{"id":8047,"date":"2006-10-07T23:00:00","date_gmt":"2006-10-07T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8047"},"modified":"2015-12-30T22:24:56","modified_gmt":"2015-12-30T23:24:56","slug":"entrevista-acid-mother-temple","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/music\/entrevista-acid-mother-temple\/","title":{"rendered":"[Entrevista] : Acid Mother temple"},"content":{"rendered":"<p>Recentemente estiveram em Portugal para um concerto &uacute;nico na Galeria Z&eacute; dos Bois em Lisboa. J&aacute; com uma extensa carreira os Acid Mother Temple s&atilde;o uma das refer&ecirc;ncias incontorn&aacute;veis da m&uacute;sica japonesa e em especial do rock progressivo e psicad&eacute;lico. Criados nos anos 70 pelo guitarrista Makoto Kawabata.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/11144.jpg\" alt=\"1\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21372\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/11144.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/11144-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p><b>Quando &eacute; que sentiste que precisavas de criar o teu pr&oacute;prio grupo? Existe algum conceito por detr&aacute;s dos Acid Mothers Temple?<\/b><\/p>\n<p>Inicialmente n&atilde;o tinha qualquer inten&ccedil;&atilde;o de criar os Acid Mothers Temple como um &#8220;ongoing project&#8221;. Come&ccedil;ei o grupo porque conhecia fant&aacute;sticos m&uacute;sicos que n&atilde;o tinha possibilidade de lan&ccedil;ar um album e eu queria mostrar ao mundo como estes m&uacute;sicos soavam. O conceito resume-se em duas palavras &#8220;trip music&#8221;. Sempre ouvi diferentes tipos de discos de rock psicad&eacute;lico, mas nunca fiquei realmente satisfeitos com eles.<br \/>Por isso, comecei a querer fazer m&uacute;sica realmente &#8220;tripante&#8221;. Tamb&eacute;m foi para mim uma grande possibilidade de criar e experimentar todos os tipos de coisas no est&uacute;dio, e assim o primeiro album &eacute; basicamente um disco a solo. Editei e misturei todas aquelas grava&ccedil;&otilde;es das nossas &#8220;jam sessions&#8221;, e acabou por resultar em algo semelhante a m&uacute;sica concreta. Por isso nunca pensei em levar este grupo para tocar em concertos. Este disco foi a primeira vez que eu senti que tinha realizado o meu sonho de inf&acirc;ncia e que tinha criado uma m&uacute;sica que conseguia fundir o &#8220;hard rock&#8221; com a m&uacute;sica electr&oacute;nica. E tamb&eacute;m era a tal m&uacute;sica &#8220;tripante&#8221; que sempre. sonhei fazer.<\/p>\n<p><b>E por por isso que decidiste criar uma editora?<\/b><\/p>\n<p>No &iacute;nicio foi porque queria editar um disco como guitarrista a solo. Mas, eu sabia que n&atilde;o venderia muitas c&oacute;pias, e por isso fiquei um bocado envergonhado em perguntar algu&eacute;m se podia fazer isso por mim. Al&eacute;m disso, os discos de guitarra improvisada s&atilde;o como o peixe quanto mais fresco melhor.<br \/>Seria impens&aacute;vel vender centenas de c&oacute;pias de umas grava&ccedil;&otilde;es que tinha feito h&aacute; mais de 10 anos. Foi a&iacute; que descobri o formato de CDR, e apercebi-me que assim n&atilde;o precisava de caixas e de stocks e tamb&eacute;m poderia editar sempre que quisesse e muito mais r&aacute;pido. Por isso decidi criar a editora. Higashi e eu juntamos dinheiro para levarmos a editora avante, e decidirmos os nossos timmings para edi&ccedil;&atilde;o.Todo o processo &eacute; similiar &agrave;s editoras normais, a grava&ccedil;&atilde;o dos discos, o design das capas, organiza&ccedil;&atilde;o dos discos e envio. A raz&atilde;o de limitarmos cada edi&ccedil;&atilde;o &agrave;s 100 c&oacute;pias &eacute; porque pensavamos que s&oacute; deviam existir umas 100 pessoas para as comprar. Gravar mais de 100 c&oacute;pias j&aacute; se torna complicado, e nesta altura 100 c&oacute;pias j&aacute; n&atilde;o chegam por isso estamos a gravar entre os 200 e os 500 cds.