{"id":8041,"date":"2006-10-07T23:00:00","date_gmt":"2006-10-07T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8041"},"modified":"2012-08-26T17:02:10","modified_gmt":"2012-08-26T18:02:10","slug":"entrevista-kenji-siratori","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/music\/entrevista-kenji-siratori\/","title":{"rendered":"[Entrevista] : Kenji Siratori"},"content":{"rendered":"<p>Um dos nomes indiscut&iacute;veis da literatura cyberpunk do momento &eacute; o japon&ecirc;s Kenji Siratori. Ele intitula-se um escritor hipermoderno que trabalha num ambiente digital. Nasceu em 1975, actualmente vive em Sapporo, Jap&atilde;o. Publicou &#8220;Blood Electric&#8221; (Creation Books), foi aclamado por David Bowie e trabalhou com David Lynch numa s&eacute;rie de curtas metragens. Recentemente editou um disco na netlabel nacional MiMi Records. O ClubOtaku foi tentar conhecer um pouco mais Kenji Siratori. Aqui fica a conversa:<\/p>\n<p><b>Passaram 4 anos desde a tua primeira novela Blood Electric. O que sentes quando olhas para tr&aacute;s e comparas onde est&aacute;s agora?<\/b><br \/>Bem, para mim Blood Electric foi o processo pr&aacute;tico da desconstruc&ccedil;&atilde;o human&oacute;ide para a vis&atilde;o mutante. Adquiri o drama mutante primitivo atrav&eacute;s do Blood Electric. &Eacute; o ru&iacute;do da nossa vida e da resist&ecirc;ncia &aacute; morte do nosso sistema nervoso. E agora eu inspiro Blood Electric com a impossibilidade da reprodu&ccedil;&atilde;o. Assim com a era da respira&ccedil;&atilde;o-byte!<\/p>\n<p><b>Quando escreves, pensas em Ingl&ecirc;s ou Japon&ecirc;s? Qual (e porqu&ecirc;) consideras ser a tua linguagem liter&aacute;ria.<\/b><br \/>Certamente primeiro cartografo o meu c&eacute;rebro em Japon&ecirc;s. Depois esmago esse mapa cerebral no drama mutante das minhas c&eacute;lulas nervosas. Para mim a &#147;linguagem liter&aacute;ria&#148; &eacute; a linguagem universal das nossas vidas. Essa frase &eacute; uma reprodu&ccedil;&atilde;o industrial do nosso c&eacute;rebro e a linha de respira&ccedil;&atilde;o da nossa vis&atilde;o como um Mantra. Eu componho a experi&ecirc;ncia do ru&iacute;do do nosso corpo humano atr&aacute;s deste primitivo drama mutante.<\/p>\n<p><b>Como &eacute; que imaginas as palavras novas que utilizas nos teus livros?<\/b><br \/>Ok. Eu vejo a palavra. As minhas c&eacute;lulas nervosas absorvem a palavra-vis&atilde;o alqu&iacute;mica no drama mutante primitivo. E eu coloco para fora este corpo humano p&oacute;s-industrial exterminado como a minha experi&ecirc;ncia de ru&iacute;do de vida.<\/p>\n<table><img>images\/artigos\/kenjisiratori\/siratori1.jpg<\/img><\/table>\n<p><b>As primeiras imagens que me v&ecirc;m ao disco-rigido (o meu c&eacute;rebro) quando leio os teus trabalho s&atilde;o extremas e cheias de sexo e viol&ecirc;ncia. Imediatamente associo-as a autores como Masami Akita(aka Merzbow), Tsukamoto Shinya ou Suehiro Maruo. Esses autores tiveram alguma influ&ecirc;ncia em ti ou no teu trabalho? Para onde v&atilde;o, ou como &eacute; que crias essas imagens e temas.<\/b><br \/>Conheci Masami Akita recentemente. Merzbow &eacute; um grande cientista do ru&iacute;do da vida. Eu vou codificar a minha experi&ecirc;ncia do ru&iacute;do da vida como PDA do nosso corpo humano. E o meu c&eacute;rebro vai emitir o v&iacute;rus-mental como o drama mutante primitivo das nossas vidas. Eu n&atilde;o tento inserir essas imagens e temas. Elas s&atilde;o o meu ataque liter&aacute;rio as nossas vidas no c&eacute;rebro de um antrop&oacute;ide, e as grava&ccedil;&otilde;es ceias de genes da minha experi&ecirc;ncia do ru&iacute;do da vida.