{"id":8016,"date":"2006-08-15T23:00:00","date_gmt":"2006-08-15T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8016"},"modified":"2006-08-15T23:00:00","modified_gmt":"2006-08-15T23:00:00","slug":"as-misteriosas-cidades-de-ouro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/anime\/as-misteriosas-cidades-de-ouro\/","title":{"rendered":"As Misteriosas Cidades de Ouro"},"content":{"rendered":"<p><split><\/p>\n<p>Ah, eis uma recorda&ccedil;&atilde;o do passado n&atilde;o-t&atilde;o-recente&#8230;<br \/>&laquo;As Misteriosas Cidades de Ouro&raquo; (vers&atilde;o francesa) estar&aacute; concerteza para muitos de n&oacute;s como um dos primeiros programas que far&atilde;o parte da nossa mem&oacute;ria, em termos de anime. E n&atilde;o &eacute; para menos: dotado de uma hist&oacute;ria cativante e fora do vulgar, se bem que familiar para qualquer crian&ccedil;a, ainda pode fazer sombra aos animes infantis que se produzem em massa nos dias de hoje. &Eacute; por isso que merece men&ccedil;&atilde;o aqui, na forma de um artigo.<\/p>\n<p>H&aacute; alguma d&uacute;vida, por&eacute;m, de que se trate mesmo de um anime? Se houver, seja logo dissipada: &laquo;As Misteriosas Cidades de Ouro&raquo; foi planeado por uma esta&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica nip&oacute;nica, a N.H.K., sob o nome de &laquo;Taiyou no ko Esteban&raquo; (Esteban, o Filho do Sol), baseado numa obra de Scott O&#8217;Dell, escritor de contos juvenis.<\/p>\n<p>Diz quem leu que apesar de l&aacute; tamb&eacute;m haver um Mendoza, um Esteban, uma Zia, e a busca pelas Lend&aacute;rias Cidades de Cibola, as semelhan&ccedil;as ficam-se por a&iacute;&#8230; e nem &eacute; uma obra particularmente interessante. Bom, estavam os senhores da N.H.K. j&aacute; acordados com os Est&uacute;dios Pierrot (Kogepan, Key The Metal Idol, Fancy Lala, Naruto) para a anima&ccedil;&atilde;o, quando os franceses se juntam ao projecto&#8230; E neste aspecto, embora as fontes sejam maioritariamente francesas, caso sejam objectivas concluimos que s&oacute; temos a agradecer esta interven&ccedil;&atilde;o tardia, j&aacute; que parece que veio beneficiar bastante o resultado final: as naves e demais elementos tecnol&oacute;gicos ter&atilde;o sido melhorados, o <i>look<\/i> das personagens foi tornado ligeiramente mais familiar &agrave;s audi&ecirc;ncias europeias, e claro, como <b>era<\/b> costume, foi da vers&atilde;o francesa que se fizeram todas as vers&otilde;es n&atilde;o-orientais.<\/p>\n<p>Como j&aacute; l&aacute; v&atilde;o uns anitos (a estreia em Fran&ccedil;a foi em Setembro de 1983, e em Portugal algures entre 1985 e 1987, sendo posteriormente repetidas, sendo a &uacute;ltima vez no velhinho &laquo;Agora Escolha!&raquo;, j&aacute; nos anos 90), conv&eacute;m rever o enredo&#8230; No s&eacute;culo XVI, o portugu&ecirc;s Fern&atilde;o de Magalh&atilde;es, ao servi&ccedil;o da Coroa Espanhola, circum-navega o globo pela 1&ordf; vez. Perto do estreito que hoje em dia toma o seu nome encontra, durante uma tempestade, um barco prestes a afundar-se, com apenas dois passageiros, um homem e o seu filho beb&eacute;&#8230; um marinheiro tenta salv&aacute;-los, mas tendo uma vaga afastado o pai, s&oacute; o filho &eacute; recuperado, e &eacute; considerado &oacute;rf&atilde;o&#8230; nesse instante, a tempestade cessa e no c&eacute;u passa a brilhar um sol radioso.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, por ocasi&atilde;o da morte do seu pai adoptivo, o menino, agora com 12 anos e de nome Esteban, reencontra o marinheiro, Mendoza, por interm&eacute;dio de uma medalha que trazia j&aacute; no dia do seu primeiro encontro. Este cr&ecirc; que ela &eacute; uma pista para as Lend&aacute;rias Cidades de Ouro, escondidas algures no Novo Mundo e morada de infinitas riquezas, que nem o conquistador da Na&ccedil;&atilde;o Inca, Francisco Pizarro, conseguiu encontrar, e partem para l&aacute;.