez Sailor Moon.<\/p>\n<p>Exibido primeiramente no Ocidente em Fran&ccedil;a com o c&eacute;lebre nome de Chevaliers du Zodiac, logo se expandiu para v&aacute;rios pa&iacute;ses como It&aacute;lia e Espanha, indo daqui para toda a Am&eacute;rica Latina, onde ainda hoje se encontram os f&atilde;s mais &#8220;hard core&#8221; da s&eacute;rie. Em Portugal, para quem se lembra, foi exibido em por volta de 1992\/93 na RTP 1 (Cavaleiros do Zod&iacute;aco), sem gen&eacute;rico de abertura nem final, e com as vozes originais em japon&ecirc;s. Para mim, que j&aacute; na altura adorava mitologia, pareceu-me o conceito mais incr&iacute;vel j&aacute; inventado: jovens &oacute;rf&atilde;os recrutados por uma gigantesca corpora&ccedil;&atilde;o (entre os quais Seiya, o protagonista) para serem mandados para terras distantes, onde deveriam despertar o seu poder interior, o &laquo;Cosmos&raquo;, e ganhar assim armaduras de bronze com o nome (e forma) de figuras mitol&oacute;gicas. Finalmente, baterem-se em torneio por um pr&eacute;mio singular, a &laquo;Armadura de Ouro&raquo;. <\/p>\n<p>J&aacute; ouvi falar em press&atilde;o por parte de associa&ccedil;&otilde;es de pais; nunca tive a certeza. A verdade &eacute; que na altura em que o seu &ecirc;xito (assim como a trama) pareciam atingir o auge, a s&eacute;rie foi cancelada. Anos mais tarde seria transmitida na SIC e depois na SIC Sempre Gold, desta vez dobrada na nossa l&iacute;ngua. Para quem viu o original, n&atilde;o &eacute; a mesma coisa&#8230; Mas foi de facto exibida na sua &iacute;ntegra at&eacute; &agrave; &uacute;ltima das Sagas. A &uacute;ltima?<\/p>\n<p>A verdade &eacute; que Saint Seiya foi um &ecirc;xito para todos os que se envolveram com a s&eacute;rie: Masami Kurumada, o autor do manga, ganhou definitivamente o estrelato com a sua inven&ccedil;&atilde;o; a Shonen Jump vendeu que se fartou; a TOEI fez muito lucro com a adapta&ccedil;&atilde;o para anime, e a BANDAI fez action figures que ainda hoje t&ecirc;m procura&#8230; ainda assim, por motivos n&atilde;o definitivamente esclarecidos, a &uacute;ltima das Sagas no manga, a Saga de Hades, nunca foi adaptada para anime.<\/p>\n<p>Falou-se em realiz&aacute;-la em filme (a hist&oacute;ria de Seiya deu origem a 4 filmes) mas nunca se concretizou. Hades, o Deus das Trevas. Hades, o verdadeiro inimigo da protectora da Terra, Atena. Hades, condenado a ficar exclusivamente em manga&#8230;<br \/>A s&eacute;rie tinha uma base de f&atilde;s que aprenderam bem demais com Seiya e demais Santos Cavaleiros o que era a teimosia para que isto permanecesse assim; e logo se desenvolveram campanhas menores, sobretudo na Am&eacute;rica Latina, para convencer a TOEI a adaptar Hades para anime.<\/p>\n<p>De longe o esfor&ccedil;o mais not&aacute;vel, por&eacute;m, veio de Fran&ccedil;a: um jovem artista de nome J&eacute;r&ocirc;me Alqui&eacute; incorporou com impressionante fidelidade o estilo do character designer do anime, Shingo Araki, e fez um trailer (sim, uma sequ&ecirc;ncia de anime, com uma &laquo;proposta&raquo; de gen&eacute;rico incluida!) para Hades, com o Dead or Dead e tudo (ver abaixo) que foi exibido numa conven&ccedil;&atilde;o de anime em Fran&ccedil;a, em 