{"id":8103,"date":"2007-05-23T23:00:00","date_gmt":"2007-05-23T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8103"},"modified":"2012-08-31T11:01:48","modified_gmt":"2012-08-31T12:01:48","slug":"love-letter","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cinem\/love-letter\/","title":{"rendered":"Love letter"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Hiroko Watanabe&#8221; (Miho Nakayama) &eacute; uma jovem rapariga que vive em Kobe, arrasada pela morte do seu noivo &#8220;Fujii Itsuki&#8221;, ocorrida dois anos antes num acidente de montanhismo. Aquando da celebra&ccedil;&atilde;o do anivers&aacute;rio do falecimento do seu amor, &#8220;Hiroko&#8221; descobre na casa deste o livro do liceu onde &#8220;Itsuki&#8221; concluiu o ensino secund&aacute;rio, situado na rec&ocirc;ndita cidade de Otaru, na ilha de Hokkaido. Folheando o livro, &#8220;Hiroko&#8221; aponta no seu bra&ccedil;o a antiga morada de &#8220;Itsuki&#8221;.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cinem\/love-letter\/attachment\/1-415\/\" rel=\"attachment wp-att-12962\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1383.jpg\" alt=\"\" title=\"1\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"alignnone size-full wp-image-12962\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1383.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/1383-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Mesmo sabendo que a casa de &#8220;Itsuki&#8221; em Otaru j&aacute; n&atilde;o existe, atendendo a que foi demolida para dar lugar a uma auto-estrada, &#8220;Hiroko&#8221; resolve escrever uma carta dirigida ao seu falecido noivo com os simples dizeres &#8220;Dear Fujii Itsuki. How are you? I am fine. Hiroko Watanabe&#8221;. O objectivo &eacute; o simbolismo impregnado e a descarga de sentimentos. &#8220;Hiroko&#8221; sabe muito bem que n&atilde;o vai obter uma resposta. Pelo menos era o que pensava&#8230;<\/p>\n<p>Surpreendentemente &#8220;Hiroko&#8221; recebe uma carta de volta, assinada sob o nome &#8220;Fujii Itsuki&#8221;. A explica&ccedil;&atilde;o passa por a missiva ter sido entregue a uma rapariga que partilha o mesmo nome que o noivo de &#8220;Hiroko&#8221;. A hom&oacute;nima de &#8220;Itsuki&#8221; (igualmente interpretada por Miho Nakayama), ao receber a carta de &#8220;Hiroko&#8221;, tinha ficado assustada, mas ao mesmo tempo curiosa, e decidiu responder da mesma maneira amb&iacute;gua, sem revelar o facto de ser uma mulher (esta ideia nem lhe ocorreu, pois compreensivelmente nesta altura, n&atilde;o imaginava o que realmente se estava a passar).<\/p>\n<p>Novas trocas de correspond&ecirc;ncia sucedem-se, e acabamos por descobrir que a rapariga &#8220;Itsuki&#8221; foi colega da mesma turma de liceu do rapaz &#8220;Itsuki&#8221;. A partir desta premissa, nasce uma forte liga&ccedil;&atilde;o entre as duas mulheres, que a &#8220;Hiroko&#8221; servir&aacute; para descobrir aspectos que desconhecia da adolesc&ecirc;ncia noivo, e por outro lado far&aacute; com que a &#8220;Itsuki&#8221; feminina redescubra o seu passado e se aperceba que, porventura, nem tudo era o que pressupunha em rela&ccedil;&atilde;o ao &#8220;Itsuki&#8221; masculino dos tempos de liceu.<\/p>\n<p>Shunji Iwai &eacute; um realizador detentor de uma caracter&iacute;stica que aprecio imenso, e que passa pelo facto de ser capaz de expor, de uma forma simples, uma est&oacute;ria que muito bem poderia acontecer no nosso dia-a-dia e transform&aacute;-la num filme que transborda de sentimentalismo anti-barato, e nos toca bem l&aacute; no fundo da alma. J&aacute; o tinha notado em &#8220;April Story&#8221; , fiquei completamente rendido nesta obra antecessora daquele filme.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cinem\/love-letter\/attachment\/2-349\/\" rel=\"attachment wp-att-12963\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2320.jpg\" alt=\"\" title=\"2\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"alignnone size-full wp-image-12963\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2320.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/2320-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A maneira como Iwai trata do enredo em &#8220;Love Letter&#8221; &eacute; digna dos maiores elogios e aclama&ccedil;&otilde;es, e salvo um ou outro defeito nunca por demais evidente, ro&ccedil;a a quase perfei&ccedil;&atilde;o. O primeiro ponto a focar &eacute; que, apesar de porventura a sinopse indicar o oposto (aqui provavelmente a culpa ter&aacute; de ser assacada ao subscritor deste texto), a est&oacute;ria &eacute;-nos apresentada com uma fluidez tal, fazendo com que nunca nos percamos em devaneios in&uacute;teis ou sejamos contagiados pela superficialidade. Simplesmente o que aqui conta &eacute; sentir o anseio, a dor e as expectativas dos intervenientes. Podendo &agrave; partida, e pela supramencionada descri&ccedil;&atilde;o no que tange &agrave; troca de correspond&ecirc;ncia numa fase inicial, haver algum efeito que se reconduza ao paranormal, &agrave; semelhan&ccedil;a do belo melodrama sul-coreano &#8220;Il Mare&#8221; , cedo isto se desvanece. O motor da trama &eacute; desencadeado por um simples engano, reconduzindo-se este &agrave; entrega de uma carta a uma pessoa com o mesmo nome e que, por coincid&ecirc;ncia, conhece muito bem o passado do destinat&aacute;rio.