{"id":7904,"date":"2005-10-19T23:00:00","date_gmt":"2005-10-19T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7904"},"modified":"2005-10-19T23:00:00","modified_gmt":"2005-10-19T23:00:00","slug":"love-t-k-o-headturner","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/music\/love-t-k-o-headturner\/","title":{"rendered":"Love T.K.O &#8211; HeadTurner"},"content":{"rendered":"<p>Antes de mais, &eacute; necess&aacute;rio contextualizar os dias que se viviam, pouco tempo antes do meio da d&eacute;cada de 90. O gira-discos, era redescoberto, e a sua posi&ccedil;&atilde;o no mundo pop, ganhavas novas fun&ccedil;&otilde;es. J&aacute; n&atilde;o constituia apenas um aparelho de reprodu&ccedil;&atilde;o sonora, o intuito com que nasceu, nem somente catalizador das vontades do corpo e da alma como usado na jamaica, e a fun&ccedil;&atilde;o de suporte sonoro, quer para os &#147;puzzles&#148; dos compositores electro-ac&uacute;sticos ou para a nova forma de can&ccedil;&atilde;o-protesto, o &#147;rap&#148;. <\/p>\n<p>Agora o gira-discos, ganhava vida pr&oacute;pria como instrumento associado a um &#147;sampler&#148;. Os Massive Attack, pegaram nele em vez de uma guitarra, e construiram can&ccedil;&otilde;es, os Portishead integravam-no numa vers&atilde;o personalizada de elemento de uma normal banda rock, e os vision&aacute;rios da editora londrina Mo Wax, dirigida pelo jovem James Lavelle, fizeram um livro de instru&ccedil;&otilde;es para a utiliza&ccedil;&atilde;o do gira-discos na arte do devaneio pop contaminado pela vanguarda.<\/p>\n<p>N&oacute;s viv&iacute;amos tempos de grande exalta&ccedil;&atilde;o pop, espero t&ecirc;-lo demonstrado no par&aacute;grafo anterior. E na mais sofisticada editora, de onde vieram testemunhos de um novo futuro para o gira-discos, surge um &aacute;lbum cl&aacute;ssico. Tocado por instrumentos verdadeiros, aromatizado por quem sonhava um dia reconstruir a ra&iacute;z da pop de devo&ccedil;&atilde;o negra. Eram sobretudo japoneses, vindos do grupo de DJ&#146;s Major Force. <\/p>\n<p>Ali&aacute;s, o Jap&atilde;o dispunha de refer&ecirc;ncias fortes no mapa da eletr&oacute;nica. Yellow Magic Orchestra, erguia um mundo tecnol&oacute;gico com Tecnodon, e daqui Riyuchi Sakamoto aprendia o teorema b&aacute;sico da fus&atilde;o do &#147;Quarto Mundo&#148; do criador Jon Hassell, usando as m&aacute;quinas apenas como meio de c&aacute;lculo, enquanto isso, a &#147;bossanova&#148; e o &#147;hard-bop&#148; eram ressuscitados por uma organiza&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel para salvar almas em perdi&ccedil;&atilde;o &#150; &#147;United Future Organization&#148;.<\/p>\n<p>As refer&ecirc;ncias, s&atilde;o vastas. O t&iacute;tulo &#150; j&aacute; repararam? &#150; quase era uma imita&ccedil;&atilde;o de &#147;Head Hunters&#148; de Herbie Hancock. E a m&uacute;sica, fluia entre o registo soul, jazz, uma suave pincelada de rock, visitando &aacute;frica e os seus tabus, ou nunca esquecendo a evoca&ccedil;&atilde;o ao deus do cosmos Sun Ra. Agora, &eacute; natural&iacute;ssimo encontrarmos dj&#146;s integrados em bandas tradicionais, m&uacute;sicos de consci&ecirc;ncia virtual a tentarem viver a vida tal como esta nasceu, e a cartografia por se orientam, mas do que nunca reablita os anos 70, onde a soul, o jazz, o funk e o rock, nem sempre tinham fronteiras definidas.<\/p>\n<p>Mas em 1994, para quem tinha acabado de ser conquistado para o mundo da pop electr&oacute;nica, tendo feito a sua forma&ccedil;&atilde;o nos s&oacute;lidos can&ocirc;nes da can&ccedil;&atilde;o dos anos 80, e estava ainda longe de conhecer as paisagens de encontro do classicismo com o modernismo de Miles Davis, o &#147;rare groove&#148; dos anos 70 e at&eacute; o m&aacute;gico da alquimia africana, Fela Kuti, por exemplo, deliciava-se com os Love T.K.O. .<\/p>\n<p>E hoje, tendo inciado a aprendizagem do momento em que a r&eacute;gua de c&aacute;lculo come&ccedil;a a dar &agrave;s contas do transistor, &#147;Head Turner&#148; &eacute; ouvido ainda com mais aten&ccedil;&atilde;o, pois com uma cultura musical um pouquinho maior, reconhecem-se melhor os sinais de liberdade e estudo criativos, presentes de forma subtil, e que eu n&atilde;o entendia por falta de conhecimento. Al&eacute;m disso, foi prof&eacute;tico. Vejam os casos dos Cinematic Orchestra, ou de toda a vaga azul vinda do Norte da Europa.<\/p>\n<p><b>Autor:Paulo Sebasti&atilde;o<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Antes de mais, &eacute; necess&aacute;rio contextualizar os dias que se viviam, pouco tempo antes do meio da d&eacute;cada de 90. 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