{"id":7713,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7713"},"modified":"2001-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2001-01-01T00:00:00","slug":"lone-wolf-and-cub","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/manga\/lone-wolf-and-cub\/","title":{"rendered":"Lone Wolf and Cub"},"content":{"rendered":"<p><split><\/p>\n<p>G&eacute;nero especificamente japon&ecirc;s, as hist&oacute;rias de samurais podem ser consideradas como o equivalente japon&ecirc;s do Western americano. Uma compara&ccedil;&atilde;o que est&aacute; longe de ser desajustada, se nos lembrarmos que na origem de westerns cl&aacute;ssicos como Os Sete Magn&iacute;ficos de John Sturges, ou Por um Punhado de Dolares de Sergio Leone, est&atilde;o Os Sete Samurais e Yojimbo, dois filmes de samurais realizados pelo mestre Akira Kurosawa.<\/p>\n<p>Mas, ao contr&aacute;rio do Western, cuja transposi&ccedil;&atilde;o para a BD foi feita com resultados muito mais interessantes na Fran&ccedil;a do que no seu pa&iacute;s de origem, e n&atilde;o obstante algumas (raras) excep&ccedil;&otilde;es, como o Usagi Yojimbo de Stan Sakai, ou o Kogaratsu de Michetz, &eacute; no Jap&atilde;o que encontramos as grandes s&eacute;ries de samurais.<\/p>\n<p>Kozure Okami, de Goseki Kojima e Kasuo Koike  &eacute; uma dessas s&eacute;ries. Digna herdeira de uma tradi&ccedil;&atilde;o que atingiu o seu ponto mais alto com a obra de Sampei Shirato (Ninja Bugeicho e Kamui), autor que renovou um g&eacute;nero quase moribundo desde o fim da 2&ordf; Guerra Mundial, dirigindo-o para um p&uacute;blico mais adulto, a s&eacute;rie de Kojima e Koike, para al&eacute;m do estrondoso sucesso que conheceu no Jap&atilde;o, foi tamb&eacute;m o primeiro manga a ser editado nos Estados Unidos em formato comic book.   <\/p>\n<p>Tendo come&ccedil;ado a ser publicadas em 1970, nas p&aacute;ginas da revista Manga Action, as aventuras de Ito Ogami, ex-executor oficial do Shogun, obrigado a vaguear pelo Jap&atilde;o como assassino de aluguer, acompanhado pelo seu filho, Daigoro, v&atilde;o durar at&eacute; 1976, enchendo 28 volumes de cerca de 300 p&aacute;ginas cada. Uma longa e violenta saga de um homem que abandonou tudo em busca de vingan&ccedil;a do cl&atilde; Yagyu, respons&aacute;vel pela sua queda e  pela morte da sua mulher, contada em epis&oacute;dios aut&oacute;nomos relativamente curtos (entre 20 e 50 p&aacute;ginas) que nos v&atilde;o gradualmente dando a conhecer algo mais do passado e personalidade de Ito Ogami, que com o seu filho Daigoro, escolheu a estrada do inferno, tornando-se um lobo solit&aacute;rio. Lone Wolf and Cub (o lobo solit&aacute;rio e a sua cria) &eacute; precisamente o t&iacute;tulo que foi dado &agrave; s&eacute;rie no Ocidente, e que enfatiza a presen&ccedil;a do pequeno Daigoro, um b&eacute;b&eacute; com a for&ccedil;a de vontade e a disciplina de um samurai adulto, que constitui o contraponto humano a uma hist&oacute;ria extremamente violenta, onde o sangue corre a jorros e os combates s&atilde;o t&atilde;o r&aacute;pidos como brutais.<\/p>\n<p>O fabuloso sucesso desta longu&iacute;ssima BD hist&oacute;rica (jidaimono) de quase 8.000 p&aacute;ginas, ambientada no Jap&atilde;o feudal do s&eacute;culo XIX, e desenhada num estilo realista e extremamente flu&iacute;do por Goseki Kojima, levou inevitavelmente &agrave; sua passagem para outros suportes, desde uma s&eacute;rie de televis&atilde;o, que transformou o mercen&aacute;rio  Ito Ogami num justiceiro bem intencionado, at&eacute; um conjunto de 6 longas metragens, que constituem a mais fiel adapta&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica de uma BD que alguma vez vi. Realizada entre 1972 e 1975, esta s&eacute;rie de filmes, que contou com argumento do pr&oacute;prio Kazuo Koike, acompanhou a publica&ccedil;&atilde;o do manga que adapta directamente, e f&ecirc;-lo de uma forma t&atilde;o exacta que d&aacute; ideia que o pr&oacute;prio manga deve ter funcionado como story-board.