{"id":7911,"date":"2005-11-11T00:00:00","date_gmt":"2005-11-11T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7911"},"modified":"2013-10-25T12:37:55","modified_gmt":"2013-10-25T13:37:55","slug":"toshiro-mifune","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cinem\/toshiro-mifune\/","title":{"rendered":"Toshiro Mifune"},"content":{"rendered":"<p>Para muita gente o nome Toshiro Mifune instantaneamente remeter\u00e1 para uma imagem mental de um Samurai de olhar amea\u00e7ador e empunhando uma katana. De facto essa ser\u00e1 a sua &#8216;imagem de marca&#8217; na cultura popular do s\u00e9culo XX, aquela que muitos admiradores ainda rev\u00eam vezes sem conta em filmes como \u201cSete Samurais\u201d ou \u201cYojimbo\u201d.<\/p>\n<p>Sanchuan Minlang (o nome chin\u00eas de Mifune), nasceu a 1 de Abril de 1920, filho de pais japoneses emigrados na Manch\u00faria, na altura um enclave japon\u00eas na China, nunca tendo visitando o Jap\u00e3o at\u00e9 ter sido alistado na for\u00e7a a\u00e9rea japonesa, no in\u00edcio da Segunda Guerra Mundial, quando tinha 20 anos.<\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-8828\" href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cinem\/toshiro-mifune\/attachment\/1-83\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8828\" title=\"1\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/179.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/179.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/179-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Desde cedo, o soldado Mifune desenvolveu uma revolta contra o sistema militar japon\u00eas e sobretudo contra o idealismo cerrado dos oficiais, que exteriorizava de uma forma agressiva perante os seus superiores, agressividade essa que ficaria mais tarde registada sobretudo nos seus pap\u00e9is mais &#8216;viscerais&#8217;, sobretudo nos filmes de Kurosawa. Essa violenta revolta, que muitas vezes se traduzia em discuss\u00f5es verbais acesas e tentativas de agress\u00e3o f\u00edsica a oficiais ter\u00e3o poupado a vida a Mifune, que em 5 anos de carreira militar ter\u00e1 sempre ficado fora de qualquer promo\u00e7\u00e3o de carreira, o que implicava n\u00e3o poder participar em miss\u00f5es a\u00e9reas mais arriscadas, as mesmas que dizimaram esquadr\u00f5es inteiros durante esse conflito mundial.<\/p>\n<p>Desde cedo Toshiro Mifune revelou uma predilec\u00e7\u00e3o por Fotografia, a profiss\u00e3o do pai, interesse que manteve durante o seu per\u00edodo militar e que o levou a concorrer a uma vaga de emprego como assistente de camera na Toho, na altura a maior companhia de cinema japonesa, logo a seguir \u00e0 Guerra.<\/p>\n<p>Desmobilizado da For\u00e7a A\u00e9rea, logo ap\u00f3s a derrota do Jap\u00e3o, e apenas com a roupa que tinha no corpo, Mifune encontrava-se perdido em T\u00f3quio e sem grandes esperan\u00e7as de encontrar emprego e por isso, quando chamado ao est\u00fadio para prestar provas, nem sequer hesitou. Nasce aqui a lenda do mais conhecido actor japon\u00eas do S\u00e9culo XX, quando, segundo alguns bi\u00f3grafos e amigos, a candidatura de emprego foi mal direccionada e acabou por ir parar ao concurso de castings para novos actores. Reagindo de forma violenta \u00e0s perguntas do juri de selec\u00e7\u00e3o, muito por culpa do mal entendido com a sua candidatura de emprego, Mifune chamou a aten\u00e7\u00e3o a Kajiro Yamamoto, um dos realizadores mais conhecidos do est\u00fadio e a um dos mais promissores jovens realizadores, Akira Kurosawa, que viu daquela figura rebelde e expressiva o seu alter-ego nas pel\u00edculas que iria realizar das quais Roshomon, Os Sete Samurais, Yojimbo e Kumonosu-jo (conhecido no Ocidente atrav\u00e9s do seu &#8216;t\u00edtulo americano&#8217; Throne of Blood) catapultaram o realizador e o seu actor favorito para a fama mundial.<\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-8829\" href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cinem\/toshiro-mifune\/attachment\/2-83\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8829\" title=\"2\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/279.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/279.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/279-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>As qualidades expressivas de Mifune, raras no cinema nip\u00f3nico at\u00e9 aquela data, criaram uma \u2018escola\u2019 na forma de representar, extremamente imitada e plagiada, quer no Jap\u00e3o, quer posteriormente na \u00c1sia, na Europa e nos Estados Unidos. Uma das hist\u00f3rias de \u2018back stage\u2019 que costumam contar sobre o estilo de representa\u00e7\u00e3o de Mifune \u00e9 aquela do \u2018calculista\u2019 e influente Sergio Leone, que ter\u00e1 exigido a Clint Eastwood para estudar a forma fria e amea\u00e7adora como Mifune se movia em Yojimbo, de forma a criar a personagem de Joe em \u201cPor um Punhado de D\u00f3lares\u201d, filme que de resto gerou a Leone muitos dissabores com Kurosawa, j\u00e1 que se tratava de um pl\u00e1gio do argumento de Yojimbo. Este estilo pr\u00f3prio de representar um \u2018good bad guy\u2019, como lhe chamou Eastwood posteriormente, marcou para sempre todo o cinema, do Western Spaguetti ao cinema de ac\u00e7\u00e3o de Hong Kong.