{"id":7931,"date":"2006-01-10T00:00:00","date_gmt":"2006-01-10T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7931"},"modified":"2006-01-10T00:00:00","modified_gmt":"2006-01-10T00:00:00","slug":"blade-of-immortal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/manga\/blade-of-immortal\/","title":{"rendered":"Blade of Immortal"},"content":{"rendered":"<p><split><\/p>\n<p>Manji &eacute; um ronin desonrado por ter morto o seu mestre, ao descobrir as atrocidades que este tinha feito contra pessoas inocentes. Al&eacute;m disso, quando estava a ser apanhado pela pol&iacute;cia, matou o marido de sua irm&atilde; mais nova, que enlouqueceu e foi mais tarde v&iacute;tima de um gangue. Ap&oacute;s tudo isto, Manji encontra Yaobikuni, uma velha misteriosa que lhe d&aacute; os Kessenchu, vermes que viver&atilde;o em seu corpo e o tornar&atilde;o imortal.<\/p>\n<p>Cansado da matan&ccedil;a, Manji prop&otilde;e a ela que os vermes o deixem morrer quando ele tiver se redimido por seus erros matando mil pessoas m&aacute;s. Ela aceita o acordo e Manji passa a usar suas 12 l&acirc;minas (uma mais criativa do que a outra) para cumprir essa miss&atilde;o.<\/p>\n<p>Enquanto isso, o jovem espadachim Anotsu Kagehisa est&aacute; em uma cruzada para destruir todos os dojo (academias de luta com a espada) e eliminar todos os estilos, unificando-os sob o seu comando. Entre os dojo destru&iacute;dos est&aacute; o da fam&iacute;lia de Rin, uma garota que viu seu pai ser morto e sua m&atilde;e raptada pelos homens de Anatsu e jurou vingan&ccedil;a. Para isso, aconselhada por Yaobikuni, Rin contrata Manji como seu guarda-costas, com a tarefa de encontrar e matar Anotsu. Isso, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; uma tarefa t&atilde;o f&aacute;cil como parece, j&aacute; que Anotsu tem muitos espadachins capazes ao seu lado e n&atilde;o &eacute; facilmente encontrado.<\/p>\n<p>Rin e Manji perambulam por v&aacute;rias cidades e passam por muitas aventuras em sua persegui&ccedil;&atilde;o a Anotsu, durante as quais v&atilde;o encontrando v&aacute;rios amigos e inimigos nos lugares mais inesperados. Ao mesmo tempo, vamos conhecendo melhor a vida e as raz&otilde;es que levaram os personagens a agirem como o fazem, e mesmo os objetivos de Rin e Anotsu, que pareciam t&atilde;o firmes, s&atilde;o constantemente postos em cheque.<\/p>\n<p>A arte &eacute; simplesmente fant&aacute;stica para aqueles que apreciam um excelente tra&ccedil;o, limpo e econ&oacute;mico, mas n&atilde;o extremamente minimalista. A arte &eacute; toda em l&aacute;pis e bico de pena, parecendo &agrave;s vezes um simples croquis, mas de uma for&ccedil;a expressiva assombrosa. Pessoalmente, prefiro Mugen no Juunin (Blade of Immortal) ao &#8220;recente&#8221; e famoso manga de samurais Vagabond exactamente por causa da arte, j&aacute; que o desenho de Hiroaki Samura apresenta as cenas de viol&ecirc;ncia de uma forma esteticamente muito bela (ao contr&aacute;rio do trabalho de Takezo, que &eacute; bem mais &#8220;cru&#8221;, embora ambos sejam bastante realistas). Mesmo os &#8220;sprays&#8221; de sangue e as cabe&ccedil;as cortadas ao meio descrevem arcos lindos ao ca&iacute;rem&#8230; <\/p>\n<p>Apesar do banho de sangue, tamb&eacute;m h&aacute; pitadas de um humor sarc&aacute;stico e penetrante. N&atilde;o sei se &eacute; bem o tipo de humor que a maioria das pessoas identifica como humor (e tamb&eacute;m &eacute; dif&iacute;cil saber o quanto a tradu&ccedil;&atilde;o consegue captar).<\/p>\n<p>Quando &#8220;o bicho pega&#8221; h&aacute; excelentes cenas de lutas de tirar o f&ocirc;lego, principalmente no golpe final, que o artista costuma desenhar numa p&aacute;gina dupla, como numa &#8220;mandala&#8221; (desenho em forma de circulo usado na medita&ccedil;&atilde;o e no budismo). Mas os di&aacute;logos s&atilde;o tamb&eacute;m inteligentes e sarc&aacute;sticos e h&aacute; cenas bem mais contemplativas. A mistura certa de ac&ccedil;&atilde;o e conversa (ou aus&ecirc;ncia dela). <\/p>\n<p>Que venham os vampiros&#8230; N&atilde;o &eacute; algo para os fracos de est&ocirc;mago mas, como j&aacute; disse, o sangue e a viol&ecirc;ncia s&atilde;o bastante &#8220;estetizados&#8221; e acaamos por nos acostumar. Mas ainda hoje eu passo rapidamente e meio que de olhos fechados em