{"id":7708,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7708"},"modified":"2001-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2001-01-01T00:00:00","slug":"battle-athletes-daiundokai","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/anime\/battle-athletes-daiundokai\/","title":{"rendered":"Battle Athletes Daiundokai"},"content":{"rendered":"<p><split><\/p>\n<p>O mundo da anima&ccedil;&atilde;o japonesa est&aacute; intimamente ligado ao dos video-jogos, sendo o Jap&atilde;o a p&aacute;tria das consolas. Todos os anos s&atilde;o realizadas diversas adapta&ccedil;&otilde;es de t&iacute;tulos de video-jogos para o pequeno (ou grande) ecr&atilde;, com n&iacute;veis de sucesso muito vari&aacute;veis, mas que na sua maioria n&atilde;o trazem grande novidade &agrave; ind&uacute;stria nem grande interesse a quem n&atilde;o tenha sido adepto do software correspondente. Entre estas adapta&ccedil;&otilde;es, contam-se t&iacute;tulos como &#8220;Street Fighter&#8221;, &#8220;Final Fantasy&#8221;, &#8220;Sonic&#8221;, &#8220;Wild Arms&#8221;, e o mais popular de todos: o inef&aacute;vel &#8220;Pok&eacute;mon&#8221;. Por&eacute;m, uma das mais bem conseguidas adapta&ccedil;&otilde;es neste campo foi atingida por um t&iacute;tulo que partiu da obscuridade nas suas origens na consola Sega Saturn, expandindo surpreendentemente e com grande sucesso o conceito inicial: trata-se de &#8220;Battle Athletes Daiundokai&#8221;.<\/p>\n<p>A partir de um jogo desportivo, foi desenvolvido um conceito para uma s&eacute;rie de 6 OAV&#8217;s produzida pelos est&uacute;dios AIC. O sucesso desta simp&aacute;tica s&eacute;rie no Jap&atilde;o fez com que fosse considerada uma nova s&eacute;rie, desta vez televisiva e com 26 epis&oacute;dios. E &eacute; desta s&eacute;rie, a melhor das duas, que trata esta cr&iacute;tica. Realizada em 1998 por Akiyama Katsuhito (&#8220;Bastard!!&#8221;, &#8220;Bubblegum Crisis Tokyo 2040&#8221;) e Ogawa Kazuhiro, &#8220;Battle Athletes Daiundokai&#8221; mostrou definitivamente ao p&uacute;blico o quanto uma s&eacute;rie de anima&ccedil;&atilde;o pode fazer por um conjunto de personagens aparentemente gen&eacute;ricos de um video-jogo obscuro.<\/p>\n<p>No futuro distante, o ser humano atingiu novos m&aacute;ximos na sua perfei&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica. Uma grande parte da popula&ccedil;&atilde;o dedica-se ao apuro das suas potencialidades f&iacute;sicas e ps&iacute;quicas, e neste contexto, &eacute; realizada todos os anos uma grande competi&ccedil;&atilde;o onde atletas de todo o mundo e das col&oacute;nias terrestres competem pelo t&iacute;tulo de &#8220;Cosmo Beauty&#8221;. Kanzaki Akari &eacute; filha de Midoh Tomoe, a mais lend&aacute;ria das detentoras desse trof&eacute;u, e &eacute; uma candidata natural ao t&iacute;tulo. Por&eacute;m, ela fica al&eacute;m de todas as expectativas em rela&ccedil;&atilde;o ao seu desempenho: &eacute; desastrada e chorona, e com um d&eacute;fice inigual&aacute;vel de auto-confian&ccedil;a. S&oacute; a sua companheira de quarto, Yanagida Ichino, parece confiar nas capacidades dela&#8230; Akari ter&aacute; que superar-se se quiser qualificar-se para a competi&ccedil;&atilde;o final pelo t&iacute;tulo de &#8220;Cosmo Beauty&#8221;, mas n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil, quando cada disparate que ela faz a incita a esconder-se dentro de um caixote&#8230;<\/p>\n<p>&#8220;Battle Athletes&#8221; revela as suas origens no elenco de personagens: tal como em qualquer jogo desportivo, existem personagens com origem em diversos pa&iacute;ses, correspondendo a estere&oacute;tipos japoneses dos habitantes de cada na&ccedil;&atilde;o: temos a pr&oacute;pria Akari e Ichino de origem japonesa, sendo que Ichino, como qualquer nativa de Osaka, &eacute; teimosa, directa e grita quando fala. Temos a americana Jessie Gurtland, modelo de individualismo, que nutre uma admira&ccedil;&atilde;o pela m&atilde;e de Akari t&atilde;o grande como a desilus&atilde;o que constitui para ela a pr&oacute;pria Akari; Temos tamb&eacute;m a russa Ayla Roznowsky, fria como o seu pa&iacute;s e disciplinada ao extremo, a africana Tanya Natdypitthad, uma t&iacute;pica &#8220;cat-girl&#8221; en&eacute;rgica e com o cr&acirc;nio cheio de ar, e a chinesa Wong Ling-Pha, interesseira, intrometida, e especialista em ciclismo. Mais tarde, ser-nos-&atilde;o apresentadas a selenita Kris Christopher, possuidora de uma espiritualidade enorme; Anna Respighi, com uma timidez doentia; a mongol Lahrri Feldnunt, uma verdadeira m&aacute;quina de vencer; e a selvagem e vingativa Mylandah Arker Walder. Como se pode ver, &eacute; um elenco quase totalmente feminino, e que se apresta a uma grande dose de estereotipagem e fan-service. Apesar disto, todos os intervenientes s&atilde;o retratados de uma forma t&atilde;o humana no extremismo das suas situa&ccedil;&otilde;es e na sinceridade das emo&ccedil;&otilde;es, que nos &eacute; imposs&iacute;vel reduzi-los a estere&oacute;tipos: &eacute; esta a grande for&ccedil;a de &#8220;Battle Athletes&#8221;. Na paix&atilde;o da competi&ccedil;&atilde;o, o estere&oacute;tipo revela a sua humanidade.