{"id":7918,"date":"2005-11-21T00:00:00","date_gmt":"2005-11-21T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7918"},"modified":"2013-10-25T12:40:49","modified_gmt":"2013-10-25T13:40:49","slug":"monkey-saiyuki","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cinem\/monkey-saiyuki\/","title":{"rendered":"Monkey (Saiyuki)"},"content":{"rendered":"<p>Monkey, &eacute; uma das s&eacute;ries nip&oacute;nicas (de &#8220;live action&#8221; entenda-se) que mais culto criou fora das fronteiras desse pa&iacute;s, sendo ainda hoje uma das maiores refer&ecirc;ncias para uma gera&ccedil;&atilde;o inteira de tele-espectadores, n&atilde;o s&oacute; no Jap&atilde;o, como na Austr&aacute;lia e sobretudo no Reino Unido.<\/p>\n<p>Saiyuki, o t&iacute;tulo original da s&eacute;rie, foi produzida para celebrar os 25 anos da Nihon Television (NTV), que apostou fortemente num formato de com&eacute;dia para o prime-time de Domingo, tentando responder &agrave; popularidade das s&eacute;ries dram&aacute;ticas da esta&ccedil;&atilde;o NHK. A equipa de produ&ccedil;&atilde;o usou o cl&aacute;ssico da literatura chinesa &#147;Hsi yu ch&#8217;I&#148; (Saiyuki em japon&ecirc;s, e que pode ser traduzido como &#8220;Relato de uma Viagem ao Ocidente&#8221;) como ponto de partida para criar um dos mais bizarros e hilariantes argumentos que alguma vez foi feito em televis&atilde;o at&eacute; &agrave; altura, que cativou automaticamente o p&uacute;blico japon&ecirc;s e que conheceu uma grande fama junto do p&uacute;blico brit&acirc;nico, j&aacute; habituado &agrave; com&eacute;dia de contornos delirantes e sarc&aacute;sticos de produ&ccedil;&atilde;o nacional.<\/p>\n<p>Este cl&aacute;ssico da literatura oriental relata as aventuras do monge chin&ecirc;s Hsuan-Tsang, tamb&eacute;m conhecido como Tripitaka, que no s&eacute;culo VII fez uma longa viagem at&eacute; &agrave; India para adquirir manuscritos budistas. Pelo caminho Tripitaka contou com a ajuda dos esp&iacute;ritos de um peixe, de um porco e do imortal e m&aacute;gico Macaco Rei, todos eles expulsos do para&iacute;so e prisioneiros dos deuses devido aos seus actos, mas libertados de forma a ajudarem Tripitaka a conseguir ultrapassar as dificuldades que encontrou pelo caminho. Os deuses ofereceram tamb&eacute;m ao monge os servi&ccedil;os de um drag&atilde;o, mais um prisioneiro dos deuses, transformado no cavalo que transportar&aacute; Tripitaka na sua viagem.<\/p>\n<p>Mais do que um relato linear das aventuras deste grupo, o livro reflecte atrav&eacute;s da suas par&aacute;bolas exc&ecirc;ntricas, ainda mais exageradas pela s&eacute;rie, a condi&ccedil;&atilde;o humana e os defeitos que t&ecirc;m que ser neutralizados de forma a alcan&ccedil;ar a serenidade budista. Cada um dos esp&iacute;ritos dos animais revelam as fraquezas que ligam os humanos ao mundo material. A personagem do Macaco-Rei (na s&eacute;rie chamado Son Goku e na vers&atilde;o dobrada Monkey) revela a impulsividade e agressividade, o esp&iacute;rito do Porco (na s&eacute;rie Cho Hakkai e na vers&atilde;o inglesa Pigsy), originalmente o Senhor dos Ex&eacute;rcitos Divinos foi expulso devido a defeitos semelhantes aos pecados crist&atilde;os da Gula, da Lux&uacute;ria e da Pregui&ccedil;a e o esp&iacute;rito do Peixe (em japon&ecirc;s Sai Gojo, Sandy na vers&atilde;o inglesa, que na s&eacute;rie foi &#8216;adaptado&#8217; a um Kappa, um ser mitol&oacute;gico japon&ecirc;s que vive nos rios e que alguns afirma que se alimenta de carne humana, o que talvez explicar&aacute; o colar de caveiras humanas do personagem) revela o pessimismo e a atitude intelectual racional que gera os erros humanos e a inactividade  de ac&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A NTV juntou um &#8220;cast&#8221; ligado &agrave; com&eacute;dia, j&aacute; conhecido do p&uacute;blico japon&ecirc;s, com o papel principal de Son Goku\/Monkey a ser