{"id":7851,"date":"2001-01-01T00:00:00","date_gmt":"2001-01-01T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7851"},"modified":"2012-09-17T13:48:51","modified_gmt":"2012-09-17T14:48:51","slug":"espadas-japonesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cultu\/espadas-japonesas\/","title":{"rendered":"Espadas Japonesas"},"content":{"rendered":"<p>No ano de 1944, um pouco depois do fim da 2&ordf; Guerra Mundial, uma antrop&oacute;loga da Universidade de Colombia nos Estados Unidos, chamada Ruth Benedict levava a cabo um trabalho muito especial: estava a escrever um ensaio que permitia entender de um prisma ocidentalizado o comportamento japon&ecirc;s. Uns anos depois aquele mesmo ensaio se converteu num conhecido livro fundamental para toda aquele que deseja conhecer o esp&iacute;rito japon&ecirc;s &#8211; &#8220;A Espada e o Crisantemo&#8221;.<\/p>\n<p>Mediante as duas palavras que compo&ecirc;m o t&iacute;tulo desta obra a autora tentava expressar de uma forma metaf&oacute;rica duas maneiras na forma de pensar &#8211; o estoicicismo e a sensibilidade, a cortesia e a intolor&acirc;ncia &#8211; partindo dos conceitos muito representativos da cultura japonesa.<\/p>\n<p>No caso da espada corresponde a um artigo tradicional que interessa ao colecionador de armas como ao mercado de pe&ccedil;as ornamentais. Esta tend&ecirc;ncia &eacute; generalizada no Jap&atilde;o e alastrou ao resto do mundo, ao ponto que a sua fabrica&ccedil;&atilde;o ter sido em grandes quantidades ou mesmo em s&eacute;rie. &Eacute; assim mais que prov&aacute;vel que muitas destas espadas tenham uma antiguidade significativa &#8211; anterior &agrave; Era Meijin &#8211; para um colecionador sem que elas tenham sido fabricadas em solo japon&ecirc;s. Muitas destas espadas procediam de lugares t&atilde;o distantes como Alemanha ou Espanha, tendo sido criadas, sob a supervis&atilde;o de um mestre na fabrica&ccedil;&atilde;o de espadas japonesas.<\/p>\n<p>Ao falarmos destas pe&ccedil;as cl&aacute;ssicas fabricadas artesanalmente por mestres espadeiros anteriores ao s&eacute;c. XIX, temos que falar no processo de cria&ccedil;&atilde;o da l&acirc;mina que sup&otilde;e um exerc&iacute;cio de t&eacute;cnica e dedica&ccedil;&atilde;o realmente merit&oacute;ria. Tal era a especializa&ccedil;&atilde;o que a feitura da l&acirc;mina exigia que, geralmente, o mestre se dedicava unicamente &agrave; forja e ao &#8220;tempo da l&acirc;mina&#8221;, deixando para os outros artes&atilde;os, elementos como a <b>Tsuba<\/b>, a decora&ccedil;&atilde;o, etc&#8230;<\/p>\n<p>Para criar uma l&acirc;mina com o peso e densidade adequados, era preciso golpear e alisar o a&ccedil;o, bater-lhe sobre si mesmo e repetir o dito processo sucessivas vezes at&eacute; alcan&ccedil;ar os objectivos desejados. Calcula-se que o n&uacute;mero de golpes necess&aacute;rios para come&ccedil;armos a considerar uma l&acirc;mina como sendo de qualidade &eacute; de 32.500 vezes. &Eacute; poss&iacute;vel apreciar o a&ccedil;o da espada colocando-a em direc&ccedil;&atilde;o a um foco de luz e enclinar uns graus e observar a sua superf&iacute;cie.<\/p>\n<p>O desenho de uma l&acirc;mina japonesa &eacute; caracter&iacute;stica: forte no fio e mais flex&iacute;vel no corpo, com fim de proporcionar uma melhor elasticidade &agrave; espada. Logo &agrave; promeira vista as diferen&ccedil;as com as espadas ocidentais s&atilde;o evidentes, um dos aspectos &eacute; o desenho recto em compara&ccedil;&atilde;o com o &#8220;curvo&#8221; das espadas japonesas. A raz&atilde;o para este facto &eacute; que a arma japonesa estava ou foi desenhada para cortar e n&atilde;o para atravessar &#8211; a curvatura favorece a circula&ccedil;&atilde;o de are impede que a espada entre pelo corpo.<\/p>\n<p>Uma vez finalizado o trabalho finalizada a fabrica&ccedil;&atilde;o da espada, incia-se o turno da &#8220;experimenta&ccedil;&atilde;o&#8221; da espada. Este trabalho &eacute; t&atilde;o importante como o do &#8220;espadeiro&#8221;, a tal ponto que acabado o teste, num lugar escondido do resto das pessoas, tanto o criador como o utilizador da espada falavam caso necess&aacute;rio algumas modifica&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Para validar a espada era preciso efectuar uma s&eacute;rie de golpes exactos sobre determinados pontos de um espantalho criado para tal fim. Como data macabra, durante a &eacute;poca <b>Tokugawa<\/b> a prova das espadas chegaram-se a realizar utilizando corpos de cad&aacute;veres &#8211; &eacute; preciso dizer-se que este m&eacute;todo abandonou-se faz muito tempo, pese embora a sua fiabilidade dos factos.