{"id":7732,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7732"},"modified":"2001-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2001-01-01T00:00:00","slug":"seikai-no-monshou-crest-of-the-stars","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/anime\/seikai-no-monshou-crest-of-the-stars\/","title":{"rendered":"Seikai no Monshou (Crest of the Stars)"},"content":{"rendered":"<p>L&aacute; por um autor de manga ser bom desenhista, isso n&atilde;o significa for&ccedil;osamente que seja bom escritor. A boa literatura envolve um talento muito distinto do necess&aacute;rio para a ilustra&ccedil;&atilde;o. O p&uacute;blico demasiadas vezes se esquece deste facto, e no caso em particular da manga &#8211; uma forma de express&atilde;o eminentemente visual &#8211; a qualidade da narrativa &eacute; demasiada vezes descurada, recaindo em f&oacute;rmulas gen&eacute;ricas, que apesar de apelativas, j&aacute; foram exploradas at&eacute; &agrave; exaust&atilde;o.<\/p>\n<p>Sendo a maior parte dos animes produzidos hoje em dia derivados de obras de manga populares, &eacute; previs&iacute;vel que muitas das fal&aacute;cias inerentes a esta polival&ecirc;ncia do autor sejam transportadas para a forma animada. Assim, perpetua-se o erro de menosprezar a import&acirc;ncia do escritor no processo criativo da banda desenhada, afundando-se o p&uacute;blico e os produtores de anima&ccedil;&atilde;o da cultura do estrelato por vezes desmerecido do escritor-desenhista. Aquela import&acirc;ncia torna-se mais vis&iacute;vel do que nunca quando se assiste a um dos escassos exemplos de anime adaptado directamente de um romance liter&aacute;rio &#8211; trata-se aqui de &#8220;Seikai no Monshou&#8221; (&#8220;Crest of the Stars&#8221; ou &#8220;Bras&atilde;o das Estrelas&#8221;), uma s&eacute;rie de 13 epis&oacute;dios de 1999, produzida pelo est&uacute;dio Sunrise.<\/p>\n<p>&#8220;Seikai no Monshou&#8221; &eacute; originalmente uma trilogia de romances da autoria de Morioka Hiroyuki, e que se tornaram incrivelmente populares no Jap&atilde;o, de tal forma que o primeiro volume foi reimpresso 3 vezes nos 2 meses ap&oacute;s o seu lan&ccedil;amento em Abril de 1996. Ainda antes da adapta&ccedil;&atilde;o para anime destes romances, o autor come&ccedil;ou a escrever a sua sequela, uma nova trilogia intitulada &#8220;Seikai no Senki&#8221; (&#8220;Battleflag of the Stars&#8221; ou &#8220;Estandarte das Estrelas&#8221;) &#8211; a qual acabou por ser tamb&eacute;m adaptada para forma animada. Al&eacute;m das adapta&ccedil;&otilde;es directas, existe um epis&oacute;dio especial para TV de &#8220;Seikai no Monshou&#8221; que retrata a inf&acirc;ncia de um dos protagonistas, e um OAV de 90 minutos que compila os 13 epis&oacute;dios da s&eacute;rie mais o citado epis&oacute;dio especial.<\/p>\n<p>&#8220;Seikai no Monshou&#8221; ilustra-nos um universo futurista em que a nossa gal&aacute;xia foi colonizada pelos humanos, que se dividiram em v&aacute;rias fac&ccedil;&otilde;es. A maior e mais poderosa destas fac&ccedil;&otilde;es &eacute; o Imp&eacute;rio Humano dos Abh, uma orgulhosa hierarquia feudalista entronada por uma ra&ccedil;a humana geneticamente alterada para adapta&ccedil;&atilde;o &agrave;s condi&ccedil;&otilde;es do espa&ccedil;o sideral. O princ&iacute;pio da s&eacute;rie mostra-nos a invas&atilde;o pelos Abh do planeta Martin, cujo presidente negoceia a paz a troco de um t&iacute;tulo de nobreza no seio dos Abh. Anos mais tarde, o seu filho, um rapaz chamado Jinto, parte para cumprir servi&ccedil;o militar na for&ccedil;a espacial imperial, sendo acolhido por uma jovem Abh chamada Lafiel&#8230; sem saber que, na realidade, ela &eacute; uma princesa, neta da imperatriz!