{"id":7834,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7834"},"modified":"2014-04-07T13:57:21","modified_gmt":"2014-04-07T14:57:21","slug":"samurai-champloo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/anime\/samurai-champloo\/","title":{"rendered":"Samurai Champloo"},"content":{"rendered":"<p>Fuu, uma jovem espevitada e cheia de determina&ccedil;&atilde;o, trabalha numa hospedaria como empregada. Um dia, dois estranhos fregueses entram para descansar: Mugen, um estranho espadachim de Okinawa, grosseiro e com a barba por fazer, vestindo bermudas e trazendo tatuagens de listras nos pulsos e tornozelos, e Jin, um samurai magro e sisudo que usa &oacute;culos. Fuu pressente que eles n&atilde;o s&atilde;o guerreiros quaisquer, mas quando ela rejeita o filho do &#8220;presidente&#8221; e os seus amigos b&ecirc;bados logo a amea&ccedil;am em tortur&aacute;-la, mas os dois &#8220;estranhos&#8221; decidem proteg&ecirc;-la.<\/p>\n<p>Os guardas do &#8220;presidente&#8221; aparecem e ap&oacute;s uma dura luta os dois s&atilde;o presos e condenados &agrave; morte. No entanto, eles s&atilde;o salvos por Fuu de uma maneira espetacular. Ela ent&atilde;o &#8220;contrata-os&#8221; como guarda-costas para ajud&aacute;-la a encontrar um misterioso samurai que tem &#8220;perfume de girass&oacute;is&#8221;. Mesmo contra a vontade, os dois decidem ajud&aacute;-la na sua busca e iniciam uma s&eacute;rie de estranhos encontros, nos quais o passado e a personalidade de cada um deles vai sendo lentamente desvendada no meio de lutas e muita confus&atilde;o. Com a sua hist&oacute;ria como pano de fundo, a s&eacute;rie apresenta v&aacute;rios aspectos da vida japonesa no tempo dos samurais, fazendo um interessant&iacute;ssimo contraponto com a cultura japonesa de hoje e a vis&atilde;o que o Ocidente tem do Jap&atilde;o e dos samurais.<\/p>\n<p>A anima&ccedil;&atilde;o &eacute; muito boa, mas a arte &eacute; bastante desigual, apesar de ter momentos brilhantes (e n&atilde;o s&atilde;o poucos). O CG &eacute; muito bem utilizado e as cores s&atilde;o excelentes. O estilo fortemente estilizado n&atilde;o atrapalha nada, pelo contr&aacute;rio, acentua a id&eacute;ia de uma hist&oacute;ria de samurais elaborada sob um ponto de vista extremamente moderno. O &#8220;opening&#8221; &eacute; uma das melhores que j&aacute; vi at&eacute; hoje, e as cenas do &#8220;ending&#8221; s&atilde;o realmente lindas.<\/p>\n<p>As situa&ccedil;&otilde;es de ac&ccedil;&atilde;o s&atilde;o boas e com bastantes cenas de lutas bem emocionantes, embora &agrave;s vezes um tanto repetitivas.. O estilo de luta de Mugen, inspirado no &#8220;break dance&#8221;, &eacute; &oacute;ptimo, as lutas de Jin t&ecirc;m lances de espada magn&iacute;ficos e mesmo Fuu n&atilde;o fica atr&aacute;s com seus truques inesperados.<\/p>\n<p>O conte&uacute;do psicol&oacute;gico &eacute; imenso, se o p&uacute;blico decidir prestar aten&ccedil;&atilde;o a ele, mas que pode perfeitamente passar desapercebido se tudo pelo que o espectador se interessa s&atilde;o boas lutas e situa&ccedil;&otilde;es de humor. No entanto, acho que a excelente reflex&atilde;o sobre como a cultura japonesa tem influenciado o Ocidente e a auto-cr&iacute;tica no que se refere &agrave; pr&oacute;pria hist&oacute;ria e tradi&ccedil;&atilde;o do Jap&atilde;o fazem desta s&eacute;rie um exemplo &uacute;nico no g&eacute;nero. Volta e meia o narrador\/comentador entra com informa&ccedil;&otilde;es que extrapolam acontecimentos da trama ou explicam pontos hist&oacute;ricos importantes para o entendimento do enredo. Fuu, Mugen e Jin t&ecirc;m todos um passado sofrido e est&atilde;o agora soltos em um mundo frio e desumano, no qual se precisa fazer o poss&iacute;vel para sobreviver, e o espectador atento vai se identificar com v&aacute;rios sentimentos ao longo da s&eacute;rie.<\/p>\n<p>A s&eacute;rie apresenta um tipo de humor inteligente que de certeza agradar&aacute; a todos. Fuu e Mugen tamb&eacute;m contribuem com um humor mais &#8220;pastel&atilde;o&#8221;, mas at&eacute; mesmo o seri&iacute;ssimo Jin tem umas &#8220;sa&iacute;das&#8221; desconcertantes aqui e ali. Raramente se v&ecirc; um epis&oacute;dio sem um toque de humor e alguns s&atilde;o totalmente hilariantes!