{"id":7812,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7812"},"modified":"2017-04-17T19:12:54","modified_gmt":"2017-04-17T20:12:54","slug":"monokuro-kinderbook","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/manga\/monokuro-kinderbook\/","title":{"rendered":"Monokuro Kinderbook"},"content":{"rendered":"<p>Fugindo aos canones e est&eacute;riotipos dos milhares de mangas publicados diariamente no Jap&atilde;o, encontramos alguns t&iacute;tulos que nos passam despercebidos n&atilde;o querendo com isso dizer que n&atilde;o t&ecirc;m qualidade suficiente para fazerem parte da nossa colec&ccedil;&atilde;o de livros. Recorrendo a uma est&eacute;tica mais europeia e alternativa, Ken Takahama oferece-nos uma vis&atilde;o dura mas graciosa do Jap&atilde;o actual. A obra &eacute;-nos dada em discurso directo e de forma bastante inteligente.<\/p>\n<p>Ken Takahama nasce no ano de 1977, em Amakusa no sul do Jap&atilde;o. Estudou arte contempor&acirc;nea e iniciou-se no mundo manga no final do ano 2000, num concurso organizado pela famosa revista Garo (banda desenhada alternativa) onde ganhou o primeiro pr&eacute;mio com a sua hist&oacute;ria &#8220;Mulheres que caem&#8221;. Nos anos seguintes v&aacute;rias hist&oacute;rias s&atilde;o publicadas na referida revista e que pouco tempo mais tarde deu origem a um livro chamado &#8220;Yellowbacks&#8221;.<\/p>\n<p>Exc&eacute;ntrica como todos os bons artistas, conseguiu com que o seu t&iacute;tulo, &#8220;Yellowbacks&#8221;, fosse o primeiro &#8220;comic&#8221; a entrar no circuito de distribui&ccedil;&atilde;o em livrarias especializadas japonesas, convertendo-se assim num dos expoentes m&aacute;ximos da nova gera&ccedil;&atilde;o de mangakas que usam o computador na arte final. Al&eacute;m disso, Takahama &eacute;, antes de mais uma artista completa e consciente que o seu p&uacute;blico transcende o &#8220;otakismo&#8221; segundo o conhecemos. Provavelmente deve ser a mangaka mais talentosa surgida recentemente no Jap&atilde;o.<\/p>\n<p>&#8220;Monokuro Kinderbook&#8221;, que podemos traduzir para portugu&ecirc;s como &#8220;Livro Infantil Monocrom&aacute;tico&#8221; &eacute; talvez o trabalho mais conhecido da autora e mostra-nos uma compila&ccedil;&atilde;o de dez hist&oacute;rias curtas e desenhadas. As hist&oacute;rias falam dos assuntos mais diversos (rela&ccedil;&otilde;es entre adolescentes, conversas em bares um pouco mais adultas, suicidios, etc&#8230; ), mas sempre numa perspectiva adulta e um pensamento totalmente aberto, sem problemas nem preju&iacute;zos. Como foi referido a narrativa &eacute; curta, mas a qualidade do gui&atilde;o &eacute; muito bem trabalhado assim como o desenho tem um estilo pr&oacute;prio e diferente do que estamos habituados a ler e a ver. Entre as hist&oacute;rias, a autora intercala textos no mais puro estilo &#8220;free talk&#8221; dos shoujos.<\/p>\n<p>&Aacute; primera vista pode parecer um manga de d&iacute;ficil leitura. O estilo de desenho est&aacute; muito mais pr&oacute;ximo do &#8220;comic&#8221; europeu do que o manga (grande quantidade de vinhetas, a disposi&ccedil;&atilde;o das mesmas, falta de onomatopeias&#8230;), mas o resultado &eacute; bastante positivo e realmente apetec&iacute;vel. O tipo de desenho, mais pr&oacute;ximo do sonho do que da realidade, confere &agrave;s hist&oacute;rias uma vis&atilde;o completamente diferente do mundo. Outra caracteristica interessante destas hist&oacute;rias s&atilde;o as margens negras que d&atilde;o ao leitor uma sensa&ccedil;&atilde;o diferente de leitura.<\/p>\n<p>>Mas &eacute; na parte gr&aacute;fica que temos a maior supresa da obra. Para come&ccedil;ar n&atilde;o ouve a preocupa&ccedil;&atilde;o de fazer um tra&ccedil;o limpo, mas sim conservar a expresividade e a for&ccedil;a do tra&ccedil;o, como se fosse um exerc&iacute;cio de &#8220;desenho autom&aacute;tico&#8221;. Mesmo assim, cada tra&ccedil;o est&aacute; estrategicamente colocado, como &eacute; norma habitual no manga, para exprimir o m&aacute;ximo de informa&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel com o menor n&uacute;mero de linhas. Um exemplo claro desta &#8220;improvisa&ccedil;&atilde;o&#8221; &eacute; o uso pontual do retoque fotogr&aacute;fico (dado pelos filtros de Photoshop), provocando um novo contraste e dar uma sensa&ccedil;&atilde;o cinematogr&aacute;fica que reina na obra. O uso acertado dos continuos primeiros plano junta expressividade e tens&atilde;o ao conjunto. Esta &#8220;t&eacute;cnica&#8221; &eacute; utilizada quase em todos os seus trabalhos.<\/p>\n<p>Outro dos aspectos que facilmente podemos descobrir neste manga &eacute; a quantidade de contrastes, desenho b&aacute;sico com ilustra&ccedil;&atilde;o digital (Photoshop), fantasia e realidade,  temas imortais e assuntos com alguma actualidade (como a pol&iacute;tica Bush ou o 11 de Setembro). Por isso, as hist&oacute;rias est&atilde;o cheias de uma carga simb&oacute;lica n&atilde;o s&oacute; nas situa&ccedil;&otilde;es como nos personagens, pois s&atilde;o eles que sofrem e decidem o que fazer.<\/p>\n<p>Facilmente nos identificamos com os personagens, ou os amamos ou os odiamos&#8230; e &eacute; aqui que est&aacute; o segredo desta obra, ao longo das dez hist&oacute;rias, sentimos a necessidade de saber o que se passa com os protagonistas como se n&oacute;s tamb&eacute;m fizessemos parte daquele cen&aacute;rio.  Da&iacute; que o manga ganha com cada leitura que fazemos porque conforme vamos avan&ccedil;ando na obra ou repetimos a leitura melhor vamos entendendo os personagens.<\/p>\n<p>Editado pela Ponent Mon (editora espanhola que aposta em t&iacute;tulos experimentais e &#8220;estranhos&#8221; para os olhos dos otaku espanhois), Monokuro Kinderbook &eacute; uma boa edi&ccedil;&atilde;o e de grande qualidade, onde se destaca sobretudo a excelente qualidade visual e uma expressividade impressionante.<\/p>\n<p>Pouco mais falta acrescentar a este artigo. Este manga &eacute; daqueles que se pode recomendar a um p&uacute;blico concreto, mas sem d&uacute;vida que todos dever&atilde;o l&ecirc;-lo para conhecerem outras variantes da banda desenhada japonesa.<\/p>\n<p><b>Escrito por: Fernando Ferreira<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fugindo aos canones e est&eacute;riotipos dos milhares de mangas publicados diariamente no Jap&atilde;o, encontramos alguns t&iacute;tulos que nos passam despercebidos n&atilde;o querendo com isso dizer que n&atilde;o t&ecirc;m qualidade suficiente&nbsp;[ &hellip; ]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1283,5],"tags":[5804,5803],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7812"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7812"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24125,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7812\/revisions\/24125"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}