{"id":7739,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7739"},"modified":"2001-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2001-01-01T00:00:00","slug":"escaflowne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/anime\/escaflowne\/","title":{"rendered":"Escaflowne"},"content":{"rendered":"<p><split><\/p>\n<p>Chamam-lhe &laquo;Nova Sci-Fi&raquo; no Jap&atilde;o, uma mescla de Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica com estilo Fantasia t&atilde;o ao gosto dos japoneses. Geralmente consiste na introdu&ccedil;&atilde;o de tecnologias em princ&iacute;pio s&oacute; dispon&iacute;veis em futuros distantes em ambientes quase medievais. Este artigo refere-se a um bom exemplo, &laquo;The Vision of Escaflowne&raquo;. <\/p>\n<p>Passado na Sic Radical durante a primeira vaga de anime, a sua hist&oacute;ria foi concebida por Kawamori Shoji para os est&uacute;dios Sunrise, tendo os seus 26 epis&oacute;dios sido primeiramente exibidos no seu pa&iacute;s natal em Abril de 1996. Essa hist&oacute;ria, na qual sem d&uacute;vida reside grande parte do valor de &laquo;Escaflowne&raquo;, retrata a aventura de uma estudante secund&aacute;ria (Kanzaki Hitomi) que v&ecirc; a sua rotina de escola, atletismo, adivinha&ccedil;&atilde;o do futuro e ocasionais suspiros pelo seu adorado Amano-sempai completamente rompida quando na sua pista de atletismo se materializa um rapaz batalhando um enorme drag&atilde;o terrestre.<\/p>\n<p>Inesperadamente, morta a besta, ambos s&atilde;o transportados para o lar do rapaz, afinal o pr&iacute;ncipe Van Fanel que necessitava da esfera no interior do drag&atilde;o para animar o gaimelef (mecha medieval parecido com uma enorme armadura) real, Escaflowne, durante a sua coroa&ccedil;&atilde;o. Infelizmente esta &eacute; interrompida por um esquadr&atilde;o do visinho Imp&eacute;rio Zaibacher, que visa roubar esse gaimelef e arrasar o reino de Fan&eacute;lia. &Eacute; assim que t&ecirc;m de fugir, acabando por encontrar aux&iacute;lio &agrave;s m&atilde;os do galante Allen Shezar, Cavaleiro Celeste do vizinho reino de Astoria, provavelmente o pr&oacute;ximo alvo do Imp&eacute;rio Zaibacher. Este &eacute; liderado por um homem misterioso e extremamente idoso, Isaac Dornkirk, um vision&aacute;rio que transformou um povo oprimido num orgulhoso imp&eacute;rio de tecnologia. Mas ele deseja mais&#8230; deseja construir a lend&aacute;ria M&aacute;quina da Atl&acirc;ntida, que era usada por esse antigo povo para transformar sonhos em Energia&#8230; e o instrumento de que precisa n&atilde;o &eacute; outro sen&atilde;o o pr&oacute;prio Escaflowne. E, como podem calcular, Hitomi j&aacute; n&atilde;o est&aacute; no nosso planeta, uma vez que no c&eacute;u nocturno, ao lado da Lua, se pode avistar&#8230; a Terra.<\/p>\n<p>Uma descri&ccedil;&atilde;o algo brusca? A hist&oacute;ria de &laquo;Vision of Escaflowne&raquo; &eacute; mesmo muito rica, conseguindo juntar v&aacute;rios aspectos no mesmo anime. Vendo o percurso do princ&iacute;pio ao fim, parece quase uma simples hist&oacute;ria de romance de liceu, com a t&iacute;pica estudante que se v&ecirc; no meio de uma situa&ccedil;&atilde;o inesperada. Mas crian&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o o seu p&uacute;blico alvo, n&atilde;o quando se abordam assuntos como