algumas cenas, principalmente onde h&aacute; cabe&ccedil;as cortadas ao meio ou membros sendo arrancados&#8230; Isso sem falar que, como Manji &eacute; imortal, volta e meia ele est&aacute; carregando a pr&oacute;pria perna ou o bra&ccedil;o decepados at&eacute; que eles se juntem de novo&#8230;<\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>Poderia-se dizer que praticamente n&atilde;o h&aacute; nenhum, se n&atilde;o pud&eacute;ssemos ver um in&iacute;cio de envolvimento se formando entre Rin e Manji&#8230; E mesmo Anotsu parece que vai se envolver sentimentalmente com algu&eacute;m. O romance n&atilde;o tem destaque nenhum na trama, mas, como faz parte da vida, deve ter o seu espa&ccedil;o em algum lugar (afinal, os brutos tamb&eacute;m amam!). <\/p>\n<p>Tamb&eacute;m poderia passar desapercebido, se n&atilde;o fossem os interl&uacute;dios nos quais o passado dos personagens, suas dores, medos e conflitos s&atilde;o revelados. Nada no estilo &#8220;novela mexicana&#8221;, mas naquela forma japonesa quieta e sofrida de mostrar como o destino muda a vida das pessoas e as deixa impotentes. Bastante dark &agrave;s vezes, mas os personagens n&atilde;o se deixam abater e v&atilde;o &agrave; luta do jeito que podem. No entanto, &eacute; muito bom ver como os personagens que no in&iacute;cio parecem bastante estereotipados (o samurai solit&aacute;rio dur&atilde;o, a mocinha em perigo, o vil&atilde;o sem cora&ccedil;&atilde;o etc.) v&atilde;o se revelando mais e mais ricos e complexos.<br \/>Mas se o leitor for bastante atento e se interessar pela coisa, h&aacute; toneladas de material sobre a vida no Jap&atilde;o feudal e os c&oacute;digos de conduta da &eacute;poca, bem como uma excelente apresenta&ccedil;&atilde;o dos problemas sociais gerados por eles.<\/p>\n<p>Como referi anteriormente, os personagens n&atilde;o s&atilde;o &#8220;planos&#8221;, como se diz na cr&iacute;tica liter&aacute;ria, mas sim s&atilde;o apresentados de forma cada vez mais complexa. N&atilde;o que eles mudem de personalidade ou assumam novos pap&eacute;is na trama, mas temos a impress&atilde;o de que eles s&atilde;o seres humanos que poderiam ter existido realmente e que teriam tais rea&ccedil;&otilde;es frente &agrave;s situa&ccedil;&otilde;es em que se encontram, levando o leitor a se identificar com eles e a partilhar suas emo&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n<p>Manji, o personagem principal, &eacute; um ronin errante e imortal que precisa matar mil pessoas m&aacute;s para conseguir o descanso eterno. &Eacute; um lobo solit&aacute;rio que, no entanto, se afei&ccedil;oa mais e mais a Rin, apesar de, no in&iacute;cio, v&ecirc;-la apenas como uma substituta de sua irm&atilde; morta. Manji aceita ser o guarda-costas de Rin e em ajud&aacute;-la a vingar-se de Anotsu, mas, com o tempo, os dois passam a ser &#8220;companheiros de estrada&#8221;.<\/p>\n<p>Manji s&oacute; pode ser morto se algu&eacute;m separar a cabe&ccedil;a de seu corpo, assim, ele est&aacute; constantemente juntando os peda&ccedil;os que s&atilde;o arrancados de seu corpo para que eles possam ser &#8220;colados&#8221; e regenerados pelo poder dos vermes m&aacute;gicos. Apesar de arrogante, desbocado, c&iacute;nico e aparentemente frio, Manji &eacute;, no fundo, uma boa pessoa que n&atilde;o suporta a injusti&ccedil;a e que tem uma vis&atilde;o muito clara de como a vida real funciona. <\/p>\n<p>Rin tem 14 anos ao in&iacute;cio da hist&oacute;ria e &eacute; filha de um mestre de artes marciais de quem aprendeu algumas t&eacute;cnicas. Apesar de ver na vingan&ccedil;a o &uacute;nico objectivo de sua vida, ela sabe que n&atilde;o &eacute; p&aacute;reo para Anotsu e encontra em Manji o aliado perfeito. No in&iacute;cio, os dois t&ecirc;m um relacionamento dif&iacute;cil (que, na verdade, continua dif&iacute;cil por toda a s&eacute;rie&#8230;), mas v&atilde;o aprendendo a se respeitar mutuamente. Apesar de Manji v&ecirc;-la apenas como uma garotinha, a dura vida da estrada faz com que Rin pouco a pouco se torne uma mulher. Ela passa a olhar Manji com outros olhos e come&ccedil;a a se apaixonar por ele.