27 de Abril de 2001. Araki e Alqui&eacute; viriam a encontrar-se e mais press&atilde;o foi feita sobre a TOEI. <\/p>\n<p>Finalmente, para del&iacute;rio dos entusiastas que nunca perderam a f&eacute;, no final de 2002 a TOEI anuncia que est&atilde;o a ser preparadas OVAs de Saint Seiya sobre o cap&iacute;tulo &laquo;Hades&raquo;, 16 anos depois do primeiro epis&oacute;dio de Seiya ser transmitido no Jap&atilde;o. Ainda corriam boatos e j&aacute; os webmasters limpavam o p&oacute; aos velhinhos sites, h&aacute; muito n&atilde;o actualizados&#8230; Seriam, primeiramente, 13 OVAs, que abordavam a primeira parte da Saga, que se passa na Terra. E efectivamente foi exibida a primeira, no dia hist&oacute;rico de 9 de Novembro de 2002. Mas conseguiriam estar &agrave; altura das expectativas dos f&atilde;s, ap&oacute;s tantos anos?<\/p>\n<p>Consideremos o enredo. Primeiro que tudo, &eacute; preciso n&atilde;o esquecer que independentemente do nome, estas OVAs s&atilde;o como epis&oacute;dios, se bem que extremamente elaborados. O enredo (plot, se preferirem) &eacute; basicamente o mesmo do que j&aacute; se conhecia do manga, o que &eacute; um dos grandes trunfos de Hades sobre as restantes Sagas que se seguiram &agrave; do Santu&aacute;rio (nota: &agrave; parte de &laquo;Hades&raquo; que j&aacute; foi exibida e que se passa na Terra tamb&eacute;m se chama &laquo;Hades: Sanctuary Chapter&raquo;, mas aqui refiro-me &agrave; primeira das Sagas).<\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>Na verdade, enquanto estas consistiam em enviar os her&oacute;is para novos locais, enfrentando novos inimigos, na primeira parte de Hades, pelo contr&aacute;rio, a sua miss&atilde;o &eacute; fazer aquilo para que originalmente foram treinados: proteger o pr&oacute;prio Santu&aacute;rio das for&ccedil;as invasoras. Os inimigos, tamb&eacute;m, s&atilde;o bastante familiares, o que permite desvendar mais ainda sobre o seu passado e o que tem vindo a ocorrer na eterna batalha contra Hades, h&aacute; muitas gera&ccedil;&otilde;es. Na adapta&ccedil;&atilde;o para anime, inevitavelmente acrescentaram-se algumas batalhas novas (como j&aacute; havia sido feito); por&eacute;m curtas, a sua &uacute;nica fun&ccedil;&atilde;o &eacute; dar mais evid&ecirc;ncia aos Santos Cavaleiros de bronze, j&aacute; que o protagonismo, no manga, parece ir quase todo para os seus companheiros das castas mais elevadas (o que, diga-se, contribuiu para o fasc&iacute;nio que Hades sempre exerceu sobre os leitores).<\/p>\n<p>O desenrolar da ac&ccedil;&atilde;o &eacute; ao estilo Seiya (faz-nos ansiar pelo pr&oacute;ximo epis&oacute;dio, em que, ao contr&aacute;rio de Dragon Ball Z, sabemos que vai progredir alguma coisa), a tens&atilde;o &eacute; muito bem trabalhada e os Espectros de Hades, ao contr&aacute;rio dos anteriores inimigos, que quase sempre primavam pelo poder e for&ccedil;a bruta, ganham vantagem pela sua obstina&ccedil;&atilde;o e t&eacute;cnicas de luta insidiosas e trai&ccedil;oeiras.