{"id":8077,"date":"2007-04-07T23:00:00","date_gmt":"2007-04-07T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8077"},"modified":"2007-04-07T23:00:00","modified_gmt":"2007-04-07T23:00:00","slug":"k-zine","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/manga\/k-zine\/","title":{"rendered":"K-Zine"},"content":{"rendered":"<p><split><\/p>\n<p>O que significa ser-se &#147;amador&#148;, em termos de cria&ccedil;&atilde;o de banda desenhada, em Portugal? Esta palavra pode revestir-se de tr&ecirc;s acep&ccedil;&otilde;es, logo &agrave; partida. Duas s&atilde;o &oacute;bvias, a de &#147;n&atilde;o-profissional&#148; e a de &#147;amante de determinada pr&aacute;tica&#148;. A primeira acep&ccedil;&atilde;o, penso que n&atilde;o nos ser&aacute; dif&iacute;cil descobri-lo, obrigar-nos-&aacute; a dizer que quase todos os autores de banda desenhada em Portugal s&atilde;o amadores, j&aacute; que raros s&atilde;o os que fazem desse seu m&eacute;tier a sua fonte principal (e jamais &uacute;nica) de rendimentos. O segundo significado, ser&atilde;o os pr&oacute;prios autores a querer empreg&aacute;-la, j&aacute; que n&atilde;o existir&atilde;o artistas a exercer neste campo da cria&ccedil;&atilde;o e da expressividade que n&atilde;o partilhem de uma inclina&ccedil;&atilde;o, um gosto, uma coincid&ecirc;ncia entre a vontade e a possibilidade, quem sabe uma paix&atilde;o, por esse mesmo modo.<\/p>\n<p>Um terceiro significado, e que nos importar&aacute; mais, &eacute; o seguinte: o de n&atilde;o obstante a vontade, o eventual talento, a dedica&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o serem capazes de escapar a um c&iacute;rculo determinado de expectativas &#150; cruas, normalizadas, correntes, de &#147;chav&atilde;o&#148; &#150; e quebr&aacute;-lo para se tornarem &#147;pessoais&#148;.<br \/>Este novo fanzine (de dois &#147;lados&#148;) que surge com o apoio de v&aacute;rias plataformas afinas &agrave; banda desenhada transporta as cria&ccedil;&otilde;es de um grupo pequeno, mas coeso de alguns amigos (a maioria do sexo feminino, na verdade) que partilham o fasc&iacute;nio pela mang&aacute;, ou banda desenhada japonesa, e que desejam vingar na cria&ccedil;&atilde;o dessa mesma arte. &Eacute; sempre bom produtivo explicitar que &#147;mang&aacute;&#148; &eacute; um nome t&atilde;o geral como &#147;banda desenhada&#148; e que pode englobar em si as mais diversas produ&ccedil;&otilde;es, qualidades e prop&oacute;sitos e for&ccedil;as. No entanto, estamos aqui perante um entendimento algo mais restrito, uma mang&aacute; que se cinge &agrave;s suas caracter&iacute;sticas mais vis&iacute;veis, mais famosas, qui&ccedil;&aacute; mais comerciais, e que n&atilde;o passam pela informa&ccedil;&atilde;o de um Tsuge, de um Taniguchi, de um Tatsumi (ficamos pelos Ts&#8230;) ou at&eacute; mesmo de talentos mais recentes como os de Kazuichi, I&ocirc; Koruda, Junko Mizuno, Kiriko Nananan ou mesmo Terada Katsyua. No entanto, eis que surge j&aacute; aqui o problema.<\/p>\n<p>Um dos motos que poderia estar a presidir todas estas produ&ccedil;&otilde;es seria a de &#147;coelhos presos num foco de luz.&#148; O fasc&iacute;nio, at&eacute; etimologicamente, significa um comportamento de captura, sob uma for&ccedil;a que nos ultrapassa, e que n&atilde;o conhecemos e no qual ca&iacute;mos na mais plena das atitudes acr&iacute;ticas. Isto &eacute;, n&atilde;o h&aacute; &#147;personalidade&#148; (ou at&eacute; mesmo &#147;pessoalidade&#148;, se o virmos como fases psicol&oacute;gicas necess&aacute;rias ao desenvolvimento da pessoa), apenas epigonismo e estilo.