{"id":7813,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7813"},"modified":"2001-01-01T00:00:00","modified_gmt":"2001-01-01T00:00:00","slug":"hacksign","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/anime\/hacksign\/","title":{"rendered":".hack\/\/SIGN"},"content":{"rendered":"<p><split><br \/>O fen&oacute;meno da Internet mudou radicalmente a forma como muitos de n&oacute;s passam os seus tempos livres. Se assim n&atilde;o fosse, concerteza n&atilde;o estaria o leitor a ler este artigo, em vez de ler um livro, praticar desporto ou mesmo simplesmente ver televis&atilde;o. Mas a leitura de simples artigos est&aacute; longe de ser a forma de entretenimento que mais tempo consome aos internautas mais viciados. Tudo teve origem nos MUD&#8217;s (Multi User Dungeons) que, durante a d&eacute;cada de 90, tiravam o partido poss&iacute;vel da pouca largura de banda dispon&iacute;vel para oferecer a aficcionados de RPG&#8217;s uma experi&ecirc;ncia meramente textual, mas absolutamente viciante, e possibilitando pela primeira vez a colabora&ccedil;&atilde;o e competi&ccedil;&atilde;o com outros jogadores a uma escala global. Mas logo a Internet se alargou, as capacidades gr&aacute;ficas foram apuradas, e os MUD&#8217;s deram lugar a colossais MMORPG&#8217;s (Massively Multiplayer Online Role Playing Games), mundos vastos e belos prontos a serem percorridos por magos, cavaleiros, jedis, catgirls, e tudo mais o que qualquer internauta alguma vez quisesse ter sido.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; muito dif&iacute;cil, para quem acompanhou esta evolu&ccedil;&atilde;o, adivinhar qual a direc&ccedil;&atilde;o que esta forma de entretenimento tomar&aacute;: cada vez mais as novas tecnologias se orientam no sentido de proporcionar uma imers&atilde;o crescente nestes mundos de fantasia, onde os jogadores poder&atilde;o escapar &agrave;s duras e feias circunst&acirc;ncias do mundo real, gastando neles cada vez mais tempo &#8211; e, claro, dinheiro.<\/p>\n<p>E no entanto, apesar da evolu&ccedil;&atilde;o no formato do jogo, n&atilde;o &eacute; de notar uma grande evolu&ccedil;&atilde;o da forma como ele &eacute; jogado &#8211; muito pelo contr&aacute;rio. A abertura dos MMORPG&#8217;s &agrave;s massas implicou a penetra&ccedil;&atilde;o de cada vez mais adolescentes sem no&ccedil;&atilde;o de tacto nem reais capacidades de socializa&ccedil;&atilde;o, que se limitam a vaguear em busca de monstros para matar e demandas para cumprir, muitas vezes com o objectivo um pouco f&uacute;til de chegar ao n&iacute;vel mais alto ou adquirir o item mais raro do jogo &#8211; de tal forma que o gozo muitas vezes se transforma em obsess&atilde;o, e o divertimento d&aacute; lugar &agrave; compuls&atilde;o de ver os Hit Points aumentar mais um pouquinho. No meio desta atitude, onde est&aacute;, afinal, o Role-Playing?<\/p>\n<p>O projecto &#8220;.hack&#8221; oferece a premissa dum futuro pr&oacute;ximo onde os MMORPG&#8217;s oferecem imers&atilde;o total (e por vezes excessivamente total) aos seus jogadores, que encarnam personagens aparentemente reais, mas que s&oacute; existem no mundo electr&oacute;nico dos servidores do jogo. Este mundo &eacute; chamado, num rasgo de literalismo, &#8220;The World&#8221;, e &eacute; tamb&eacute;m o palco das aventuras relatadas nas obras que comp&otilde;em este projecto &#8211; s&eacute;ries de TV, OAV&#8217;s, videojogos, manga, e at&eacute; mesmo jogos de cartas! &#8220;.hack\/\/SIGN&#8221; &eacute; a s&eacute;rie TV deste projecto, composta por 28 epis&oacute;dios (os 2 &uacute;ltimos s&oacute; dispon&iacute;veis na edi&ccedil;&atilde;o em DVD). Coproduzida pelos est&uacute;dios da Bandai (respons&aacute;vel pelo projecto) e Bee Train, foi transmitida no ano de 2002.