<\/p>\n<p>Samurai Champloo &eacute; do mesmo director de Cowboy Bebop, Shinichiro Watanabe, e parece um s&eacute;rio candidato a empatar com Bebop em termos de qualidade art&iacute;stica, ac&ccedil;&atilde;o e conte&uacute;do. A s&eacute;rie foi claramente produzida para um p&uacute;blico internacional &#8211; inclusive todos os cr&eacute;ditos est&atilde;o escritos em ingl&ecirc;s, mesmo que a s&eacute;rie tenha sido feita para ser exibida no Jap&atilde;o (&eacute; verdade que h&aacute; alguns problemas quanto a isso, como por exemplo quando escrevem &#8220;ryrics&#8221; em vez de &#8220;lyrics&#8221;&#8230;) e eles certamente conseguiram o que queriam, j&aacute; que a s&eacute;rie foi licenciada nos EUA j&aacute; no quinto epis&oacute;dio. &Eacute; claro que os autores sabem que seu p&uacute;blico vai incluir pessoas que entendem muito de anime e que est&atilde;o a espera de coisas de alto n&iacute;vel, mas eles conseguem corresponder ao desejo do p&uacute;blico, com cenas espetaculares e totalmente inesperadas. Desde os personagens cheios de carisma at&eacute; a qualidade da anima&ccedil;&atilde;o (isso sem falar da excelente banda sonora, que inicia com um rap e tem uma linda can&ccedil;&atilde;o de encerramento), al&eacute;m das &oacute;timas cenas de ac&ccedil;&atilde;o, Samurai Champloo tem tudo para ser um novo super hit, incorporando a vis&atilde;o &#8220;suja&#8221; da vida dos samurais que j&aacute; conhecemos de Blade of the Immortal \/L&acirc;mina do Imortal.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, os autores da s&eacute;rie mostram uma maturidade e consci&ecirc;ncia muito grande ao fazer um tipo de &#8220;balan&ccedil;o&#8221; de como a m&iacute;stica dos samurais &eacute; vista dentro e fora do Jap&atilde;o e ao apresentar factos hist&oacute;ricos mostrando a intersec&ccedil;&atilde;o entre a cultura japonesa e a ocidental. Esta mistura de conceitos aparece logo no &#8220;opening&#8221; onde imagens de samurais s&atilde;o misturados com m&uacute;sica rap, causando de imediato uma sensa&ccedil;&atilde;o de estranheza.<\/p>\n<p>Na s&eacute;rie existem v&aacute;rias figuras &#8220;t&iacute;picas&#8221; das hist&oacute;rias de samurais, mas tamb&eacute;m personagens completamente modernos apresentados com um guarda-roupa diferente (como, por exemplo, no epis&oacute;dio do espadachim fanfarr&atilde;o que queria matar Jin e andava o tempo todo seguido por um carinha que fazia tocava m&uacute;sica rap&#8230;).<\/p>\n<p>O nome da s&eacute;rie (que est&aacute; escrita em romaji no &#8220;opening&#8221;) &eacute; intrigante. No in&iacute;cio, muita gente brincava com o t&iacute;tulo dizendo que era Samurai Shampoo&#8230; Mas agora, e depois de vermos as v&aacute;rias pistas como a estrutura da s&eacute;rie, o disco de vinil, o rap e o scratch da abertura, tenho uma teoria de que a equipa de produ&ccedil;&atilde;o da s&eacute;rie fez um jogo de palavras e que realmente a s&eacute;rie deveria se chamar Samurai Sample (que em japon&ecirc;s poderia ser escrito como sanpuru ou chanpuru), j&aacute; que a hist&oacute;ria apresenta uma s&eacute;rie de samples (amostras) da vida no tempo dos samurais atrav&eacute;s de uma colagem como nas m&uacute;sicas de rap, onde o &#8220;samplear&#8221; &eacute; uma pr&aacute;tica comum (ou seja, se utilizam trechos de m&uacute;sicas j&aacute; conhecidas, formando uma colagem musical que d&aacute; origem a uma nova m&uacute;sica. Inclusive, na m&uacute;sica de abertura eles falam em sampling). N&atilde;o sei se isso &eacute; certo, mas estaria bem de acordo com o esp&iacute;rito maroto e refinado do pessoal da produ&ccedil;&atilde;o. Imperd&iacute;vel!<\/p>\n<p><b>Escrito por: Selma Meireles<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fuu, uma jovem espevitada e cheia de determina&ccedil;&atilde;o, trabalha numa hospedaria como empregada. 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