<\/p>\n<p>Infelizmente, na sua primeira viagem pelas estrelas, Jinto &eacute; envolvido numa batalha espacial que resulta na sua fuga junto com Lafiel, assumindo agora a miss&atilde;o de avisar os Abh sobre a amea&ccedil;a que se aproxima: um ataque conjunto de for&ccedil;as das outras fac&ccedil;&otilde;es humanas que invejam e cobi&ccedil;am o poderio dos Abh. Assim, uma trama pol&iacute;tica e militar de dimens&otilde;es gal&aacute;cticas desenrola-se, passando tanto pelas m&atilde;os dos dois jovens, como muito sobre as suas cabe&ccedil;as, no mais profundo do espa&ccedil;o sideral e nos corredores do pal&aacute;cio da imperatriz Abh&#8230;<\/p>\n<p>Como seria de esperar pelas origens de &#8220;Seikai no Monshou&#8221;, os pontos fortes desta obra s&atilde;o a hist&oacute;ria e os di&aacute;logos. A mente de Morioka criou para este universo uma din&acirc;mica descrita aos m&iacute;nimos detalhes, desde a tecnologia utilizada para as viagens espaciais, at&eacute; &agrave; l&iacute;ngua dos Abh, passando pelo seu car&aacute;cter forte, as suas rela&ccedil;&otilde;es com os mundos vassalos e a sua complexa estrutura nobili&aacute;rquica, que se reflecte nos seus longu&iacute;ssimos nomes repletos de t&iacute;tulos. Para al&eacute;m disso, a trama n&atilde;o &eacute; for&ccedil;ada nem formulaica como em milhentas outras obras de anime, e os di&aacute;logos est&atilde;o entre os mais estimulantes e inteligentes alguma vez escritos para anima&ccedil;&atilde;o. A diferen&ccedil;a &eacute; t&atilde;o evidente que o espectador sente as faltas de certas falas e reac&ccedil;&otilde;es t&atilde;o caracter&iacute;sticas de personagens de anime, mas que nunca teriam lugar no mundo real.<\/p>\n<p>Por outro lado, &eacute; de real&ccedil;ar que, apesar da &ecirc;nfase dada ao aspecto narrativo, o aspecto visual n&atilde;o foi descuidado. Os designs de personagens de Watabe Keisuke s&atilde;o simples mas apelativos, e os designs mec&acirc;nicos s&atilde;o detalhados e baseados no extenso material de base. A qualidade da anima&ccedil;&atilde;o &eacute; compentente e serve bem a hist&oacute;ria &#8211; em vez do contr&aacute;rio suceder, como &eacute; habitual. As vozes dos personagens principais s&atilde;o bem atribu&iacute;das, destacando-se Imai Yuka (Otaru em &#8220;Saber Marionette J&#8221;, Wakaba em &#8220;Shoujo Kakumei Utena&#8221;) como o reticente Jinto, e Kawasumi Ayako (Ruriko em &#8220;Gatekeepers&#8221;, Mahoro em &#8220;Mahoromatic&#8221;) como a orgulhosa Lafiel. Merece ainda men&ccedil;&atilde;o o inesquec&iacute;vel desempenho de Fukami Rika (Myung em &#8220;Macross Plus&#8221;) como a impag&aacute;vel Spoor. A banda sonora instrumental confere sentido &eacute;pico &agrave; obra, contando com pe&ccedil;as de Hattori Katsuhisa e Kondo Kingo.<\/p>\n<p>A verdadeira fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica n&atilde;o ser&aacute; encontrada pelos f&atilde;s de anime em t&iacute;tulos como &#8220;Outlaw Star&#8221; ou &#8220;Lost Universe&#8221; &#8211; e nem mesmo nas fantasias mais plaus&iacute;veis de &#8220;Gundam&#8221; ou &#8220;RahXephon&#8221;. Na tradi&ccedil;&atilde;o de Isaac Asimov e Robert Heinlein, &#8220;Seikai no Monshou&#8221; &eacute; uma excelente alternativa para quem deseja realismo m&aacute;ximo na sua fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica &#8211; mas sem desprezar uma pitada de humor, uma hist&oacute;ria extremamente detalhada e di&aacute;logos apaixonantes. Talvez apreciando esta obra, reconhe&ccedil;a assim a import&acirc;ncia de um escritor competente no processo criativo do anime e manga. Altamente recomendado.<br \/><b>Autor:Jo&atilde;o Rocha<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L&aacute; por um autor de manga ser bom desenhista, isso n&atilde;o significa for&ccedil;osamente que seja bom escritor. 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