{"id":7966,"date":"2006-05-03T23:00:00","date_gmt":"2006-05-03T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=7966"},"modified":"2006-05-03T23:00:00","modified_gmt":"2006-05-03T23:00:00","slug":"i-koruda-et-autres-aubergines","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/manga\/i-koruda-et-autres-aubergines\/","title":{"rendered":"I&ocirc; Koruda &#8211;  &#8230; et autres aubergines"},"content":{"rendered":"<p>O aspecto imediatamente mais apraz&iacute;vel nos livros de Koruda &eacute;, como ser&aacute; de esperar, o seu desenho, que participa da leveza e rapidez &#150; tais como definidas como caracter&iacute;sticas e valores de uma literatura para o nosso tempo, cf. Italo Calvino &#150; que um l&aacute;pis livre &eacute; capaz de expressar. Todas as personagens de Koruda, sejam jovens ou idosos, japoneses ou ocidentais, pobres ou enriquecidos, t&ecirc;m tra&ccedil;os em comum, que &eacute; o de uma alegria em estarem vivos num mundo de diversidade.<\/p>\n<p>Estes tr&ecirc;s volumes re&uacute;nem 19 hist&oacute;rias, produzidas no fim dos anos 90 e publicadas em tankobon (nome dos volumes que no Jap&atilde;o re&uacute;nem s&eacute;ries previamente publicadas em revistas, e com sucesso) entre 2000 e 2001, cada uma com um tom levemente diferente da anterior: ora de um despojamento quase total que centra a aten&ccedil;&atilde;o nos mais quotidianos dos gestos, numa vertente po&eacute;tica subtil, ora mais melanc&oacute;licos, ora com pequenos detalhes da vida social japonesa ora absurdamente c&oacute;micos, passando mesmo pela fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, e o g&eacute;nero desportivo &#150; o ciclismo, para ser exacto (existem s&eacute;ries, mais comerciais e menos famosas fora do Jap&atilde;o, totalmente dedicadas aos mais diversos desportos, e que consistem quase numa descri&ccedil;&atilde;o ch&atilde;, como se uma transcri&ccedil;&atilde;o de uma prova se tratasse, do desporto em quest&atilde;o; Koruda faz o mesmo, mas intercalando eventos paralelos e que convergir&atilde;o no fim, subvertendo um interesse prim&aacute;rio no desporto).<\/p>\n<p>Assim de imprevisto, parecer-nos-&aacute; que cada epis&oacute;dio nada tem em comum com o anterior, tirando o &oacute;bvio e repetido tema das beringelas, que s&atilde;o como que um ru&iacute;do de fundo que une todas as composi&ccedil;&otilde;es. Mas &agrave; medida que a leitura avan&ccedil;ar pelos epis&oacute;dios, que atravessam tempos (um &#147;presente&#148;, um &#147;passado&#148;, nos tempos do shogunato, e um &#147;remoto futuro&#148;) e espa&ccedil;os diferentes (n&atilde;o s&oacute; o Jap&atilde;o urbano, rural e mediador, como a &Iacute;ndia e Espanha), acompanhando um grupo simp&aacute;tico de personagens, vamos entendendo a pequena rede que os une entre si. Mas essa &eacute; ainda uma leitura superficial. H&aacute; um professor Takama, que parece ter desistido de uma complicada vida intelectual por uma mais pausada, entre leituras e a planta&ccedil;&atilde;o de beringelas no campo. H&aacute; Aya Takahashi, uma jovem liceal que rapidamente se torna uma respons&aacute;vel e laboriosa mulher para poder sustentar os seus dois irm&atilde;os abandonados, mas n&atilde;o abdicando dos seus sonhos paralelos, a realizar ou n&atilde;o, com os homens que a v&atilde;o fascinando. H&aacute; Arino, um rapaz que n&atilde;o pretende criar ra&iacute;zes em nenhum lado, e parte pelo mundo em busca da realiza&ccedil;&atilde;o de um incerto conceito, o da &#147;reforma jovem&#148;. E outros ainda, que surgem de quando em vez, criando maiores liga&ccedil;&otilde;es com os outros, ou apenas fugazes cruzamentos. Todos, por&eacute;m, cada um com o seu subtilmente sentido grau, s&atilde;o pessoas &agrave;s quais a vida lhes surge o mais digna poss&iacute;vel de viver e abra&ccedil;ar.