<\/p>\n<p>Obviamente que muito deste estilo de representa\u00e7\u00e3o, nem sempre encarado como brilhante, (sobretudo por alguns \u2018pouco qualificados\u2019 cr\u00edticos americanos de cinema da altura que viam em Mifune um \u2018John Wayne japon\u00eas\u2019 de talento menor), foi crescendo \u00e0 medida que Kurosawa moldava com precis\u00e3o todos os leading role que Mifune representou em filmes do realizador, ao todo 16 entre 1948 e 1965. Aquele que projectou Mifune para a fama fora do Jap\u00e3o ter\u00e1 sido \u201cRoshomon\u201d, vencedor do Festival de Veneza em 1953, dando tamb\u00e9m a possibilidade a Mifune de participar em filmes produzidos em outros pa\u00edses, algo nem sempre bem visto pelo \u2018protectivo\u2019 Kurosawa.<\/p>\n<p>Talvez por isso, e causando admira\u00e7\u00e3o entre fans e cr\u00edticos de cinema simultaneamente, ambos decidiram em meados dos anos 60 de n\u00e3o colaborar mais em qualquer projecto juntos, dando a Mifune mais espa\u00e7o para seguir a sua carreira em pap\u00e9is mais arriscados sem a interfer\u00eancia cr\u00edtica de Kurosawa. Filmes como \u201cGrand Prix\u201d (de John Frankenheimer, 1968), \u201cHell in the Pacific\u201d (John Boorman, 1968) ou \u201cRed Sun\u201d (Terence Young, 1972) consolidaram a sua fama mundial. Entretanto, os pap\u00e9is de Samurai que representou para Kurosawa colocaram Mifune na lista de actores de refer\u00eancia para a nova gera\u00e7\u00e3o de cineastas americanos dos anos 70, donde podemos destacar Steven Spielberg (que o convidou para um papel no seu genial e esquecido \u201c1941\u201d, de 1979) ou George Lucas, que inicialmente pensou em Mifune para o papel de Obi Wan Kenobi em \u201cStar Wars\u201d (1977).<\/p>\n<p>Em cerca de 126 filmes para cinema e 17 filmes e s\u00e9rie para televis\u00e3o, Mifune revelou que n\u00e3o era apenas um actor perfeito encarnar a figura de samurais de olhar severo ou her\u00f3i carrancudo. Mifune interpretou yakuzas, m\u00e9dicos (como numa das suas maiores interpreta\u00e7\u00f5es de sempre, a do Dr. Barba Vermelha, no filme com de Kurosawa com o mesmo nome), de vagabundo, empres\u00e1rio &#8216;self made man&#8217;, de pol\u00edcia, de Her\u00f3i &#8216;low life&#8217; mexicano (no bizarro \u201c\u00c1nimas Trujano (El hombre importante)\u201d do mexicano Ismael Rodriguez), pirata, militar, bandido, ca\u00e7ador de tesouros, marinheiro, figura mitol\u00f3gica, protagonista de filmes rom\u00e2nticos e ocasionalmente figurante ou com pap\u00e9is secund\u00e1rios em v\u00e1rias com\u00e9dias ligeiras e filmes de salarymen e claro, in\u00fameros &#8220;cameos&#8221; em dezenas de filmes ao longo das \u00faltimas d\u00e9cadas da sua carreira.<\/p>\n<p><a rel=\"attachment wp-att-8830\" href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cinem\/toshiro-mifune\/attachment\/3-83\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8830\" title=\"3\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/379.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/379.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/379-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Muitos destes filmes, onde participou apenas por press\u00f5es contratuais e posteriormente para salvar da fal\u00eancia o est\u00fadio que criou em 1963, a Mifune Productions, revelavam tamb\u00e9m muitas vezes facetas menos conhecida do actor, como a de extrema humildade com que encarava a sua profiss\u00e3o e o risco que gostava de viver, mesmo quando arriscava a sua estabilidade financeira, ajudando realizadores que procuravam furar o dif\u00edcil &#8220;establishment&#8221; do cinema japon\u00eas, como Kihachi Okamoto (realizador do violentamente belo \u201cSamurai\u201d, de 1965, mais conhecido como \u201cSamurai Assassin\u201d).<\/p>\n<p>Quando morreu, na noite de Natal de 1997, Mifune tinha j\u00e1 encontrado a imortalidade na figura do Samurai de olhar penetrante, marcando para sempre o cinema mundial e gerando e propagando muitos dos mitos e linguagens da cultura nip\u00f3nica por todo o mundo.<\/p>\n<p><strong>Leitura recomendada:<\/strong><br \/>\nThe Emperor and the Wolf \u2013 The lives and films of Akira Kurosawa and Toshiro Mifune, Stuart Galbraith IV, Faber and Faber, 2001<\/p>\n<p><strong>Autor: Nuno Barradas<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para muita gente o nome Toshiro Mifune instantaneamente remeter\u00e1 para uma imagem mental de um Samurai de olhar amea\u00e7ador e empunhando uma katana. 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