<\/p>\n<p>A arte? N&atilde;o desilude, antes pelo contr&aacute;rio. N&atilde;o podia ser de outra maneira, com Shingo Araki novamente como character designer (desta vez presente em todos os epis&oacute;dios, n&atilde;o s&oacute; alguns). Podemos ent&atilde;o contar com movimentos fluidos e posturas din&acirc;micas mas ao mesmo tempo rostos expressivos e a j&aacute; habitual preocupa&ccedil;&atilde;o com o mais &iacute;nfimo dos pormenores. Ainda assim o computador faz agora a maior parte do trabalho, o que se torna vantajoso nos sombreados e nos reflexos das armaduras; atrevo-me no entanto a denunciar uma certa estiliza&ccedil;&atilde;o exagerada dos rostos, pouco percept&iacute;vel&#8230; consequ&ecirc;ncia do uso do computador, talvez? O mais impressionante no tra&ccedil;o de Araki &eacute; a dificuldade em ser sistematizado, em ser classificado, em ser imitado, porque &eacute; muito livre e, mesmo assim, consegue efeitos espectaculares.<br \/>E esse aspecto, de &laquo;cada desenho ser &uacute;nico&raquo;, j&aacute; n&atilde;o parece t&atilde;o prevalente quando comparamos Hades com, por exemplo, os &uacute;ltimos epis&oacute;dios da anterior Saga em anime. Temos tamb&eacute;m direito a anima&ccedil;&otilde;es 3D que n&atilde;o nos deixam esquecer que cada um destes cap&iacute;tulos &eacute; uma OVA e, por isso, recebeu mais aten&ccedil;&atilde;o que um simples epis&oacute;dio no meio de muitos.<br \/>Est&aacute;tuas de Atena em rota&ccedil;&atilde;o, montanhas a serem derrubadas e vistas de primeira pessoa de personagens a fazerem algo t&atilde;o simples como subirem escadas &agrave; pressa mostram que nem s&oacute; nos momentos mais cr&iacute;ticos em que os personagens queimam o seu Cosmos para desencadearem os ataques mais violentos existem anima&ccedil;&otilde;es computadorizadas (CG graphics). E quanto a estes&#8230; aut&ecirc;nticas obras-primas. Como ver&atilde;o na 6&ordf; OVA, fica mais t&eacute;nue a linha entre Saint Seiya e os efeitos hiperb&oacute;licos de Dragon Ball Z, mas nunca chega a ser atravessada.<\/p>\n<p>Abordemos agora os diversos aspectos de som. A equipa de seyuus (dobradores) n&atilde;o &eacute; a mesma da original (alguns chegaram inclusive a falecer, como o seyuu do Cavaleiro do Carneiro), mas &eacute; muito competente. Talvez seja da dobragem portuguesa, mas ainda n&atilde;o vejo o Shiryu com voz mais grossa que o Ikki&#8230; Os efeitos sonoros est&atilde;o &agrave; altura, desde a mir&iacute;ade de explos&otilde;es ao som m&oacute;rbido das encostas do Yomotsu (Po&ccedil;o do Inferno, na vers&atilde;o portuguesa) passando pelos mantras budistas na Casa de Virgem. Por fim, as m&uacute;sicas&#8230; &eacute; preciso dizer que j&aacute; saiu no Jap&atilde;o o single com a nova m&uacute;sica de Saint Seiya, elevando para talvez mais de trinta os &aacute;lbuns j&aacute; editados. Suspeito que &eacute; um recorde&#8230; algu&eacute;m confirma?<\/p>\n<p>A verdade &eacute; que a m&uacute;sica de Seiya sempre foi de primeira qualidade, agradando a muitos, desagradando a poucos, e sempre com um ritmo espectacular e apropriado &agrave; cena em quest&atilde;o. Talvez n&atilde;o conhe&ccedil;am pelos nomes, mas os f&atilde;s certamente reconhecer&atilde;o as trombetas iniciais de &laquo;Launch RyuSeiKen&raquo;, a harpa de &laquo;Andromeda Shun, That Fight&raquo; ou a bateria de &laquo;Pegasus Fantasy!