{"id":7860,"date":"2005-06-02T23:00:00","date_gmt":"2005-06-02T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7860"},"modified":"2015-06-30T21:26:43","modified_gmt":"2015-06-30T22:26:43","slug":"superflat","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cultu\/superflat\/","title":{"rendered":"Superflat"},"content":{"rendered":"<p>Fruto de uma sociedade sobrecarregada de imagens, que enchem o quotidiano japon&ecirc;s, o movimento art&iacute;stico conhecido por Superflat &eacute; uma reflex&atilde;o do artista Takashi Murakami, que formulou para a suas obras um conjunto de caracter&iacute;sticas que depressa de tornaram um manifesto partilhado por alguns artistas, designers e criadores de Anime e Manga japoneses.<\/p>\n<p>Inicialmente o percurso de Murakami, que fez uma licenciatura, um mestrado e um doutoramento na Universidade Nacional de Belas Artes e M&uacute;sica de Toquio, foi o de estudar intensivamente a arte do per&iacute;odo Edo (1615-1868), sobretudo a amalgama de influ&ecirc;ncias orientais e ocidentais que comp&ocirc;em o estilo Nihonga (ou Niho-ga como tamb&eacute;m &eacute; conhecido).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/11047.jpg\" alt=\"1\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19937\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/11047.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/11047-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Embora inovador, este tipo de express&atilde;o art&iacute;stica, reconhecida como uma revolu&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica que apenas teve um paralelo no Modernismo ocidental centenas de anos depois, n&atilde;o expressava o que &eacute; o actual sentimento art&iacute;stico japon&ecirc;s, o que levou Murakami a interrogar-se sobre o que poderia ser realmente a Arte num Jap&atilde;o actual, dominado pela publicidade e com um sistema econ&oacute;mico extremamente r&iacute;gido e competitivo mundialmente.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s uma viagem a Nova Iorque em 1989, onde pode constatar abordagens art&iacute;sticas diferentes, Murakami come&ccedil;ou uma busca sobre o real significado das imagens que rodeavam o quotidiano p&oacute;s-moderno japon&ecirc;s e sobretudo o estudo da subcultura Otaku. Dessa reflex&atilde;o nasceu o conceito  Superflat e uma exposi&ccedil;&atilde;o colectiva, com o mesmo nome, que foi mostrada em v&aacute;rias cidades mundiais depois de 2000.<\/p>\n<p>Esta exibi&ccedil;&atilde;o, a mais completa mostra de nova imagem japonesa re&uacute;ne trabalhos de art&iacute;stas como Henmaru Machino, Yoshitomo Nara, Chiho Aoshima, Koji Morimoto, Shigeyoshi Ohi, Kentaro Takekuma, Groovisions e claro de Murakami, entre outros, unidos numa an&aacute;lise sarc&aacute;stica da sociedade de consumo japonesa, onde imagens kawai-i, inspiradas por obras de Anime ou Manga e associadas a um grafismo &#145;t&iacute;picamente&#146; japon&ecirc;s Pop, s&atilde;o distorcidas e retiradas dos seus contextos iniciais. O uso de insinua&ccedil;&otilde;es (muitas vezes de teor sexual) e o humor negro &#145;t&iacute;pico&#146; dos Otakus gera nas obras destes autores (e em Murakami em particular) uma cr&iacute;tica amb&iacute;gua e muitas vezes pouco clara, mas sempre mordaz e &#145;incorrecta&#146;.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2647.jpg\" alt=\"2\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19938\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2647.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2647-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>O pr&oacute;prio nome deste conceito revela a falta de profundidade e perspectiva (literal) desde sempre nas artes gr&aacute;ficas japonesas, que usavam a deforma&ccedil;&atilde;o das formas para conseguirem expressar essa profundidade, sempre tendo como pontos de refer&ecirc;ncia os quatro cantos da superf&iacute;cie onde eram realizadas.