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2699.jpg\" alt=\"2\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21371\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2699.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2699-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p><b>Falando agora da vossa m&uacute;sica. Todos os temas s&atilde;o improvisados ou preparam alguma coisa?<\/b><\/p>\n<p>Quando os AMT gravam, a maior parte das m&uacute;sicas s&atilde;o improvisadas ou ent&atilde;o decidimos uma base simples e improvisamos o resto. N&atilde;o gosto de escrever m&uacute;sica. Se tu escreves m&uacute;sica tens que ensaiar muito para as tornares perfeitas. Mas a m&uacute;sica est&aacute; em constanta muta&ccedil;&atilde;o, dependendo do tempo, local e ambiente e tentar contrariar isto nunca produz bons resultados especialmente quando um grande grupo de pessoas toca juntas, ou seja quanto mais parametros tiveres, menos espiritual se torna a comunica&ccedil;&atilde;o entre os m&uacute;sicos e o resultado final torna-se chato.<br \/>Quando os AMT tocam ao vivo, existe sempre uma base para cada tema, mas nunca sabemos o que poder&aacute; acontecer. N&atilde;o vale a pena decidir antes dos concertos o que vamos fazer quando tocamos com pessoas diferentes, em locais diferentes, em dias diferentes. &Eacute; por isso que as nossas tourn&eacute;e s&atilde;o sempre estimulantes para n&oacute;s.<\/p>\n<p><b>&Eacute;s um m&uacute;sico auto-didacta?<\/b><\/p>\n<p>Nunca ningu&eacute;m me ensinou a tocar, aprendi tudo sozinho. O meu conhecimento musical te&oacute;rico est&aacute; muito pr&oacute;ximo do zero, mas nunca se tornou para mim um problema. Um dia o Keiji Haino disse-me isto, &#8220;Primeiro apareceu a m&uacute;sica, depois veio a teoria&#8221;.A teoria musical nunca poder&aacute; ter aparecido primeiro que a m&uacute;sica, por isso ensinar a teoria primeiro &eacute; um erro.&#8221; E &eacute; assim que eu sinto tamb&eacute;m. Sempre tentei usar o m&iacute;nimo de conhecimentos na minha m&uacute;sica. Acredito que seja a melhor maneira para fazer as coisas nem muito nem pouco. Se tivermos muito conhecimento ou t&eacute;cnica, inconscientemente queremos mostrar isso aos outros e nessa altura deixa de ser m&uacute;sica e passa simplesmente uma mostra de capacidades. E isso n&atilde;o &eacute; o que eu quero que seja a minha m&uacute;sica.<\/p>\n<p><b>Qual &eacute; a tua inspira&ccedil;&atilde;o para tocares guitarra?<\/b><\/p>\n<p>Quando toco guitarra ou qualquer outro instrumento, nunca penso que sou eu que estou a fazer a m&uacute;sica ou a exprimir-me. Na minha cabe&ccedil;a ou&ccedil;o constantemente os sons do cosmos (de Deus, ou de qualquer nome que queiras chamar). <br \/>Acredito que esse sons est&atilde;o constantemente &agrave; nossa volta. Imagino-me como um receptor de r&aacute;dio, apanho os sons e depois transformo-os com as minhas m&atilde;os de forma a que qualquer pessoa os possa ouvir. Assim sou eu, estou constantemente a tentar ser um receptor melhor, captando sons cada vez mais precisos e de dimens&otilde;es mais altas, e tantar reproduzi-las com a maior fidelidade poss&iacute;vel. Este &eacute; o meu objectivo.<\/p>\n<p><b>E essas dimens&otilde;es superiores s&atilde;o atingidas atrav&eacute;s das drogas? Ou s&atilde;o uma forma de inspira&ccedil;&atilde;o e de liberdade?