&raquo;, temas j&aacute; cl&aacute;ssicos; infelizmente o novo tema do gen&eacute;rico n&atilde;o &eacute; no estilo vibrante dos gen&eacute;ricos anteriores&#8230; que saudades do &laquo;Soldier Dream&raquo;! At&eacute; agora n&atilde;o posso deixar de salientar, no entanto, a m&uacute;sica que se ouve na &eacute;pica OVA 6 enquanto o Cavaleiro da Balan&ccedil;a p&otilde;e a sua armadura e parte para a batalha&#8230; digna de uma Guerra Sagrada. Uma curiosidade: h&aacute; anos foi lan&ccedil;ado um CD chamado &laquo;King of the Underworld&raquo; em cuja capa surgem os her&oacute;is trajando as novas armaduras desta Saga (a capa &eacute; a primeira imagem do lado esquerdo, em cima)&#8230; sem d&uacute;vida uma evid&ecirc;ncia de qu&atilde;o perto se esteve de fazer uma s&eacute;rie sobre a Saga de Hades em anime.<\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>Aparentemente algumas das m&uacute;sicas da&iacute; est&atilde;o nas OVAs, embora n&atilde;o conhe&ccedil;a bem o CD, por isso n&atilde;o o posso confirmar. Conhe&ccedil;o, isso sim, a m&uacute;sica que seria o gen&eacute;rico de Hades caso tivesse sido feito na altura: o fenomenal &laquo;Dead or Dead&raquo;&#8230; garanto, &eacute; uma pena que n&atilde;o esteja incluida nestas OVAs. <\/p>\n<p>No final de tudo isto, o que resta dizer de &laquo;Hades, Chapter: Sanctuary&raquo;? Sobretudo que valeu a pena esperar. Para quem desejou que a hist&oacute;ria de Seiya ficasse verdadeiramente completa (e h&aacute;  j&aacute; quem mencione uma velha ideia de Kurumada, a Saga de Zeus&#8230;), para quem olhou os mangas v&aacute;rias vezes e imaginou como seriam as respectivas cenas, as armaduras, os ataques (a C&oacute;lera dos Cem Drag&otilde;es &eacute; exactamente como imaginei&#8230;) em anime&#8230; &eacute; sem d&uacute;vida um sonho tornado realidade.   Se h&aacute; algu&eacute;m a quem eu definitivamente desaconselho Hades &eacute; para o f&atilde; de shounen que ainda n&atilde;o viu as Sagas anteriores. &Eacute; bem poss&iacute;vel que passe tamb&eacute;m a ser f&atilde; de Seiya, e nesse caso n&atilde;o desfrutar&aacute; convenientemente dos eventos surpreendentes e dos golpes teatrais nelas contidos.<\/p>\n<p>E para o f&atilde; de anime que acha Saint Seiya med&iacute;ocre, que pensa que o pr&oacute;prio Seiya &eacute; um tot&oacute;, que n&atilde;o aprecia g&eacute;nero shounen do melhor&#8230; &eacute; bem poss&iacute;vel que Hades o fa&ccedil;a mudar de ideias. Afinal, mais que um anime, &eacute; a saga da perseveran&ccedil;a de uma comunidade de entusiastas e de como, pelo menos uma vez, a gigante TOEI l&aacute; deu o bra&ccedil;o a torcer aos f&atilde;s de fora do Jap&atilde;o&#8230; ou quase.<\/p>\n<p>Notem que me esforcei por reduzir ao m&aacute;ximo o n&uacute;mero de &#8220;spoilers&#8221; neste texto para n&atilde;o estragar a Saga aqueles que n&atilde;o conhecem (!) Saint Seiya. Se por ventura escapou algum, as minhas desculpas.  At&eacute; ao cap&iacute;tulo seguinte&#8230; no INFERNO!<br \/><split><br \/><b>Autor:GoldPhoenix<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Saint Seiya &eacute;, incontornavelmente, um dos animes mais famosos do Mundo. 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