<\/p>\n<p><b>Quem s&atilde;o, ent&atilde;o, os nomes e autores, do passado e presente, que considera serem as suas maiores influ&ecirc;ncias?<\/b><br \/>Aos dezoito anos, fui influenciado por Georges Bataille, Antonin Artaud, e a filosofia de Billes Deleuze \/ Felix Guattari. E agora tenho a autonomia quasi-viral da excitante influ&ecirc;ncia da experi&ecirc;ncia do ru&iacute;do da minha vida.<\/p>\n<p><b>Foi recentemente lan&ccedil;ado pela MiMi Records outro projecto teu, desta vez com dois m&uacute;sicos portugueses. Qual &eacute; o teu relacionamento com a musica e como &eacute; que se interliga com a tua experi&ecirc;ncia liter&aacute;ria?<\/b><br \/>A minha rela&ccedil;&atilde;o com a m&uacute;sica &eacute; gen&eacute;rica e alqu&iacute;mica. Para mim a musica &eacute; o DNA da nossa experi&ecirc;ncia do ru&iacute;do da vida. No drama mutante primitivo das nossas vidas, a m&uacute;sica gera o nosso fluxo cerebral de sexo e viol&ecirc;ncia. Isto &eacute; a reac&ccedil;&atilde;o qu&iacute;mica geom&eacute;trica do c&oacute;digo gen&eacute;rico na minha experi&ecirc;ncia do ru&iacute;do da vida. Logo este DNA gerado serve o c&eacute;rebro p&oacute;s-industrial do nosso corpo humano.<\/p>\n<p><b>Neste momento, que musicas tens no iPod?<\/b><br \/>Goat&#8217;s Holy Mountain. &Eacute; o org&atilde;o audit&oacute;rio sem compromissos no drama mutante primitivo.<\/p>\n<p><b>Para ti Portugal significa&#8230;E o Jap&atilde;o? Como o v&ecirc;s?<\/b><br \/>Sim. Eu tenho estado activo noutros paises, n&atilde;o no Jap&atilde;o. N&atilde;o tenho estado consciente do Japon&ecirc;s. O Jap&atilde;o tem uma doen&ccedil;a que fez perder o sentido ao drama mutante primitivo das nossas vidas. Para mim, o Jap&atilde;o &eacute; o local isolado em aonde procuro a minha vida verdadeira.<\/p>\n<table><img>images\/artigos\/kenjisiratori\/siratori2.jpg<\/img><\/table>\n<p><b>Imagino a tua vida di&aacute;ria como completamente digital. Alguma parte dela &eacute; ainda anal&oacute;gica?<\/b><br \/>N&atilde;o. A minha vida real &eacute; bastante anal&oacute;gica! &Eacute; a sombra de Kenji Shiratori e provavelmente ningu&eacute;m a pode imaginar. N&atilde;o tenho TV ou carro. N&atilde;o leio jornais. Em vez disso tenho a natureza. Por isso a minha vida real pode ser digital como a &uacute;ltima analogia. Porque a minha vida real existe para a transmiss&atilde;o da minha experi&ecirc;ncia do ru&iacute;do da vida.<\/p>\n<p><b>Quais s&atilde;o os teus planos, se os tem, para o pr&oacute;ximo par de anos? E a longo prazo?<\/b><br \/>Provavelmente agora sou a infec&ccedil;&atilde;o viral do drama mutante primitivo. N&atilde;o &eacute; uma categoria como arte. Se a minha experi&ecirc;ncia do ru&iacute;da da vida &eacute; arte real, explodiria em morte sempre.<\/p>\n<p><b>Antes de acabar, sugiro um jogo. Escolhe um dos seguintes pares de palavras<\/b><br \/><b>Gojira ou Ultraman?<\/b><br \/>Gojira<br \/><b>Cyberspace ou Hiperspace?<\/b><br \/>Cyberspace<br \/><b>Mac ou Sony Vaio?<\/b><br \/>Mac<br \/><b>Intranet ou Internet?<\/b><br \/>Internet<\/p>\n<p><b>Podes deixar alguma palavras finais para os leitores do Clubotaku?<\/b><br \/>Em ordem para sentirem o puro drama primitivo das nossa vidas, por favor expludam a vossa morte para a vossa experi&ecirc;ncia do ru&iacute;do da vida em momentos.<\/p>\n<p><b>Autor:Fernando Ferreira<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um dos nomes indiscut&iacute;veis da literatura cyberpunk do momento &eacute; o japon&ecirc;s Kenji Siratori. Ele intitula-se um escritor hipermoderno que trabalha num ambiente digital. 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