<\/b><\/p>\n<p>No que respeita &agrave;s drogas, eu j&aacute; experimentei v&aacute;rios tipos de droga. J&aacute; quase morri por causa delas. A raz&atilde;o por as experimento &eacute; pura e simplesmente por curiosidade &#8211; para descobrir o que existe nesse mundo. A minha conclus&atilde;o &eacute; que existem drogas que nos conseguem mostrar diferentes mundos, mas que n&atilde;o s&atilde;o mais do que guias. Agora, estamos preparados para alcan&ccedil;ar esses mundos facilmente sem usarmos drogas. E estamos preparados para atingir um pr&oacute;ximo n&iacute;vel &#8211; um n&iacute;vel que eu acredito que seja d&iacute;ficil alcan&ccedil;ar usando o poder das drogas. N&atilde;o repudio nem aprovo quem fa&ccedil;a o uso das drogas, pessoalmente j&aacute; n&atilde;o preciso delas mais. Se precisas de alguma pista ou um mapa para outros mundos, ent&atilde;o as drogas podem ajudar-te mas elas n&atilde;o s&atilde;o mais do que uma pequena pista. Mas se pararmos l&aacute; ent&atilde;o &eacute; como se nunca tivessemos visto outros mundos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3642.jpg\" alt=\"3\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-21373\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3642.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3642-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p><b>Al&eacute;m da m&uacute;sica j&aacute; experimentaste outras formas de arte?<\/b><\/p>\n<p>O que &eacute; a &#8220;arte&#8221;? A maioria das pessoas refere a m&uacute;sica como sendo arte, mas para mim &eacute; simplesmente m&uacute;sica, nunca arte. N&atilde;o h&aacute; mais nada suspeito que a &#8220;arte&#8221;. N&atilde;o &eacute; mais do que uma fraude para os pseudo-intelectuais mostrarem que sabem alguma coisa quando no verdadeiro sentido n&atilde;o entendem nada. Eu nunca toquei m&uacute;sica como sendo &#8220;arte&#8221;. A minha m&uacute;sica nunca &eacute; arte &#8211; &eacute; entertenimento, vulgar e para as massas. A m&uacute;sica nunca deve ser menos do que isso ou mais do que isso. &Eacute; apenas isso.<\/p>\n<p><b>De que forma a cultura ocidental influencia-te musicalmente?<\/b><\/p>\n<p>&Aacute; parte de algumas influ&ecirc;ncias da m&uacute;sica &eacute;tnica, quase a totalidade das minhas influ&ecirc;ncias s&atilde;o ocidentais. Eu costumava ouvir e gostar (e ainda o fa&ccedil;o e gosto) de rock, jazz, m&uacute;sica classica contempor&acirc;nea, m&uacute;sica tradicional europeia, blues, etc. Mas como sou japon&ecirc;s e nasci e fui criado no Jap&atilde;o, penso que algures no meu subconsciente existe alguma sensibilidade nip&oacute;nica. Mas &agrave; parte da m&uacute;sica tradicional n&atilde;o tenho qualquer interesse pela m&uacute;sica japonesa.<\/p>\n<p><b>Al&eacute;m do teu interesse em OVNIS, existem outras entidades metaf&iacute;sicas porque tenhas algum interesse. E se sim, porqu&ecirc; e qual a tua rela&ccedil;&atilde;o com elas?<\/b><\/p>\n<p>J&aacute; foi cientificamente provado que a gripe &eacute; um v&iacute;rus espacial que consegue penetrar na atmosfera terrestre nas camadas de ozono junto ao P&oacute;lo Norte. Estou do lado dos cientistas que est&atilde;o a tentar provar a exist&ecirc;ncia de vida na presen&ccedil;a dos elementos (oxig&eacute;nio e carbono) que s&atilde;o essenciais para que isso aconte&ccedil;a na Terra. Podem existir organismos que vivam na aus&ecirc;ncia de oxig&eacute;nio, e tamb&eacute;m podem haver organismos que que n&atilde;o refletem luz (e por isso s&atilde;o-nos invis&iacute;veis). <br \/>Tentar usar as regras da vida na Terra ao resto do Universo n&atilde;o &eacute; diferente de cosmologia cat&oacute;lica medieval. Para que todos saibam, o v&iacute;rus da gripe pode j&aacute; ter chegado h&aacute; centenas de anos com a intens&atilde;o de conquistar o planeta. Penso que n&atilde;o podemos pensar que os poss&iacute;veis seres extraterrestes chegar&atilde;o at&eacute; n&oacute;s numa esp&eacute;cie de nave espacial. Se o nosso corpo j&aacute; criou sistemas de imunidade contra o v&iacute;rus da gripe, ent&atilde;o eles j&aacute; iniciaram a coloniza&ccedil;&atilde;o da Terra com sucesso.<\/p>\n<p><b>Entrevista por: Fernando Ferreira<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Recentemente estiveram em Portugal para um concerto &uacute;nico na Galeria Z&eacute; dos Bois em Lisboa. 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