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria &eacute; gerida de forma h&aacute;bil ao longo dos 26 epis&oacute;dios e revela-nos uma trama cada vez mais complexa (mas nunca demasiado s&eacute;ria) que nunca seria poss&iacute;vel transmitir num mero video-jogo desportivo, demonstrando assim o poder da anima&ccedil;&atilde;o como complemento &agrave; interactividade oferecida pelo jogo.<br \/>Surpreendentemente para uma fonte de id&eacute;ias t&atilde;o limitadas, as situa&ccedil;&otilde;es s&atilde;o realmente interessantes e cativantes, reveladoras da determina&ccedil;&atilde;o e esp&iacute;rito dos atletas, um assunto que nunca &eacute; abandonado ao longo de toda a s&eacute;rie.<\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>Como qualquer bom her&oacute;i de anime, Akari &eacute; uma pessoa cheia de defeitos, mas que se reencontra quando a ocasi&atilde;o realmente o exige &#8211; e isso n&atilde;o s&oacute; em nome de si pr&oacute;prio, mas tamb&eacute;m em nome das pessoas de quem ela gosta, revelando assim outro aspecto constante na s&eacute;rie: a import&acirc;ncia do trabalho de equipa e o papel da amizade no seu seio.<\/p>\n<p>A anima&ccedil;&atilde;o tem uma qualidade acima da m&eacute;dia para uma s&eacute;rie daquela &eacute;poca, e os designs dos personagens s&atilde;o surpreendentemente apelativos, constituindo uma evolu&ccedil;&atilde;o sobre os do video-jogo. &Eacute; claro que a esse apelo n&atilde;o est&aacute; alheia a abund&acirc;ncia de corpos femininos atl&eacute;ticos cobertos de lycra, mas as espectadoras ter&atilde;o mais que motivos para gostarem da s&eacute;rie, devido ao modelo de for&ccedil;a e determina&ccedil;&atilde;o transmitido pelas personagens femininas. A m&uacute;sica &eacute; bastante bem conseguida, acompanhando com temas de tens&atilde;o, melancolia e gl&oacute;ria os momentos apropriados das competi&ccedil;&otilde;es desportivas, mantendo as emo&ccedil;&otilde;es do espectador em sintonia com o conte&uacute;do da hist&oacute;ria &#8211; isto apesar de n&atilde;o atingir um grande brilho ao longo da s&eacute;rie.<\/p>\n<p>As vozes principais s&atilde;o-nos oferecidas de forma muito profissional por Natsuki Rio (Akari, Linna em &#8220;Bubblegum Crisis Tokyo 2040&#8221;), Hisakawa Aya (Ichino, Kero-chan em &#8220;Card Captor Sakura&#8221;, Ami em &#8220;Sailor Moon&#8221;, Skuld em &#8220;Aa! Megami-sama&#8221;, Yuki em &#8220;Fruits Basket&#8221;), Kawakami Tomoko (Kris, Utena em &#8220;Shoujo Kakumei Utena&#8221;, Hikaru em &#8220;Hikaru no Go&#8221;, Chiriko em &#8220;Fushigi Yuugi&#8221;), Itoh Miki (Jessie, Gally em &#8220;Gunnm&#8221;, A-Ko em &#8220;Project A-Ko&#8221;, C-18 em &#8220;Dragon Ball Z&#8221;, Hokuto em &#8220;Tokyo Babylon&#8221;), Yajima Akiko (Anna, Tsuwabuki em &#8220;Shoujo Kakumei Utena&#8221;), Yamaguchi Yuriko (Lahrri, Ristuko em &#8220;Evangelion&#8221;), entre outras interven&ccedil;&otilde;es admir&aacute;veis.<\/p>\n<p>Al&eacute;m de ser interessante para todos quantos gostaram do video-jogo de origem, &#8220;Battle Athletes Daiundokai&#8221; &eacute; um divertimento de grande qualidade para qualquer f&atilde; de anime, sem para isso recorrer a artif&iacute;cios pseudo-art&iacute;sticos, e utilizando para isso um conjunto de personagens extremamente bem caracterizado. Inspira&ccedil;&atilde;o declarada para todos quanto praticam desporto pode ser encontrada nos epis&oacute;dios da s&eacute;rie, que nos lembra dos valores inerentes &agrave; pr&aacute;tica desportiva e &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o das nossas pessoas.<\/p>\n<p>&#8220;Battle Athletes&#8221; n&atilde;o &eacute; uma obra-prima, mas &eacute; uma pe&ccedil;a de anima&ccedil;&atilde;o muito boa, extremamente agrad&aacute;vel de ver, suscitando emo&ccedil;&otilde;es positivas em quem a acompanha &#8211; e s&oacute; dizer isso j&aacute; &eacute; uma recomenda&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p><split><br \/><b>Autor:Jo&atilde;o Rocha<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo da anima&ccedil;&atilde;o japonesa est&aacute; intimamente ligado ao dos video-jogos, sendo o Jap&atilde;o a p&aacute;tria das consolas. 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