{"id":8106,"date":"2007-05-23T23:00:00","date_gmt":"2007-05-23T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8106"},"modified":"2012-08-26T17:01:41","modified_gmt":"2012-08-26T18:01:41","slug":"entrevista-toe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/music\/entrevista-toe\/","title":{"rendered":"[Entrevista] : toe"},"content":{"rendered":"<p>&laquo;Mais rock, menos conversa&raquo; poderia ser o lema da banda que tem um hom&oacute;nimo no outro lado do mundo. Estes s&atilde;o japoneses e fazem m&uacute;sica instrumental de qualidade com influ&ecirc;ncia post-rock. O ClubOtaku esteve &agrave; conversa com os toe para falar do seu &uacute;ltimo registo, o EP &#8220;New Sentamentality&#8221; e deles pr&oacute;prios.<\/p>\n<p><b>A primeiro aspecto que ressalta &agrave; vista ao escutar a m&uacute;sica dos toe &eacute; a qu&iacute;mica que existe entre os membros, ou seja: cada membro parece saber intuitivamente aquilo que os restantes membros v&atilde;o fazer, sem necessidade de comunica&ccedil;&atilde;o verbal. Com este aspecto em mente, poderiam explicar o que &eacute; que vos inspirou a tocar m&uacute;sica juntos, e como &eacute; que se conheceram?<\/b><br \/>Comecei a fazer m&uacute;sica com o Mino, o outro guitarrista e foi assim que os Toe apareceram. Depois disso, convidei o Kashikura que tocava bateria noutra banda e depois chegou o Satoshi que era membro dos Emotional Hardcore Punk, banda &agrave; qual tamb&eacute;m perenci. Estes s&atilde;o os Toe, como os conhecemos hoje.<\/p>\n<p><b>Outro aspecto interessante na m&uacute;sica dos toe &eacute; o equil&iacute;brio entre os diferentes instrumentos. Enquanto na maior parte das bandas, a bateria &eacute; apenas um elemento de suporte que acompanha os acordes da guitarra, nos Toe a bateria &eacute; um elemento indispens&aacute;vel para definir a identidade de cada tema. As guitarras e o baixo criam &#8220;texturas&#8221; e &#8220;ornamentos&#8221; musicais que expandem as frases musicais tocadas pela bateria. Poderiam explicar como ocorre o processo criativo nos toe, e como conseguem gerir o equil&iacute;brio entre cada instrumento num tema?<\/b><br \/>Normalmente criamos uma tema a partir de um &#8220;riff&#8221; de guitarra ou uma pequena melodia, mas tamb&eacute;m gostamos da imagem sonora que a bateria ou o baixo nos d&aacute;. Como consequ&ecirc;ncia desta situa&ccedil;&atilde;o, pensamos que a guitarra &eacute; um ornamento para a bateria e o baixo da nossa m&uacute;sica.<br \/>Quando estamos a criar as nossas m&uacute;sicas, tentamos sempre captur&aacute;-las como ouvintes. Acreditamos que as coisas que queremos tocar e as coisas que queremos ouvir n&atilde;o s&atilde;o sempre a mesma coisa. Por isso, conscientemente creamos o que queremos ouvir ou testar num concerto. Penso que &eacute; assim que atingimos o balan&ccedil;o na m&uacute;sica que mencionaste.<\/p>\n<p><b>As diferentes partes que comp&otilde;em as m&uacute;sicas dos toe est&atilde;o montadas com a precis&atilde;o de um relojoeiro su&iacute;&ccedil;o. Em m&eacute;dia, quanto tempo demoram para criar uma m&uacute;sica? Quando &eacute; que sentem que um tema est&aacute; conclu&iacute;do? Quando existe um equil&iacute;brio entre as diferentes partes que comp&otilde;em a m&uacute;sica? Ou, por outro lado, uma m&uacute;sica nunca est&aacute; completa, e os Toe divertem-se a modificar e reinterpretar as m&uacute;sicas durante os concertos?<\/b><br \/>Isso varia muito, mas tens temas que fazemos rapidamente no est&uacute;dio. Mas tamb&eacute;m tens m&uacute;sicas que est&atilde;o por acabar &agrave; v&aacute;rios anos.<br \/>Nunca criamos m&uacute;sicas improvisadas. Nos concertos tocamos sempre coisas que j&aacute; tenham sido criadas anteriormente, embora fa&ccedil;amos sempre uma improvisa&ccedil;&atilde;o para estender os temas.<\/p>\n<table><img>images\/music\/toe\/toe1.jpg<\/img><\/table>\n<p><b>Notam-se v&aacute;rias mudan&ccedil;as de sonoridade entre o vosso &aacute;lbum e o novo EP (New Sentimentality). No &aacute;lbum o som &eacute; bastante l&iacute;quido e cerebral, no sentido em que as partes de cada tema conectam-se de uma maneira fluida, quase natural. Mas existe nesse &aacute;lbum uma forte tens&atilde;o entre o aspecto humano e o tecnol&oacute;gico. &Agrave;s vezes, existe a sensa&ccedil;&atilde;o que os Toe procuram tocar com a precis&atilde;o de uma m&aacute;quina. Noutros momentos, existe uma crueza de som (distor&ccedil;&atilde;o, baterias com ritmos mais intensos) que revela o lado mais humano dos Toe. Mas no &#8220;New Sentimentality&#8221;, As m&uacute;sicas revelam um lado doce, com ritmos &#8220;tropicais&#8221; e latinos, ou com partes melanc&oacute;licas que relembram a nostalgia e a &eacute;poca do Outono. O que vos motivou para efectuar esta mudan&ccedil;a na sonoridade?