<\/p>\n<p>Aprendemos em rela&ccedil;&atilde;o ao cultivo de beringelas que se devem fazer alguns cortes e escolhas de flora&ccedil;&otilde;es, e impedir que cres&ccedil;am em forma de &aacute;rvore, pois assim conteriam a vida das outras num menor desenvolvimento, s&oacute; assim alcan&ccedil;ando uma harmoniosa colheita. Esses cortes, na vida, na busca de uma vida mais s&atilde; e simples, mas n&atilde;o leviana, &eacute; alcan&ccedil;ada por estas personagens, n&atilde;o atrav&eacute;s de sacrif&iacute;cios, mas antes como que libertando pelo caminho tudo o que &eacute; lastro. Mas n&atilde;o pensem que h&aacute; aqui moralismos e ortodoxias. &Eacute; apenas um altear de &#147;cada qual com o seu caminho&#8230;&#148; como filosofia de vida. Contudo, isso poder-nos-ia indicar uma outra forma de marcar distin&ccedil;&otilde;es entre as pessoas, entre aquelas que gozam a vida ao m&aacute;ximo e as outras, que a deixam passar ao lado&#8230;<\/p>\n<p>I&ocirc; Koruda faz-nos estas representa&ccedil;&otilde;es em registos diferentes, como disse, algo bem dif&iacute;cil de fazer sem se cair num tom de humor a&eacute;reo com toda a obra. Todas e quaisquer das &#147;aubergines&#148; flutua entre dois ou tr&ecirc;s humores, mas sempre de um modo calmo. Ali&aacute;s, a excelente tradu&ccedil;&atilde;o em franc&ecirc;s perece fazer jus a uma linguagem desapossada de peso, que nos faz virar as p&aacute;ginas como se estiv&eacute;ssemos escutando os nossos mais pr&oacute;ximos a falar uns com os outros. Uma conversa em que n&atilde;o participamos, mas apenas escutamos com afei&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Koruda &eacute; autor sobretudo de hist&oacute;rias curtas, e por isso d&aacute;-se &agrave; liberdade de poder utilizar esta variedade de aproxima&ccedil;&otilde;es. J&aacute; numa outra antologia, Daioh, de 2001, tanto fazia homenagens a Tezuka com uma curta hist&oacute;ria em Metropolis, como pequenos apontamentos on&iacute;ricos sobre elefantes e mulheres-mosquito, como hist&oacute;rias de ac&ccedil;&atilde;o e cheias de mecha (equipamento tecnol&oacute;gico sci-fi). Mas &#8230;aubergines parece caminhar num sentido de maior coes&atilde;o, e quem sabe se nos aponta para uma poss&iacute;vel obra de f&ocirc;lego no futuro.<\/p>\n<p>O &uacute;nico problema de maior &eacute; o que me parece ser um mau corte das p&aacute;ginas, cortando mesmo palavras da tradu&ccedil;&atilde;o e sabe-se l&aacute; o que mais. Cada livro tem ainda umas p&aacute;ginas-b&oacute;nus com receitas, notas sobre as hist&oacute;rias e uma esp&eacute;cie de strip auto-referente.<br \/><b>Autor:Pedro Vieira Moura<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aspecto imediatamente mais apraz&iacute;vel nos livros de Koruda &eacute;, como ser&aacute; de esperar, o seu desenho, que participa da leveza e rapidez &#150; tais como definidas como caracter&iacute;sticas e&nbsp;[ &hellip; ]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1283,5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7966"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7966"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7966\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}