<\/p>\n<p>Esteban encontra na sua viagem dois outros companheiros de ra&ccedil;as distintas&#8230; Zia, uma jovem inca que desconfia das inten&ccedil;&otilde;es dos Espanh&oacute;is, e Tao, que se diz descendente do povo de Mu, h&aacute; muito desaparecido e dono de avan&ccedil;ad&iacute;ssimas tecnologias, e suposto construtor das Cidades. Infelizmente, nem s&oacute; amigos Esteban far&aacute; na viagem&#8230; al&eacute;m da gan&acirc;ncia dos ca&ccedil;adores de tesouros, ter&aacute; de se haver com os Olmeques, uma tribo aparentada com os de Mu que, em vias de extin&ccedil;&atilde;o, busca a todo custo perpetuar a sua ra&ccedil;a, tendo para isso que alcan&ccedil;ar&#8230; as Cidades de Ouro.<\/p>\n<p>Para algu&eacute;m que procura o seu pai no s&eacute;culo XVI n&atilde;o est&aacute; mau, hem? Sem d&uacute;vida uma narrativa que ultrapassa o estritamente necess&aacute;rio para agradar a crian&ccedil;as&#8230; Na vida real, existiu mesmo uma tribo chamada &laquo;Olmeques&raquo;, desaparecida antes de Colombo chegar &agrave;s Cara&iacute;bas. Existiu de facto uma lenda sobre cidades de ouro no s&eacute;c. XVI, atr&aacute;s das quais morreram muitos exploradores, quer na Fl&oacute;rida, quer nos Andes, quer na Guiana, quer no Texas(!). Existiram personagens como Magalh&atilde;es, Pizarro, e outras mais&#8230; Mas n&atilde;o, o Continente de Mu foi uma inven&ccedil;&atilde;o de um oficial americano, pura fic&ccedil;&atilde;o. Tudo isto para fazer notar como o enredo d&#8217;&laquo;As Misteriosas Cidades de Ouro&raquo; resulta de uma mistura muito bem estruturada e conseguida de factos reais, mitos c&eacute;lebres e da fantasia dos argumentistas. Mais que isso, nota-se a aus&ecirc;ncia de algo frequente hoje em dia: os grandes volte-faces e aspectos surpreendentes n&atilde;o est&atilde;o todos concentrados no in&iacute;cio (o que favorece um desenrolar da ac&ccedil;&atilde;o sem surpresas) nem no fim (o que por vezes acaba por resultar numa hist&oacute;ria quase diferente da original); n&atilde;o, aqui temos as novidades repartidas pelos 39 epis&oacute;dios da s&eacute;rie, com um final agradavelmente surpreendente. <\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>Outra benesse que o <i>toque<\/i> franc&ecirc;s trouxe foi sem d&uacute;vida nos aspectos t&eacute;cnicos. Para a &eacute;poca, &laquo;As Misteriosas Cidades de Ouro&raquo; est&aacute; bem animado, com a arte japonesa a beneficiar do zelo franc&ecirc;s, mas de modo nenhum a prejudicar o character design, ainda nitidamente oriental. J&aacute; o som e a dobragem s&atilde;o outras hist&oacute;rias: o sucesso superior que o anime teve por c&aacute; pode ser atribu&iacute;do ao impec&aacute;vel gen&eacute;rico e m&uacute;sicas a que teve direito. Combina&ccedil;&otilde;es inesquec&iacute;veis de coros, sintetizador e instrumentos tipicamente peruanos providenciam um ambiente inca extremo. M&uacute;sicas feitas n&atilde;o com o objectivo de serem lan&ccedil;adas em disco (ainda se fez uma compila&ccedil;&atilde;o em vinil e cassette) mas para serem usadas apenas uma vez ou duas&#8230; um investimento exagerado, talvez, mas a N.H.K. esteve &agrave; altura: m&uacute;sica mais modesta, &eacute; certo, mas acrescentou ao final de cada epis&oacute;dio um curto document&aacute;rio sobre a Expans&atilde;o espanhola (ali&aacute;s, &laquo;Conquista&raquo;), modo de vida dos povos pr&eacute;-colombianos, etc&#8230; Algu&eacute;m se recorda se passaram no nosso pa&iacute;s?