<\/p>\n<p>Usando esta distor&ccedil;&atilde;o como ponto de partida e o imenso universo Pop das obras de Anime e Manga e dos produtos baratos de merchandising que copiavam (muitas vezes infringindo as leis de copyright) superher&oacute;is e personagem conhecidas da cultura popular ocidental, estes artistas contruiram um universo art&iacute;stico onde o que pode ser considerado Arte &eacute; destruido, para dar lugar a uma imensa galeria de personagens Pop de consumo de massas. Ter&aacute; sido talvez por isso que quando esta nova vaga da Arte japonesa tomou de surpresa o p&uacute;blico ocidental, a maior parte dos cr&iacute;ticos de arte apressou-se a fazer um paralelo, em parte &uacute;til e acurado, com o movimento Pop americano dos anos 60 e comparou Murakami a Andy Warhol. O Superflat traduz de facto o que &eacute; o Pop japon&ecirc;s, na sua forma mais imediata, e um dos objectivos de Murakami e dos seus companheiros de &#145;luta&#146; foi sempre o de fazer uma comercializa&ccedil;&atilde;o das obras, acess&iacute;vel ao p&uacute;blico em geral.<\/p>\n<p>Tal como a obra de Warhol, o Superflat tornou-se um movimento de reciclagem das imagens banais do quotidiano, que transformadas, chegam ao &#147;consumidor&#148; (um conceito-chave para ambos Warhol e Murakami), atrav&eacute;s dos mais variados modos, e de forma acess&iacute;vel, quase entendendo que poderiam ser vendidas at&eacute; no mais normal supermercado. Murakami apresenta-se desde logo como um bem sucedido &#145;business man&#146; que vende muito do seu merchadising a pre&ccedil;os baixos, por vezes ap&oacute;s fazer estudos de mercado, enquanto produz monumentais pe&ccedil;as &uacute;nicas que ser&atilde;o vendidas a pre&ccedil;os exorbitantes para o comum dos mortais.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m a pose, a falsa preten&ccedil;&atilde;o, o sarcasmo oculto e a ingenuidade s&atilde;o constantes de ambos estes dois artistas, sendo Murakami um &#145;descrente&#146; da &#145;verdade&#146; do conceito art&iacute;stico, conceito esse que foi &#145;importado&#146; para o Jap&atilde;o apenas no s&eacute;culo XIX, sendo as diversas formas art&iacute;sticas japonesas at&eacute; ent&atilde;o, apenas formas de enternimento divididas pelos gostos das variadas classes sociais. <\/p>\n<p>O que o Superflat veio trazer foi a percep&ccedil;&atilde;o de que todos os produtos de entertenimento que nos rodeiam (com as suas personagens simultaneamente kawaii e transloucadas), podem ser, ou s&atilde;o, de facto, Arte.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3591.jpg\" alt=\"3\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19939\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3591.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3591-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>Se isso ser&aacute; v&aacute;lido ou reconhecido pelas massas de consumidores, &eacute; discut&iacute;vel, mas de certa forma artistas como Takashi Murakami ou Hanmaru Machino, que partilham uma vis&atilde;o amargurada, negativa e por vezes at&eacute; apocal&iacute;ptica do Jap&atilde;o actual, j&aacute; criaram (ou recriaram) os avatares para todos n&oacute;s que estamos inseridos numa sociedade de consumo e que &#145;mastigamos&#146; as suas imagens de uma forma t&atilde;o natural.<\/p>\n<p>Resta apenas agora olhar para a nossa cultura popular, tal como o fizeram no Jap&atilde;o estes art&iacute;stas, e apreciar o que poder&aacute; ser a arte no s&eacute;culo XXI, atrav&eacute;s dos nossos leitores de DVD, das nossas consolas de jogos e computadores e das nossas revistas de consumo massificado.<\/p>\n<p><b>Escrito por: Nuno Barradas<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fruto de uma sociedade sobrecarregada de imagens, que enchem o quotidiano japon&ecirc;s, o movimento art&iacute;stico conhecido por Superflat &eacute; uma reflex&atilde;o do artista Takashi Murakami, que formulou para a suas&nbsp;[ &hellip; ]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":19939,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1283,10],"tags":[1342,1341,1339,1340],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7860"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7860"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7860\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":19940,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7860\/revisions\/19940"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media\/19939"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7860"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7860"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7860"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}