<\/p>\n<p>Visto que para a fabrica&ccedil;&atilde;o destas armas formid&aacute;veis requeriam muito trabalho, &eacute; f&aacute;cil explicar que um grande mestre nunca criava mais do que 100 espadas em toda a sua vida. Como consequ&ecirc;ncia, as boas pe&ccedil;as escasseiam e s&atilde;o consideradas aut&ecirc;nticos objectos de culto pelos coleccionistas e n&atilde;o s&oacute;. Por surpreendente que nos pare&ccedil;a, aquelas l&acirc;minas de melhor qualidade s&atilde;o de perten&ccedil;a de museus ou colec&ccedil;&otilde;es particulares, e s&atilde;o mantidas em suportes sem se estragarem com o resto dos elementos da espada, para que se possam apreciar em toda a sua perfei&ccedil;&atilde;o. O seu pre&ccedil;o &eacute; simplesmente incalcul&aacute;vel.<\/p>\n<p>Como dado curioso, de entre as pe&ccedil;as mais cotadas encontram-se as de um fabricante com um nome conhecido para os amantes do anime\/manga: <b>Masamune Shirow<\/b>. O autor de Ghost In The Shell escolheu este nome como pseud&oacute;nimo que melhor poderia definir um artista, um homem equiparado aos outros mestres artes&atilde;os da categoria de Stradivarius.<\/p>\n<p>Os tipos de espadas existentes s&atilde;o variados. A mais conhecida, a <b>Katana<\/b>, &eacute; a cl&aacute;ssica espada japonesa. Tamb&eacute;m conhecida temos a <b>Wakizashi<\/b>, que cortava mais que a katana, e era utilizada como espada auxiliar. Juntas formavam o que se chama de <b>Daisho<\/b> (grande-pequena), s&oacute; a classe samurai &eacute; que tinha o privil&eacute;gio de usar esta combina&ccedil;&atilde;o de espadas.<\/p>\n<p>Mais largo que a Katana &eacute; o sabre, o <b>Tachi<\/b>, uma arma mais antiga, mais s&oacute;lida e larga que a Katana; outra arma tamb&eacute;m conhecida &eacute; o <b>Tanto<\/b>, arma de pequeno tamanho que se encontra entre o punhal e a espada curta. Ainda existem outras espadas menos conhecidas ou utilizadas, como por exemplo, a <b>NAGINATA<\/b>, de longitude superior a do tachi, o <b>HAMIDASHI<\/b>, um punhal de pequeno tamanho, e o <b>Ko-GATANA<\/b> ou estilete, entre outras.<\/p>\n<p>Para concluir, e dificil de falar de espadas sem fazer uma r&aacute;pida men&ccedil;&atilde;o ao <b>KENDO<\/b>, o desporto de esgrima japonesa, cuja fama no Jap&atilde;o &eacute; t&atilde;o grande que existe desde o col&eacute;gio e onde existe uma grande quantidade de praticantes. Desporto de origem b&eacute;lica, foi codificado e regulamentado durante o per&iacute;odo <b>EDO<\/b>.<\/p>\n<p>Basicamente, existem quatro golpes que se &#8220;avisam&#8221; mediante gritos. O uniforme para a pratica do kendo &eacute; bastante complicado, ele se comp&otilde;e de <b>keikogi<\/b> ou camiza cruzada, as cal&ccedil;as ou <b>hakama<\/b>, desenhado de forma largo para n&atilde;o se notar o movimento das pernas e a caracter&iacute;stica mascara protectora, a <b>men<\/b>, que &eacute; acompanhada pela <b>do<\/b>, colete para cobrir a caixa t&oacute;raxica. O conjunto se completa com umas resistentes luvas e o <b>tare<\/b>, o protector dos rins e baixo torax. Finalmente, o equipamento completo termina com o <b>shinai<\/b>, o sabre de madeira substituido pelo original de a&ccedil;o.<\/p>\n<p><b>Escrito por Ricardo L&oacute;pez<br \/>\ntraduzido por ClubOtaku<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No ano de 1944, um pouco depois do fim da 2&ordf; Guerra Mundial, uma antrop&oacute;loga da Universidade de Colombia nos Estados Unidos, chamada Ruth Benedict levava a cabo um trabalho&nbsp;[ &hellip; ]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1283,10],"tags":[1326,1327],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7851"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7851"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7851\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7851"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7851"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7851"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}