atribuido a Masaaki Sakai (j&aacute; conhecido por ser o vocalista dos The Spiders,uma banda que alcan&ccedil;ou popularidade nos anos 60, e pelos seus pap&eacute;is c&oacute;micos em alguns filmes do est&uacute;dio Toho). Para Pigsy foi escolhido Toshiyuki Nishida (actor reconhecido sobretudo pelos seus pap&eacute;is de teatro e a suas apari&ccedil;&otilde;es c&oacute;micas na televis&atilde;o, sobretudo a interpretar personagens r&uacute;sticas) e para Sandy foi escolhido Shiro Kishibe, um actor relativamente conhecido pelas suas interpreta&ccedil;&otilde;es em s&eacute;ries televisivas. A escolha mais invulgar foi a de Masako Natsume, uma actriz multifaceta e modelo da campanha publicit&aacute;ria &#8220;Kooky Face&#8221; da Kanebo Cosmetics, para o papel de Tripitaka. Incluindo Natsume na s&eacute;rie, os produtores tentaram criar um Tripitaka algo assexuado e de ar juvenil e puro, prontamente conseguido pela actriz que entretanto somou ainda mais pontos &agrave; j&aacute; sua relevante fama e que deixou o Jap&atilde;o em choque em 1985, quando morreu com apenas 27 anos de leucemia.<\/p>\n<p>Inicialmente foram produzidos 26 epis&oacute;dios com 54 minutos cada, onde parte da hist&oacute;ria da viagem era adaptada de uma forma delirante, de forma a exagerar ainda mais as estranhas aventuras relatadas em Saiyuki. Os elementos Kitsch incluidos na s&eacute;rie pelos produtores foram levados aos extremos do c&oacute;mico (algumas pessoas subtituiriam esta &uacute;ltima palavra por &#8216;mau gosto&#8217;), desde o guarda roupa e caracteriza&ccedil;&atilde;o dos her&oacute;is e dos in&uacute;meros vil&otilde;es, at&eacute; &agrave; banda sonora e o tema do gen&eacute;rico inicial, o conhecido tema Disco &#8220;Monkey Magic&#8221;, acompanhando as perip&eacute;cias do bando de viajantes, perip&eacute;cias essas tamb&eacute;m levadas ao extremo. <\/p>\n<p>Para aumentar ainda mais os atractivos da s&eacute;rie foram criados efeitos especiais bizarros, que t&ecirc;m tanto de rudimentar como de brilhante, particularmente nas cenas de luta, onde Monkey mostra o seu poder m&aacute;gico em situa&ccedil;&otilde;es inesperadas (lutas em nuvens, transforma&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas extremas e monstros indescritivelmente c&oacute;micos s&atilde;o uma constante em toda a s&eacute;rie).<\/p>\n<p>A bizarria fant&aacute;stica de Monkey era complementada pelo exteriorizar de li&ccedil;&otilde;es morais do Budismo (com alguns laivos de Taoismo e da filosofia hippie dos 60s), sempre feitas num tom c&oacute;mico e sarc&aacute;stico que adquiria por vezes contornos at&eacute; impr&oacute;prios para o p&uacute;blico infantil, sobretudo quando s&atilde;o exploradas ambiguidades geradas pelas in&uacute;meras transforma&ccedil;&otilde;es dos personagens ou pelos actos do hilariante Pigsy.<\/p>\n<p>A s&eacute;rie, que come&ccedil;ou a ser exibida no primeiro dia de Outubro de 1978, contava com o talento de in&uacute;meros realizadores, convidados para dirigir cada um dos epis&oacute;dios, donde se destacam Jun Fukuda, nome conhecido para os fans de Godzilla, ou Kazuo Ikehiro, que realizou alguns dos filmes de Zatoichi. Desde logo a s&eacute;rie teve um impacto nas audi&ecirc;ncias, o que levou a mesma equipa a fazer mais 26 epis&oacute;dios, devido aos in&uacute;meros pedidos de tele-espectadores, substituindo Toshiyuki Nishida (empedido de participar devido a outros compromissos profissionais) pelo tamb&eacute;m conhecido c&oacute;mico Tonpei Hidari, que encarnou um Pigsy menos relevante para o desenrolar de cada um dos epis&oacute;dios, e adicionando Shunji Fujimura, que representava Yu-lung, o cavalo de Tripitaka que agora na segunda s&eacute;rie, aparecia frequentemente como uma figura humana.