{"id":7718,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7718"},"modified":"2001-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2001-01-01T00:00:00","slug":"star-wars-a-new-hope","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/manga\/star-wars-a-new-hope\/","title":{"rendered":"Star Wars &#8211; A New Hope"},"content":{"rendered":"<p><split><\/p>\n<p>&Eacute; um conceito predominante na cultura popular que as adapta&ccedil;&otilde;es cinematogr&aacute;ficas em banda desenhada, regra geral, n&atilde;o prestam. Na transi&ccedil;&atilde;o entre suportes do celul&oacute;ide para o papel, quase sempre se perde uma parte essencial da vitalidade e da originalidade da vis&atilde;o que o artista inicial concebeu. Geralmente vistas como obras menores no panorama da 9&ordf; arte, &eacute; certo que as adapta&ccedil;&otilde;es constituem apenas mais uma forma de extrair dinheiro dos bolsos de todos quantos viram a obra original no cinema. Por&eacute;m, quando est&atilde;o no lugar os factores certos, uma adapta&ccedil;&atilde;o pode subir acima da mediocridade normalmente associada &agrave; sua categoria e ganhar uma vida pr&oacute;pria pela influ&ecirc;ncia de quem a projecta no papel. &Eacute; certo que &eacute; dif&iacute;cil surgir essa combina&ccedil;&atilde;o de factores &#8211; digamos, um filme lend&aacute;rio como &#8220;Star Wars: A New Hope&#8221; e um bom artista de manga. Mas o certo &eacute; que, como resultado de uma aberra&ccedil;&atilde;o estat&iacute;stica (ou simplesmente um laivo de vis&atilde;o por parte dos respons&aacute;veis), essa combina&ccedil;&atilde;o acabou por acontecer, e o resultado &eacute; nada menos que admir&aacute;vel.<\/p>\n<p>Foi dada ao artista Tamaki Hisao a tarefa pesada de transpor este &iacute;cone da cultura popular ocidental para o formato de manga. Pouco conhecido entre n&oacute;s, Tamaki s&oacute; tem nos seus cr&eacute;ditos uma obra menor intitulada &#8220;Astrider Hugo&#8221;. Por&eacute;m, o artista esteve bem &agrave; altura do desafio de transp&ocirc;r a hist&oacute;ria de George Lucas para papel, superiorizando-se assim aos artistas que o precederam nesse papel. A obra foi rapidamente assimilada pelos editores ocidentais e tornou-se num best-seller dentro do estilo manga, tanto nos Estados Unidos como no Brasil, Fran&ccedil;a, Espanha, It&aacute;lia e Alemanha.<\/p>\n<p>H&aacute; muito tempo, numa gal&aacute;xia muito, muito distante, era uma &eacute;poca de guerra civil. Naves rebeldes, atacando a partir duma base secreta, conseguiram a sua primeira vict&oacute;ria contra o IMP&Eacute;RIO GAL&Aacute;CTICO. Durante a batalha, espi&otilde;es rebeldes conseguiram roubar os planos secretos da ESTRELA DA MORTE, uma esta&ccedil;&atilde;o espacial coura&ccedil;ada com poder para destruir um planeta inteiro.<br \/>Perseguida por sinistros agentes imperiais, a Princesa Leia apressa-se a<br \/>voltar a casa na sua nave espacial, detentora dos planos roubados que poder&atilde;o salvar o seu povo e restaurar a liberdade na gal&aacute;xia&#8230;<\/p>\n<p>Assim anunciava a sequ&ecirc;ncia inicial do filme quando estreou em 1977, e assim come&ccedil;a a sua adapta&ccedil;&atilde;o em formato desenhado. E ao longo das p&aacute;ginas dos 4 volumes da edi&ccedil;&atilde;o americana, &eacute; poss&iacute;vel reparar na consist&ecirc;ncia da sua fidelidade: todas as situa&ccedil;&otilde;es existentes no filme s&atilde;o rigorosamente reproduzidas na BD, sendo os di&aacute;logos directamente extra&iacute;dos do argumento original de George Lucas &#8211; afinal de contas, n&atilde;o havia sentido em traduzir para ingl&ecirc;s uma tradu&ccedil;&atilde;o de ingl&ecirc;s para japon&ecirc;s!