<\/p>\n<p>Os trabalhos apresentados, pelo menos em termos gr&aacute;ficos, s&atilde;o competentes. Disso n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida, e mesmo Vanessa Nobre mostra uma grande capacidade inventiva em termos de estrutura&ccedil;&atilde;o pertinente da prancha, acima dos demais, e Ricardo Reis (n&atilde;o o da L&iacute;dia) mostra n&atilde;o vergar um tra&ccedil;o pessoal a uma fasquia mais homog&eacute;nea, se bem que n&atilde;o apresente material suficientemente claro para entender quais as suas for&ccedil;as. E alguns dos argumentos, n&atilde;o obstante o n&atilde;o serem nada claros &#8211; tratar-se-&aacute; de um epis&oacute;dio ou de um &#147;teaser&#148;? Come&ccedil;am todos in media res ou desenvolver-se-&atilde;o mais tarde? &#150; a desculpa de ver num site o que os complementa n&atilde;o abona &agrave; viv&ecirc;ncia do fanzine, se bem que perten&ccedil;a a um p&uacute;blico muito especial cujo comportamento e h&aacute;bitos culturais n&atilde;o fazem &#150; ainda bem &#150; distin&ccedil;&otilde;es entre o que &eacute; produzido em papel e o que o &eacute; online &#150; denunciam uma inexor&aacute;vel determina&ccedil;&atilde;o de crescer, como no caso dos argumentos de Miguel Martins, n&atilde;o obstante o tipificado &#147;poema juvenil&#148; que constitui Aquaroja.<\/p>\n<p><split><\/p>\n<p>Mas o facto &eacute; que, sendo cria&ccedil;&otilde;es de dojinshis portugueses que tentam seguir uma linguagem fortemente associada ao Jap&atilde;o culturalmente, pergunto-me se conseguir&atilde;o fazer criar um bom casamento, ou se n&atilde;o ficar&atilde;o somente como &#147;ep&iacute;gonos de algo que jamais ser&atilde;o&#148;. As &#147;culturas n&atilde;o se podem traduzir&#148; &eacute; uma forte e incontorn&aacute;vel verdade. &Eacute; uma pena, porque pessoalmente s&atilde;o pessoas que vibram de for&ccedil;a e vontade em criar, mas acabam por se afogar no excesso de desejo de agradar a esses objectos, de todo o modo inalcan&ccedil;&aacute;veis. Nunca ser&atilde;o japoneses. Tal como a escola de samba de Sesimbra, por melhor que seja na imita&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o se tratando de uma tradi&ccedil;&atilde;o portuguesa (independentemente de ra&iacute;zes comuns ou m&uacute;tuas influ&ecirc;ncias), e n&atilde;o havendo correspond&ecirc;ncia de desejos com os restantes portugueses, jamais ser&aacute; de brasileiros&#148;.<\/p>\n<p>A m&aacute; impress&atilde;o encurta o prazer que se pode atingir com alguns dos trabalhos, mas em termos de banda desenhada h&aacute; um outro peso negativo: alguns dos trabalhos s&atilde;o demasiado &#147;ilustrativos&#148;. O que significa que, apesar de um desenho em particular ter todos os ingredientes para fazer dele um &#147;belo desenho&#148;, n&atilde;o escapa dessa naturalidade de &#147;desenho&#148;, n&atilde;o se transformando numa pe&ccedil;a organizativa de uma banda desenhada, e n&atilde;o se tornando uma esp&eacute;cie de ser vivo que connosco comunique a sua vida de viver independentemente do seu autor. Est&atilde;o demasiado presos, mais uma vez, ao desejo que as fez crescer, e vergam sobre esse peso.<\/p>\n<p>Este &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o complicada. Pessoas com um franco talento material, mas cuja puls&atilde;o criativa n&atilde;o parece encontrar uma sa&iacute;da produtiva e pessoal. Em todo o caso, pode ser que esta minha interpreta&ccedil;&atilde;o esteja regida por alguma esp&eacute;cie de preconceito que eu pr&oacute;prio n&atilde;o percepciono em mim, e me impede de ver o valor de termos bons mangaka portugueses.<\/p>\n<p>Os &#147;tutoriais&#148; no final de cada &#147;lado&#148; deste fanzine s&atilde;o muito bem pensados, dever&atilde;o ajudar muitos bons mi&uacute;dos em in&iacute;cio de &#147;carreira&#148;, mas convinha que revissem melhor a estrat&eacute;gia, j&aacute; que o intitulado &#147;como limpar uma imagem obtida por scanner&#148; apresenta fases sucessivas de uma imagem limpa&#8230; mas sempre com a mesma qualidade de imagem! Deslize?<br \/><split><br \/><b>Autor:Pedro Vieira Moura<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que significa ser-se &#147;amador&#148;, em termos de cria&ccedil;&atilde;o de banda desenhada, em Portugal? Esta palavra pode revestir-se de tr&ecirc;s acep&ccedil;&otilde;es, logo &agrave; partida. 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