quase-genoc&iacute;dio; a import&acirc;ncia das for&ccedil;as que governam a nossa vida como a Vontade, a Atrac&ccedil;&atilde;o e o Destino; e temos ainda o problema do peso que uma coroa pode ter, quando as raz&otilde;es de Estado entram em conflito com aquelas de um Cavaleiro Celeste, de uma Infanta ou de um Rei. E, claro, os aspectos high-tech no meio de um mundo ainda coberto por florestas. Curiosamente, acaba por ser o pr&oacute;prio romance a trazer bastante suspense &agrave; s&eacute;rie, uma vez que o final &eacute; simples e pouco dram&aacute;tico, contrastando com o resto da hist&oacute;ria. Exceptuando, &eacute; claro, as ocasionais batalhas de gaimelefs. <\/p>\n<p>Falando nestas, &eacute; nelas que reside a parte mais marcante da s&eacute;rie. O conceito est&aacute; muito bem explorado, o de enormes armaduras animadas pela energia de drag&otilde;es; o seu design est&aacute; espectacular, quer dos modelos mais tradicionais (como o Escaflowne) como do avan&ccedil;ado gaimelef de Dilandeau, chefe do esquadr&atilde;o designado para ca&ccedil;ar o Escaflowne, um soldado algo psic&oacute;tico e com uma defini&ccedil;&atilde;o extrema do sentido do dever, que gosta de deitar fogo a tudo aquilo que acabou de destruir: sem d&uacute;vida um vil&atilde;o dos mais infames, que todos apreciar&atilde;o.<\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>Outro valor de Escaflowne reside no conjunto de cren&ccedil;as que toma para construir o enredo: desde lendas sobre animais fant&aacute;sticos (drag&otilde;es e sereias fazem a sua apari&ccedil;&atilde;o aqui), capacidades sobrenaturais (ver o futuro, telepatia), hist&oacute;rias sobre mundos &laquo;alternativos&raquo; (do planeta em quest&atilde;o, Gaia, pode-se ver a Terra; o inverso n&atilde;o &eacute; verdade), o mito Atlante (&eacute; oferecida a &laquo;explica&ccedil;&atilde;o&raquo; para o desaparecimento deste povo) e o antigo sonho de se obter tudo aquilo que se deseja, manipulando o Destino como quem prev&ecirc; o tempo.<br \/>Evidentemente que tudo isto seria in&uacute;til se n&atilde;o fosse devidamente aproveitado pelas personagens, e &laquo;Escaflowne&raquo; n&atilde;o decepciona, com personagens riqu&iacute;ssimas. Eu diria mesmo que desde o princ&iacute;pio da hist&oacute;ria at&eacute; ao cl&iacute;max o interesse est&aacute; focado nas decis&otilde;es dos v&aacute;rios personagens, o que &eacute; por vezes aborrecido, quando uma emocionante batalha &eacute; interrompida porque algu&eacute;m tomou uma atitude imprevis&iacute;vel. N&atilde;o &eacute; de espantar, portanto, que todos tenham uma psicologia dominadora, mas s&atilde;o ainda assim capazes do inesperado. Para mais, todos est&atilde;o ligados entre si das formas mais surpreendentes&#8230; Desde um insuspeito grau de parentesco at&eacute; partilharem o mesmo mestre. <\/p>\n<p>Tendo tudo isto em conta, parecer&aacute; incompreens&iacute;vel se disser que as atitudes das personagens s&atilde;o fracas. Ou melhor, em compara&ccedil;&atilde;o com a sua psicologia, a postura que tomam &eacute;, &agrave;s vezes, decepcionante. Allen, o nobil&iacute;ssimo Cavaleiro, irrita-se com simples bocas de um comerciante abastado; a Hitomi tira-lhe mais o sono as preocupa&ccedil;&otilde;es amorosas dos seus amigos, em vez de gritar a plenos pulm&otilde;es &laquo;Levem-me para casa!!