<\/p>\n<p>Pensando melhor, aqui eventualmente poderia ser apontada uma falha no enredo que passa pelo seguinte: i) Constando na carta a morada correcta; ii) a casa a que corresponde a morada j&aacute; n&atilde;o existe, pois foi demolida tendo em vista a constru&ccedil;&atilde;o de uma auto-estrada; iii) a cidade de Otaru &eacute; pequena no contexto japon&ecirc;s, mas tem mais de 140.000 habitantes (mais ou menos a mesma popula&ccedil;&atilde;o da minha povoa&ccedil;&atilde;o, o Funchal)<\/p>\n<p>Pergunta-se com l&oacute;gica, &#8220;porqu&ecirc; que a carta n&atilde;o foi devolvida ao remetente, e pelo contr&aacute;rio foi entregue a uma pessoa que vive noutro ponto completamente diferente da cidade, tendo por &uacute;nico meio de rela&ccedil;&atilde;o, o facto de ter o mesmo nome?&#8221;<\/p>\n<p>N&atilde;o opinarei em demasia acerca deste ponto, at&eacute; porque o filme fascinou-me bastante. A &uacute;nica desculpa que encontro para este aparentemente inexplic&aacute;vel contrasenso, ser&aacute; o carteiro ser um apaixonado da &#8220;Itsuki&#8221; feminina e provavelmente ter dado com a carta (quantos carteiros existir&atilde;o em Otaru?). Adiante!<\/p>\n<p>A fotografia &eacute; de uma beleza quase inexced&iacute;vel. O constante cair da neve ilustra com magnific&ecirc;ncia a dor e o &#8220;inverno&#8221; dos sentimentos de &#8220;Hiroko&#8221; e posteriormente da &#8220;Itsuki&#8221; feminina, transportando igualmente as intermit&ecirc;ncias dolorosas de uma personagem para a outra.<\/p>\n<p>O desempenho dos actores &eacute; bastante aceit&aacute;vel, cabendo as honras quase por completo a Miho Nakayama, uma actriz que n&atilde;o conhecia muito bem, mas que a partir de agora prometo que estarei mais atento. Ela praticamente deslumbra, interpretando duas personagens distintas com igual compet&ecirc;ncia e personalidade. O melhor elogio que se poder&aacute; fazer a Nakayama &eacute; ficarmos com a sensa&ccedil;&atilde;o, ao visionar &#8220;Love Letter&#8221;, que estamos perante duas actrizes diferentes e igualmente boas. N&atilde;o &eacute; um caso de dupla personalidade. Constitui, isso sim, duas actua&ccedil;&otilde;es de elevado m&eacute;rito, reunidas numa pel&iacute;cula intemporal.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cinem\/love-letter\/attachment\/3-308\/\" rel=\"attachment wp-att-12964\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3284.jpg\" alt=\"\" title=\"3\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"alignnone size-full wp-image-12964\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3284.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/3284-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A banda-sonora ajuda ao desfile agonizante dos sentimentos, sendo contitu&iacute;da sobretudo por bonitas passagens de piano, acompanhadas de um violino que desperta por vezes algumas das nossas sensa&ccedil;&otilde;es mais escondidas.<\/p>\n<p>No fim de &#8220;Love Letter&#8221; h&aacute; que retirar duas conclus&otilde;es contra-corrente e eventualmente pessimistas. A primeira &eacute; que nem sempre o tempo cura tudo. Mas caso as feridas do cora&ccedil;&atilde;o n&atilde;o sarem, h&aacute; que seguir em frente e tentar conviver com a realidade, nunca lutando ingloriamente contra o que n&atilde;o pode ser vencido, ou seja, as recorda&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>A segunda, n&atilde;o sendo t&atilde;o &oacute;bvia, passar&aacute; pelo passado muitas vezes voltar para nos assombrar, e mudar completamente a percep&ccedil;&atilde;o que n&oacute;s tinhamos de coisas que aconteceram h&aacute; anos atr&aacute;s. &Agrave;s vezes vamos a tempo de alterar as situa&ccedil;&otilde;es; noutras, como em &#8220;Love Letter&#8221;, &eacute; tarde demais&#8230; Aconselho vivamente!!!<\/p>\n<p><b>Escrito por: Jorge Soares in My Asian Movies (http:\/\/shinobi-myasianmovies.blogspot.com\/)<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Hiroko Watanabe&#8221; (Miho Nakayama) &eacute; uma jovem rapariga que vive em Kobe, arrasada pela morte do seu noivo &#8220;Fujii Itsuki&#8221;, ocorrida dois anos antes num acidente de montanhismo. 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