{"id":8036,"date":"2006-10-07T23:00:00","date_gmt":"2006-10-07T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8036"},"modified":"2006-10-07T23:00:00","modified_gmt":"2006-10-07T23:00:00","slug":"kemono-zume","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/anime\/kemono-zume\/","title":{"rendered":"Kemono Zume"},"content":{"rendered":"<p>Ser&aacute; uma redund&acirc;ncia dizer que a nova obra de Masaaki Yuasa &eacute; bizarramente estranha e com um espectacular estilo &uacute;nico sem qualquer liga&ccedil;&atilde;o com a actual anime. De resto Yuasa, um dos mais influentes e inovadores criadores da anima&ccedil;&atilde;o japonesa actual, nunca conseguiu estar ligado a uma produ&ccedil;&atilde;o que podesse ser facimente rotulada.<\/p>\n<p>Basta pensar no seu envolvimento &#145;menos directo&#8217; em Noiseman Sound Insect (1997) ou Cat Soup (2003) ou nas suas pr&oacute;prias realiza&ccedil;&otilde;es, como Mind Game (2004) e no epis&oacute;dio Hamaji&#8217;s Resurrection, da s&eacute;rie The Hakkenden (1994), ainda hoje vistas como das obras mais influentes da actual Anime para entender que a obra de Yuasa projecta j&aacute; o que ser&aacute; o futuro pr&oacute;ximo da anime, sem concess&otilde;es est&eacute;ticas nem clich&eacute;s sobre-usados e sem possivel compara&ccedil;&atilde;o com a anima&ccedil;&atilde;o mainstream.<\/p>\n<p>Kemono Zume, a nova s&eacute;rie realizada por Yuasa, produzida pelos n&atilde;o menos influentes Madhouse Studios, &eacute; claramente uma evolu&ccedil;&atilde;o no estilo deste autor, com os devaneios visuais obssessivos que se tornaram quase uma regra na obra do autor, mas agora com um estilo expressionista altamente absorvente, que n&atilde;o d&aacute; descan&ccedil;o aos espectadores.<\/p>\n<p>Traduzido como &#8220;As Garras da Besta&#8221; (ou &#8220;As Garras do Monstro&#8221;), Kemono Zume conta a hist&oacute;ria da luta entre um limitado grupo secreto de samurais contempor&acirc;neos (os Kifuken) que lutam contra uma ra&ccedil;a de aparentemente m&iacute;ticos monstros canibais (os Shokujinki) que se escondem em corpos humanos, revelado-se apenas quando sentem l&uacute;xuria. A hist&oacute;ria desenvolve-se quando Toshihiko, filho da cabe&ccedil;a do clan dos Kifuken se apaixona por Yuka, uma aparentemente humana com uma forte linha de sangue Shokujinki, levando-o a rebelar-se contra o cl&atilde;.<\/p>\n<p>Se atrav&eacute;s desta pequena descri&ccedil;&atilde;o Kemono Zume aparenta cair em alguns dos clich&eacute;s da anima&ccedil;&atilde;o que retrata Y&#333;kai e extremas transforma&ccedil;&otilde;es corporais, a forma surreal como Yuasa constro&iacute; esta bizarra hist&oacute;ria usando como tema centrais os impulsos humanos mais escondidos catalogados pela psican&aacute;lise, faz desta s&eacute;rie uma das mais frescas propostas desta season de anima&ccedil;&atilde;o made in Japan, mostrando como esta hist&oacute;ria de amor singular consegue revelar os mais tem&iacute;veis segredos do psique humana.<\/p>\n<p>E se a tem&aacute;tica &eacute; de facto rica em simbolismo (uma marca deste realizador), com uma constru&ccedil;&atilde;o n&atilde;o-linear das personagens, que parecem ocultar factos (que v&atilde;o surgindo com alguma surpresa durante a s&eacute;rie) &eacute; a t&eacute;cnica de anima&ccedil;&atilde;o, brutalmente expressionista, que partindo da influ&ecirc;ncia da pintura deste movimento art&iacute;stico (pessoalmente parece-me que Oskar Kokoschka parece ser, entre outros, uma das influ&ecirc;ncias gr&aacute;ficas desta s&eacute;rie), gera uma magn&iacute;fica mezcla gr&aacute;fica, que uma complexa mistura tra&ccedil;os esquiz&oacute;frenicos com fotogramas coloridos &agrave; m&atilde;o, fazendo cada segundo de imagem uma ilustra&ccedil;&atilde;o animada que se junta na perfei&ccedil;&atilde;o aos desejos complexos das personagens.<\/p>\n<p>A adicionar a esta mestria gr&aacute;fica, a banda sonora, melanc&oacute;lica e &#8216;urbanamente cool&#8217; (composta por Megumi Wakakusa) eleva esta s&eacute;rie &agrave; perfei&ccedil;&atilde;o, complementada pelo tema de abertura &#8220;Over Blues&#8221; dos hipersters Katteni Shiyagare, um dos combos mais interessantes do actual revivalismo swing, que conseguem acrescentar ainda mais interesse a esta obra-prima.<\/p>\n<p>Kemono Zume &eacute; uma daquelas s&eacute;ries que nega aqueles que (ainda) afirmam que a actual anima&ccedil;&atilde;o japonesa est&aacute; presa num perpet&uacute;o ciclo de clich&eacute;s e que n&atilde;o consegue ser inovadora. Altamente recomend&aacute;vel, esta &eacute; uma das mais singulares e interessante s&eacute;ries dos &uacute;ltimos anos.<\/p>\n<p><b>Nuno Barradas<\/b>, autor do blog (http:\/\/bitlogger.blogspot.com\/) onde podem ser lidas ideias, vis&otilde;es, audi&ccedil;&otilde;es e navega&ccedil;&otilde;es sobre o Jap&atilde;o e n&atilde;o s&oacute;.<\/p>\n<p><b>Autor:Nuno Barradas<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser&aacute; uma redund&acirc;ncia dizer que a nova obra de Masaaki Yuasa &eacute; bizarramente estranha e com um espectacular estilo &uacute;nico sem qualquer liga&ccedil;&atilde;o com a actual anime. 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