&raquo;: durante a temporada que passa em Gaia, apenas tem &laquo;saudades do seu Amano-sempai&raquo;, ignorando escola, fam&iacute;lia e o lar; o pr&oacute;prio Amano-sempai, seu adorado, &eacute; logo esquecido, sonhando a adolescente ora com Allen, ora com Van; e, claro, o sanguin&aacute;rio Dilandeau, soldado experiente que mal v&ecirc; os seus homens come&ccedil;arem a ser derrotados fica p&aacute;lido e assume um ar aterrado (&uacute;ltima imagem do lado esquerdo).<\/p>\n<p>Se h&aacute; aspecto pol&eacute;mico em Escaflowne, &eacute; a arte. Paisagens? Bel&iacute;ssimas. Roupas e adere&ccedil;os? &Oacute;ptimos. Cidades e fortalezas? Originais e com um misto de alien&iacute;gena e de medieval. Gaimelefs? Espectaculares e reflectindo o grau de nobreza do portador. Ora, se tudo isto est&aacute; bem, porque raio fizeram personagens t&atilde;o simples e com narizes t&atilde;o&#8230; pontiagudos? A forma dos olhos &eacute; b&aacute;sica, o reflexo dos cabelos por vezes n&atilde;o passa de uma simples barra de cor mais clara&#8230; Apesar de tudo isto, estamos isentos de um mal que afecta muitos animes: o de as personagens serem todas iguais, sendo apenas pelo cabelo e roupa que se distinguem&#8230; aqui &eacute; o oposto, temos personagens bem definidas pelos seus caracteres faciais diversos, al&eacute;m de roupa e estatura.<\/p>\n<p>Os aspectos sonoros n&atilde;o est&atilde;o maus para uma s&eacute;rie de 26 epis&oacute;dios&#8230; o Yakusouku wa Iranai do gen&eacute;rico inicial &eacute; agrad&aacute;vel, mas s&atilde;o os pseudo-cantos gregorianos durante os momentos austeros, que conferem o ambiente solene de Gaia, que marcam &laquo;The Vision of Escaflowne&raquo;. E quanto &agrave; equipa de seyuus, temos como Hitomi, Maaya Sakamoto (Kauru de El Hazard, Leaf de Lodoss War); como Van, Tomokazu Seki (Gai Diagouji de Nadesico, Chichiri de Fuushigi Yuugi, Ken Hidaka de Weiss Kreuz); e como Allen, Shinichiroh Miki (Larva de Vampire Princess Miyu).<\/p>\n<p>No geral, &laquo;Escaflowne&raquo; &eacute; um bom anime que se destaca dos demais pelos v&aacute;rios factores evidenciados pelo enredo, convenientemente entrela&ccedil;ados numa boa hist&oacute;ria. Assim, dizer que a personagem principal &eacute; a Hitomi pode ser algo for&ccedil;ado, j&aacute; que as motiva&ccedil;&otilde;es de Van muitas vezes assumem o protagonismo, e h&aacute; alturas em que o passado de Allen pode ser bem mais cativante. N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que desta vez foi o anime que originou o manga, afinal dois (!), uma vers&atilde;o shoujo e outra shounen, al&eacute;m do filme &laquo;Escaflowne: A Girl in Gaea&raquo;, t&atilde;o c&eacute;lebre pelo seu enredo simplificado como pela sua arte diferente (para melhor, sem d&uacute;vida). Curioso &eacute; que, no meio de tanta fic&ccedil;&atilde;o e fantasia, eu n&atilde;o me lembre de se mencionar a palavra &laquo;magia&raquo; uma s&oacute; vez em todos os epis&oacute;dios&#8230;<\/p>\n<p><split><br \/><b>Autor:GoldPhoenix<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chamam-lhe &laquo;Nova Sci-Fi&raquo; no Jap&atilde;o, uma mescla de Fic&ccedil;&atilde;o Cient&iacute;fica com estilo Fantasia t&atilde;o ao gosto dos japoneses. 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