<\/p>\n<p>Um dos pontos em que esta adapta&ccedil;&atilde;o se destaca &eacute; nos designs dos personagens. Apesar da estranheza de ver os personagens a que tanto estamos habituados a ver em carne e osso subitamente com os seus olhos ampliados e penteados exagerados, n&atilde;o se pode evitar pensar que as vers&otilde;es de Mark Hamill, Harrison Ford, Carrie Fisher e Alec Guiness criadas por Tamaki Hisao correspondem, de facto, a como estes personagens cinematogr&aacute;ficos seriam se fossem personagens de manga. Parab&eacute;ns ent&atilde;o ao autor por, atrav&eacute;s destes designs, quase convencer o leitor de que estas s&atilde;o as vers&otilde;es originais dos personagens, tal a forma com que cada um deles se encaixa no car&aacute;cter que lhe conhecemos: desde o sonhador e &iacute;ntegro Luke Skywalker, passando pelo paciente Obi-Wan Kenobi e a determinada princesa Leia Organa, at&eacute; ao ego&iacute;sta Han Solo. S&oacute; &eacute; pena que n&atilde;o seja poss&iacute;vel reproduzir graficamente a fabulosa voz de James Earl Jones como Darth Vader! Nas vers&otilde;es ocidentais desta adapta&ccedil;&atilde;o, o design de Tamaki &eacute; reflectido nas capas dos volumes, competentemente executadas por aquele que &eacute; o mais famoso (e, segundo alguns, o melhor) representante do estilo japon&ecirc;s de banda desenhada no ocidente: o americano Adam Warren.<\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>De p&aacute;gina para p&aacute;gina da obra, Tamaki Hisao conseguiu adaptar a ac&ccedil;&atilde;o do filme americano ao estilo japon&ecirc;s de narrativa, com uma din&acirc;mica fren&eacute;tica e alucinante ajudada por linhas de velocidade e enormes onomatopeias, permitindo assim ao leitor manter a adrenalina inerente &agrave; obra original, mesmo face ao ritmo subjectivo da leitura. Neste aspecto, Tamaki mete a um canto a esmagadora maioria dos autores de comics norte-americanos, que parecem colocar a &ecirc;nfase da representa&ccedil;&atilde;o das narrativas mais na pose do que na ac&ccedil;&atilde;o. A ajudar a isto tudo est&atilde;o ainda as express&otilde;es caricaturais dos personagens e a utiliza&ccedil;&atilde;o intensiva de todas as conven&ccedil;&otilde;es perfeccionadas pelos japoneses ao longo de d&eacute;cadas de produ&ccedil;&atilde;o de manga: desde a famosa gota de suor at&eacute; &agrave;s in&uacute;meras altera&ccedil;&otilde;es na forma e tamanho dos olhos dos personagens.<\/p>\n<p>S&oacute; &eacute; pena que a fant&aacute;stica qualidade atingida por esta adapta&ccedil;&atilde;o de &#8220;A New Hope&#8221; n&atilde;o tenha sido acompanhada por um padr&atilde;o semelhante nas suas sequelas &#8220;The Empire Strikes Back&#8221; e &#8220;Return of the Jedi&#8221;, que ficaram a cargo de artistas diferentes e de qualidade inferior. Mesmo a adapta&ccedil;&atilde;o manga de &#8220;The Phantom Menace&#8221;, efectuada pelo conceituado Asamiya Kia, deixa muito a desejar face &agrave; &oacute;bvia americaniza&ccedil;&atilde;o do estilo deste artista japon&ecirc;s, retirando muita da din&acirc;mica &agrave; narrativa. Mas no que diz respeito a &#8220;A New Hope&#8221;, dificilmente ser&aacute; poss&iacute;vel realizar uma adapta&ccedil;&atilde;o melhor deste filme em qualquer circunst&acirc;ncia, que atinja ou ultrapasse a paix&atilde;o, tens&atilde;o e divertimento que Tamaki Hisao conseguiu transmitir. Na opini&atilde;o deste cr&iacute;tico, a vers&atilde;o manga de &#8220;Star Wars: A New Hope&#8221; &eacute; o perfeito exemplo do que qualquer adapta&ccedil;&atilde;o deveria aspirar a ser, e torna-se por isso obrigat&oacute;ria para f&atilde;s de &#8220;Star Wars&#8221;, e altamente recomend&aacute;vel a f&atilde;s de banda desenhada japonesa, particularmente aqueles que duvidam que uma hist&oacute;ria americana possa resultar num bom manga.<br \/><split><br \/><b>Autor:Jo&atilde;o Rocha<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&Eacute; um conceito predominante na cultura popular que as adapta&ccedil;&otilde;es cinematogr&aacute;ficas em banda desenhada, regra geral, n&atilde;o prestam. 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