<\/p>\n<p>Filmados numa &eacute;poca em que o sucesso do Western Spaguetti estava ainda bem fresco (Aconteceu no Oeste de Leone, &eacute; de 1969) estes filmes revelam claramente essa filia&ccedil;&atilde;o est&eacute;tica, nos grandes planos do olhar dos personagens, no tratamento oper&aacute;tico das cenas que antecedem os r&aacute;pidos combates, e at&eacute; na utiliza&ccedil;&atilde;o da m&uacute;sica.  Kenji Misumi, o realizador dos 3 primeiros filmes era um admirador confesso de Kurosawa e de Leone, e essas influ&ecirc;ncias notam-se nestes filmes que misturam uma viol&ecirc;ncia extrema, com momentos de grande calmaria e beleza formal, quase po&eacute;tica.  <\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>Esses filmes chegariam ao Ocidente em 1982, gra&ccedil;as aos produtores David Weisman e Robert Houston, numa vers&atilde;o truncada, chamada Shogun Assassin (que chegou a aparecer nos videoclubes portugueses)  que mais n&atilde;o era que uma montagem sem grande coer&ecirc;ncia dos dois primeiros filmes da s&eacute;rie, dobrada em ingl&ecirc;s e narrada em voz off pelo pequeno Daigoro. Se este filme inspirou John Carpenter para alguns dos personagens de As Aventuras de Jack Burton, n&atilde;o foi suficiente para motivar a edi&ccedil;&atilde;o de Kozure Okami, o manga que est&aacute; na origem de tudo.   <\/p>\n<p>Para isso foi necess&aacute;rio o empenho de Frank Miller, que descobriu a s&eacute;rie na edi&ccedil;&atilde;o original japonesa e nela se inspirou largamente para o seu Ronin. Sendo esta uma das suas s&eacute;ries favoritas, Miller aproveitou a exposi&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica conseguida com o sucesso de Dark Knight para divulgar a s&eacute;rie e convencer a First Comics a edit&aacute;-la nos EUA. Para essa edi&ccedil;&atilde;o em formato comic-book iniciada em 1987, Miller assegurou as capas e a introdu&ccedil;&atilde;o dos doze primeiros n&uacute;meros, seguindo-se-lhe Bill Sienkiewicz, Matt Wagner e Michael Ploog. Mas devido aos problemas que levaram ao fecho da editora, a edi&ccedil;&atilde;o americana  acabaria em 1991, no n&ordm; 44, deixando por publicar quase dois ter&ccedil;os da s&eacute;rie. <\/p>\n<p>Desde ent&atilde;o Lone Wolf and Cub n&atilde;o passava de um cl&aacute;ssico desconhecido para as novas gera&ccedil;&otilde;es de leitores, que descobriram os manga com Akira ou o Dragon Ball , uma grave lacuna que esta edi&ccedil;&atilde;o da Dark Horse veio remediar.  Uma excelente edi&ccedil;&atilde;o, rigorosa e integral, num formato (min&uacute;sculo, mas que funciona muito bem, mal nos habituemos a ele) igual ao da edi&ccedil;&atilde;o japonesa, que d&aacute; a conhecer alguns epis&oacute;dios que tinham ficado de fora da edi&ccedil;&atilde;o da First devido ao seu conte&uacute;do er&oacute;tico, e que est&aacute; a ter o devido sucesso. Um sucesso mais que merecido, pois para al&eacute;m de ser um marco na hist&oacute;ria do manga, Lone Wolf and Cub &eacute; claramente  uma das grandes BDs do s&eacute;culo XX. <\/p>\n<p>(A s&eacute;rie de manga &eacute; publicada mensalmente e encontra-se &agrave; venda nas livrarias especializadas, como a BdMania de Lisboa, a Interzona do Porto, e a Dr. Kartoon de Coimbra. Os 6 filmes foram lan&ccedil;ados em video em 1999 pela Arts Magic (www.artsmagic.com), na sua colec&ccedil;&atilde;o Warrior, numa vers&atilde;o legendada e em formato widescreen, com o t&iacute;tulo gen&eacute;rico de &#147;The Baby Cart Saga&#148; e podem ser facilmente encomendados atrav&eacute;s da Amazon).<\/p>\n<p>* Este artigo foi publicado inicialmente na Revista Quadrado n.3 (III s&eacute;rie).<\/p>\n<p><split><br \/><b>Autor:Jo&atilde;o Miguel Lameiras<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>G&eacute;nero especificamente japon&ecirc;s, as hist&oacute;rias de samurais podem ser consideradas como o equivalente japon&ecirc;s do Western americano. 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