<\/p>\n<p>Tsukasa acorda em &#8220;The World&#8221;. Est&aacute; sozinho, e n&atilde;o se lembra do que aconteceu para estar ali. Contudo, ele sabe que est&aacute; a desempenhar o papel de um personagem no videojogo, mas depressa descobre que, al&eacute;m de n&atilde;o conseguir sair do jogo, tamb&eacute;m sente, cheira e toca como se estivesse realmente naquele mundo. Depressa os rumores se espalham sobre o jogador que n&atilde;o consegue fazer logout, e que vagueia sem rumo procurando respostas para a sua condi&ccedil;&atilde;o. Outros jogadores ganham interesse em Tsukasa, tais como sejam Mimiru, que procura aproximar-se de Tsukasa mas &eacute; deparada com uma resist&ecirc;ncia irritante deste, e Subaru, uma moderadora que sente uma estranha afinidade com o &#8220;n&aacute;ufrago on-line&#8221;. Estes e outros personagens do jogo tentar&atilde;o desvendar o mist&eacute;rio de Tsukasa, e a sua poss&iacute;vel rela&ccedil;&atilde;o com um m&iacute;tico objecto chamado &#8220;Key of the Twilight&#8221;, que supostamente possui enormes e indeterminados poderes sobre o pr&oacute;prio &#8220;The World&#8221;.<br \/><split><br \/>Os jogos on-line s&atilde;o uma premissa que nunca antes tinha sido explorada pela anima&ccedil;&atilde;o japonesa (excepto se considerarmos &#8220;Digimon&#8221; e &#8220;Rockman.EXE&#8221;, este &uacute;ltimo posterior a &#8220;.hack&#8221;), e desde j&aacute; &#8220;.hack\/\/SIGN&#8221; ganha pontos de originalidade por causa disso. O enredo envolvendo um jogador preso num jogo on-line &eacute; intrigante, e poderia dar origem a uma narrativa interessante, se os escritores n&atilde;o tivessem insistido em esticar a hist&oacute;ria muito para al&eacute;m do seu limite de elasticidade! Os 28 epis&oacute;dios da s&eacute;rie d&atilde;o a sensa&ccedil;&atilde;o de poderem ser contados em meia-d&uacute;zia, consistindo a maior parte deles em di&aacute;logos mon&oacute;tonos e inconsequentes, encontros que se repetem sem qualquer impacto (e muitas vezes apenas subentendidos e deixando o espectador no escuro), e momentos de reflex&atilde;o que n&atilde;o passam de oportunidades para economizar anima&ccedil;&atilde;o. Tudo isto contribui para a sonol&ecirc;ncia e\/ou perplexidade do espectador ao longo de toda a s&eacute;rie, com o marasmo a imp&ocirc;r-se durante 20 e muitos epis&oacute;dios &#8211; at&eacute; que, perto do fim, os argumentistas parecem lembrar-se que a s&eacute;rie est&aacute; pr&oacute;xima do fim e empoleiram tudo aquilo que poderia ser chamado de &#8220;hist&oacute;ria&#8221; numa am&aacute;lgama sem consist&ecirc;ncia nem nexo. No final, muito fica por dizer, que bem poderia ter sido dito em todos os epis&oacute;dios em que n&atilde;o acontece praticamente nada. Afinal de contas, em termos de trama, a s&eacute;rie &eacute; bem parecida com as aventuras de um grupo t&iacute;pico de jogadores de MMORPG&#8217;s: quando h&aacute; trama, ela n&atilde;o presta.