<\/p>\n<p>Anotsu Kagehisa &eacute; o antagonista de Rin e Manji, inicialmente mostrado como um rapaz extremamente inteligente e habilidoso, n&atilde;o s&oacute; com a espada mas tamb&eacute;m com v&aacute;rias outras armas, que tem como &uacute;nico prop&oacute;sito cumprir o sonho de seu av&ocirc;: destruir todas as academias e estilos de kenjutsu (luta com espadas) pois, de acordo com o velho, a arte da espada havia deixado de ser leg&iacute;tima e os antigos samurais se prendiam a regras tolas e rituais in&uacute;teis ao inv&eacute;s de procurar lutar com todas as suas for&ccedil;as.<\/p>\n<p>A promessa de Anotsu aceitar como guerreiro n&atilde;o apenas aqueles nascidos em fam&iacute;lia de samurais, mas sim qualquer um que fosse extremamente h&aacute;bil com a espada faz com que seus seguidores aumentem dia ap&oacute;s dia. Anotsu na verdade vai-se revelando como uma pessoa sens&iacute;vel, for&ccedil;ada a se transformar em um assassino frio para cumprir os deveres impostos por sua honra e sua fam&iacute;lia. Mas parece que ele tamb&eacute;m vai descobrir que h&aacute; mais coisas na vida al&eacute;m do dever e do poder.<\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>Minha s&eacute;rie &#8220;s&eacute;ria&#8221; de samurai preferida (tamb&eacute;m adoro Rurouni Kenshin, mas tanto o tra&ccedil;o como a proposta s&atilde;o voltadas mais ao p&uacute;blico adolescente que a adultos, o que n&atilde;o &eacute; o caso de Blade). Os personagens s&atilde;o &oacute;ptimos, a arte &eacute; fant&aacute;stica, a hist&oacute;ria interessante, h&aacute; at&eacute; um suave toque de magia com a imortalidade de Manji, mas o que conta realmente &eacute; a sua habilidade e tenacidade. Na verdade, apesar de Manji ser o personagem principal, n&atilde;o sei bem se os verdadeiros protagonistas n&atilde;o s&atilde;o Rin e Anotsu, pois &eacute; o confronto entre os dois (ou o que eles representam, a velha e a nova ordem do mundo dos samurais) que realmente move todo o resto.<\/p>\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o como um todo &eacute; muito bem cuidada, com aten&ccedil;&atilde;o &agrave; caracteriza&ccedil;&atilde;o dos personagens n&atilde;o s&oacute; atrav&eacute;s dos di&aacute;logos, mas de sua figuras, roupas, armas etc. Vale a pena mencionar algumas particularidades, como o facto de Hiroaki Samura ter misturado elementos t&iacute;picos do Jap&atilde;o Medieval com elementos modernos: assim, alguns personagens falam de modo bem &#8220;cl&aacute;ssico&#8221; enquanto outros usam a g&iacute;ria de um marginal moderno. O mesmo acontece com o desenho, alguns personagens parecem punks sa&iacute;dos de um filme de Mad Max, mas tudo sem perder o conjunto. Depois de passar o susto inicial e aprende a desconsiderar o sangue e as cenas mais fortes, a hist&oacute;ria nos envolve e nos faz esperar sempre pelo pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n<p>&#8220;Manji&#8221; n&atilde;o &eacute; o nome verdadeiro do protagonista, ele &eacute; conhecido assim porque este &eacute; o nome em japon&ecirc;s do s&iacute;mbolo que ele traz nas costas do quimono, uma su&aacute;stica. A su&aacute;stica &eacute; um s&iacute;mbolo de prosperidade e boa sorte largamente usado no Budismo e, principalmente na &eacute;poca na qual se passa a hist&oacute;ria, nunca teve nada a ver com a su&aacute;stica nazista (que, ali&aacute;s, &eacute; invertida).<\/p>\n<p>Na vers&atilde;o americana de Blade, os editores colocaram um longo aviso na contracapa explicando que aquele s&iacute;mbolo n&atilde;o tinha nenhuma conota&ccedil;&atilde;o anti-semita. Uma situa&ccedil;&atilde;o ir&oacute;nica pois era demasiado &#8220;rebuscado&#8221; que algu&eacute;m pudesse chegar que poderia haver alguma liga&ccedil;&atilde;o, isto porque as hist&oacute;rias de Manji se passam alguns s&eacute;culos antes da II Guerra Mundial. Pensando melhor suponho que pouca gente tem contacto com Budismo e simbologia oriental e por isso o  esclarecimento, que pode contribuir para que as pessoas comecem a pensar mais em como os s&iacute;mbolos de uma cultura podem ter um significado completamente diferente em uma outra cultura, ou numa outra &eacute;poca. <\/p>\n<p><split><br \/><b>Autor:Selma Meireles<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manji &eacute; um ronin desonrado por ter morto o seu mestre, ao descobrir as atrocidades que este tinha feito contra pessoas inocentes. 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