<\/p>\n<p>Por esta altura, a TV brit&acirc;nica BBC resolveu comprar 39 dos 52 epis&oacute;dios da s&eacute;rie (n&atilde;o se sabe ao certo o que levou a BBC a adquirir apenas estes e n&atilde;o o total da s&eacute;rie), tentando responder ao entusiamo que outra s&eacute;rie da NTV, The Water Margin (que tamb&eacute;m foi exibida em Portugal), tinha criado no p&uacute;blico brit&acirc;nico aquando a sua exibi&ccedil;&atilde;o no final dos anos 70. Para adaptar os di&aacute;logos &agrave; dobragem foi escolhido o &#8216;criativo&#8217; David Weir, que j&aacute; tinha feito a adapta&ccedil;&atilde;o de &#8220;The Water Margin&#8221; para ingl&ecirc;s.<\/p>\n<p>Muitos fans de Monkey atribuem a Weir alguma da genialidade dos di&aacute;logos de Monkey, moldando-os ao gosto do p&uacute;blico brit&acirc;nico, que possui um particular sentido de humor a avaliar pela produ&ccedil;&atilde;o de com&eacute;dia do Reino Unido. De facto a adapta&ccedil;&atilde;o e consequente dobragem da s&eacute;rie tornaram Monkey mais acess&iacute;vel ao p&uacute;blico de lingua inglesa, tendo tido um sucesso quase imediato no Reino Unido e posteriormente na Austr&aacute;lia. Outra das &#8216;adapta&ccedil;&otilde;es&#8217; ter&aacute; sido o corte de algumas cenas que se julgavam &#8216;menos necess&aacute;rias&#8217;, de forma obter uma dura&ccedil;&atilde;o de 40\/43 minutos, para incluir os epis&oacute;dios nos formatos hor&aacute;rios da esta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mesmo &#8216;adulterando&#8217; a s&eacute;rie, Weir conseguiu criar um verdadeiro hit de com&eacute;dia com o input de ainda mais non-sense no j&aacute; pouco articulados e coerentes di&aacute;logos da s&eacute;rie, onde at&eacute; as vozes dessincronizadas dos l&aacute;bios dos actores (uma &#8216;qualidade&#8217; do cinema e s&eacute;ries de televis&atilde;o orientais exibidos no &#8216;ocidente&#8217;, muito por culpa do baixo or&ccedil;amento da adapta&ccedil;&atilde;o das obras e sua apressada exporta&ccedil;&atilde;o para outros mercados), que depois se tornou uma das suas &#8216;imagem de marca&#8217;, contribuiu para o culto da s&eacute;rie na Europa, tal como outros produtos vistos como &#145;trash&#146; ou populares, oriundos da China e do Jap&atilde;o nessa altura. <\/p>\n<p>Monkey adquiriu o culto semelhante (em ess&ecirc;ncia, n&atilde;o em grandeza), por exemplo, a muito do cinema de ac&ccedil;&atilde;o de Hong Kong dos anos 70 e 80, tamb&eacute;m na grande maioria dobrado, (basta lembrar os cl&aacute;ssicos de Bruce Lee, que quase nunca foram vistos com a voz original do actor\/mestre de artes marciais), sendo uma s&eacute;rie que gera um fasc&iacute;nio enorme ou um desprezo inclassific&aacute;vel, tal como todos os &#145;objectos de culto&#146; da cultura popular.<\/p>\n<p><b>Nota:<\/b> Desde j&aacute; agrade&ccedil;o o excelente artigo de Nikki White, publicado pela primeira vez na Multiverse&#145;zine em 1981 (e que possui uma transcri&ccedil;&atilde;o on-line em www.monkeyheaven.com\/multiversearticle.html), sem o qual este artigo n&atilde;o possuiria alguns dos factos precisos que apresenta, e as dicas recebidas atrav&eacute;s do forum do ClubOtaku.<\/p>\n<p><b>Escrito por: Nuno Barradas<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Monkey, &eacute; uma das s&eacute;ries nip&oacute;nicas (de &#8220;live action&#8221; entenda-se) que mais culto criou fora das fronteiras desse pa&iacute;s, sendo ainda hoje uma das maiores refer&ecirc;ncias para uma gera&ccedil;&atilde;o inteira&nbsp;[ &hellip; ]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1283,12],"tags":[1496,1492,1493],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7918"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7918"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7918\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7918"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7918"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7918"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}