<\/p>\n<p>Ao n&iacute;vel visual, encontra-se uma das poucas coisas que poder&aacute; ter atra&iacute;do f&atilde;s para esta s&eacute;rie: os designs baseados em desenhos de Sadamoto Yoshiyuki, que criou os designs do incompreensivelmente popular &#8220;Neon Genesis Evangelion&#8221; e do estramb&oacute;lico &#8220;FLCL&#8221;. &Eacute;, por&eacute;m, curioso verificar que os designs interessantes esgotam-se nos personagens principais da s&eacute;rie, que parecem ser os &uacute;nicos participantes de &#8220;The World&#8221; com um m&iacute;nimo de senso de estilo. Todos os figurantes limitam-se a vestir roupas sem interesse, pelo que quando aparece algu&eacute;m com um design interessante, j&aacute; sabemos que vai ter um papel importante na hist&oacute;ria! Apesar deste discut&iacute;vel &#8220;atractivo&#8221;, verifica-se que na maior parte dos epis&oacute;dios a anima&ccedil;&atilde;o &eacute; limitada e muitas vezes meramente simb&oacute;lica, com um recurso exagerado a &#8220;stills&#8221; prolongados.<br \/>O mais concreto ponto positivo desta s&eacute;rie &eacute; o acompanhamento musical e os efeitos sonoros. A m&uacute;sica inclui muitos temas cantados (quase todos em ingl&ecirc;s) e que ilustram adequadamente as situa&ccedil;&otilde;es de cada epis&oacute;dio, ao mesmo tempo que constituem uma banda sonora interessante quando considerada isoladamente. A m&uacute;sica de abertura &eacute; cibertr&oacute;nica q.b., com uma sonoridade cativante, mas repetitiva &#8211; n&atilde;o vai ficar para a hist&oacute;ria, mas &eacute; f&aacute;cil de lembrar, sobretudo sendo cantada em ingl&ecirc;s. Ao n&iacute;vel de vozes, a s&eacute;rie com no elenco com Saiga Mitsuki (Tsukasa, Takashi em &#8220;Pita Ten&#8221;), Toyoguchi Megumi (Mimiru, Yumi em &#8220;Chobits&#8221;), Nazuka Kaori (Subaru, Lalaru em &#8220;Ima, Sokoni Iru Boku&#8221;) nos principais pap&eacute;is, e ainda s&atilde;o de destacar as presta&ccedil;&otilde;es de Hiramatsu Akiko (BT, Miyuki em &#8220;You&#8217;re Under Arrest&#8221;, Yukari em &#8220;Azumanga Daioh&#8221;) e Tanaka Rie (Morgana, Chii em &#8220;Chobits&#8221;).<\/p>\n<p>N&atilde;o posso dizer que tenha sido um prazer ver &#8220;.hack\/\/SIGN&#8221;, tendo havido diversos momentos em que o desespero se apoderou de mim, e em que me perguntei se n&atilde;o poderia estar a fazer algo mais interessante, como ver tinta a secar. Apesar da sua premissa interessante, a s&eacute;rie &eacute; praguejada por um ritmo de lesma e por uma hist&oacute;ria com inconsist&ecirc;ncias descaradas, fazendo-se apenas valer ao n&iacute;vel musical. N&atilde;o posso recomendar esta s&eacute;rie sen&atilde;o aos que j&aacute; est&atilde;o demasiado envolvidos nas obras do projecto &#8220;.hack&#8221; para a descurar. Mesmo f&atilde;s de MMORPG&#8217;s poder&atilde;o encontrar coisas mais interessantes para fazer do que ver &#8220;.hack\/\/SIGN&#8221; &#8211; como por exemplo, jogar aos ditos cujos. N&atilde;o dever&aacute; ser-lhes dif&iacute;cil fazer algo de mais interessante do que esta s&eacute;rie.<br \/><split><br \/><b>Autor:Jo&atilde;o Rocha<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O fen&oacute;meno da Internet mudou radicalmente a forma como muitos de n&oacute;s passam os seus tempos livres. Se assim n&atilde;o fosse, concerteza n&atilde;o estaria o leitor a ler este artigo,&nbsp;[ &hellip; ]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,1283],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7813"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7813\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}