<\/p>\n<p>Talvez seja da coopera&ccedil;&atilde;o franco-nip&oacute;nica, ou talvez fruto do acaso, mas este anime foi desenvolvido com aspectos que ultrapassam nitidamente a faixa et&aacute;ria a que se destina. &Eacute; que a luta do &laquo;Bem contra o Mal&raquo; &eacute; apenas fachada para as diversas motiva&ccedil;&otilde;es dos diversos personagens em chegar &agrave;s Cidades de Ouro. Note-se que s&oacute; os personagens terci&aacute;rios sofrem da &laquo;febre do ouro&raquo;, buscando simplesmente a fortuna&#8230; &eacute; a gan&acirc;ncia que os move: os espanh&oacute;is e a dupla Marinch&eacute;\/Dr. Laguerra. Todos os outros s&atilde;o definidos como &laquo;os bons&raquo; ou &laquo;os maus&raquo; n&atilde;o atrav&eacute;s dos motivos que os levam a buscar as Cidades Perdidas, mas COMO visam atingir esse fim. Os Olmeques querem evitar a extin&ccedil;&atilde;o da sua tribo gra&ccedil;as &agrave; tecnologia quase perdida de Mu&#8230; a propaga&ccedil;&atilde;o da esp&eacute;cie &eacute; a mais b&aacute;sica das necessidades, e contudo os m&eacute;todos brutais utilizados definem-nos rapidamente como vil&otilde;es na s&eacute;rie. E os jovens her&oacute;is? Esteban tem esperan&ccedil;a de encontrar um pai que provavelmente se afundou no Atl&acirc;ntico; Zia &eacute; obrigada a ajudar os espanh&oacute;is; Tao, por sua vez, segue uma profecia do seu pai. Motiva&ccedil;&otilde;es menores, &eacute; certo, mas n&atilde;o recorrem &agrave; viol&ecirc;ncia para chegar ao seu objectivo&#8230; logo, &laquo;her&oacute;is&raquo;. Ou pelo menos &laquo;her&oacute;is&raquo; pela forma como conseguem escapar &agrave;s contrariedades e, por vezes, corrigir as ac&ccedil;&otilde;es nefastas dos oponentes. Finalmente, temos o caso d&uacute;bio de Mendoza&#8230; protege as crian&ccedil;as o tempo todo por amizade ou por interesse pr&oacute;prio? S&oacute; mesmo vendo a s&eacute;rie e tirando as pr&oacute;prias conclus&otilde;es.<\/p>\n<p>Uma curiosidade interessante &eacute; que consta que a vers&atilde;o francesa d&aacute; raras e subtis pistas em rela&ccedil;&atilde;o a um assunto em que a japonesa &eacute; muito mais expl&iacute;cita: esta vers&atilde;o faz n&iacute;tida alus&atilde;o a uma suposta origem extraterrestre dos povos de Mu, logo dos Olmeques. &Eacute; um pormenor irrelevante, sobre o qual n&atilde;o se chega a nenhuma conclus&atilde;o em particular&#8230; Pessoalmente, creio que a abordagem francesa resulta melhor.<\/p>\n<p>Podemos assim esperar tr&ecirc;s coisas d&#8217;&laquo;As Misteriosas Cidades de Ouro&raquo;&#8230; Antes de mais, um marco na hist&oacute;ria da anima&ccedil;&atilde;o, lembrando o apogeu de uma era de coopera&ccedil;&atilde;o franco-nip&oacute;nica que j&aacute; tinha come&ccedil;ado com &laquo;Ulisses 31&raquo;. Segundo, uma obra muito familiar, e que provavelmente orientou grande parte do nosso gosto em rela&ccedil;&atilde;o a anime&#8230; e finalmente, uma s&eacute;rie agrad&aacute;vel que, mais ou menos, ultrapassa em enredo o que hoje em dia se produz para as faixas et&aacute;rias mais jovens. Inclusive j&aacute; se falou em sequela, projecto para o qual se retrairam, no &uacute;ltimo momento, os principais investidores. Quem sabe no futuro? Afinal, como disseram a Esteban no final&#8230;<\/p>\n<p><i>Retoma o caminho da Aventura&#8230; existem no Mundo 6 outras Cidades de Ouro, ainda maiores que esta!<\/i><br \/><split><\/p>\n<p><b>Autor:Guilherme Mendes<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ah, eis uma recorda&ccedil;&atilde;o do passado n&atilde;o-t&atilde;o-recente&#8230;&laquo;As Misteriosas Cidades de Ouro&raquo; (vers&atilde;o francesa) estar&aacute; concerteza para muitos de n&oacute;s como um dos primeiros programas que far&atilde;o parte da nossa mem&oacute;ria,&nbsp;[ &hellip; ]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[6,1283],"tags":[1704,1702,1703],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8016"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8016"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8016\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8016"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8016"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8016"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}