<\/b><br \/>N&atilde;o foi nada intencional. Aconteceu desta forma. As pessoas podem ter sentido essa mudan&ccedil;a na nossa m&uacute;sica, mas para n&oacute;s, apenas tocamos o que queriamos ouvir. Nada mudou.<\/p>\n<p><b>Lan&ccedil;aram um DVD, o &#8220;RGB&#8221;. Como foi o processo de concep&ccedil;&atilde;o do DVD? Como &eacute; que os Toe se relacionam com as imagens na sua m&uacute;sica? Criar visuais para os temas foi um processo f&aacute;cil ou dif&iacute;cil?<\/b><br \/>Fazemos e tocamos m&uacute;sica com o intuito de tocar ao vivo. E fazemos CDs porque gostamos de gravar, e tamb&eacute;m serve para &#8220;guiar&#8221; as pessoas aos nossos concertos e sentirem mais de perto a nossa performance.<br \/>Quanto ao DVD, fizemo-lo com um registo do nosso primeiro grande concerto, e para mostrar a toda a gente como &eacute; que s&atilde;o os concertos dos toe. M&uacute;sica e performance &eacute; tudo o que representa a banda. Contudo, pensamos que quando estamos a criar alguma coisa relacionada com a banda, tem que aparecer algo que expresse a atitude da banda, ou seja, n&atilde;o temos que fazer coisas que n&atilde;o nos pare&ccedil;am bem.<br \/>O trabalho gr&aacute;fico do CD foi feito pelo designer Makoto Nii, os videos e a concep&ccedil;&atilde;o do DVD ficou da responsabilidade da Euphoria Factory. <br \/>Apresentamos a ideia base, mas depois queriamos que trabalhassem os Toe como sendo a mat&eacute;ria-prima para a cria&ccedil;&atilde;o art&iacute;stica. Pusemos toda a confian&ccedil;a no seu talento, e sentimo-nos com muita sorte por termos artistas t&atilde;o talentosos como nossos amigos.<\/p>\n<p><b>Podem dar uma id&eacute;ia de como soam os novos temas? Seguem as pistas lan&ccedil;adas pelo &#8220;New Sentimentality&#8221;, ou v&atilde;o noutras direc&ccedil;&otilde;es inexploradas?<\/b><br \/>Nunca temos a certeza de qual ser&aacute; o caminho musical que iremos seguir, mas pensamos que devemos continuar a usar as sonoridades das guitarras cl&aacute;ssicas, por isso talvez consideremos continuarmos a rota tra&ccedil;ada pelo &aacute;lbum &#8220;New Sentimentality&#8221;. <\/p>\n<p><b>Uma das grandes dificuldades de uma banda &#8220;underground&#8221; &eacute; adquirir sustentabilidade financeira. Sentem que no Jap&atilde;o, foi dif&iacute;cil para os Toe obterem um estatuto que lhes permitisse dedicar mais tempo &agrave; banda? Ou, por outro lado, &eacute; ainda necess&aacute;rio ter trabalhos em part-time\/full-time para sobreviver?<\/b><br \/>Todos os membros da banda t&ecirc;m emprego. <br \/>Uma das raz&otilde;es porque a nossa m&uacute;sica n&atilde;o nos d&aacute; uma sustentabilidade financeira &eacute; que n&atilde;o criamos m&uacute;sica comercial, mas apesar desta situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o nos sentimos mal, porque acreditamos que ao tornar a actividade da banda na fonte de rendimentos principal, de alguma maneira isso transformou-se numa barreira &aacute; nossa criatividade.<br \/>Pessoalmente, penso que n&atilde;o seria capaz de continuar criar m&uacute;sica quando as nossas vendas de CD fossem a principal fonte de receitas da minha vida. Por isso, todo o dinheiro que vem da venda dos CDs ou dos concertos vai para comprar equipamento novo, pagar est&uacute;dios (as salas de ensaio no Jap&atilde;o s&atilde;o bastante caras), e para pagar &agrave;s pessoas que nos ajudam nos nossos concertos.<br \/>N&atilde;o &eacute; preciso dedicar-se &agrave; m&uacute;sica a tempo inteiro para criar-se boa m&uacute;sica. &Eacute; nisso que acreditamos. Por outras palavras, tu podes ter outro trabalho e fazeres boa m&uacute;sica. Relativamente aos Toe, os nossos trabalhos permitem-nos ter flexibilidade hor&aacute;ria por isso n&atilde;o temos muitos problemas em sairmos em torne&eacute;.<\/p>\n<table><img>images\/music\/toe\/toe2.jpg<\/img><\/table>\n<p><b>O que acham da reac&ccedil;&atilde;o dos f&atilde;s ocidentais no vosso myspace? Acham que h&aacute; condi&ccedil;&otilde;es para uma tourn&eacute; europeia\/americana?<\/b><br \/>Estamos muito contentes por saber que as pessoas fora do Jap&atilde;o gostam da nossa m&uacute;sica e o myspace t&ecirc;m-nos mostrado isso. Mas, neste momento o nosso CD est&aacute; apenas dispon&iacute;vel atrav&eacute;s de lojas virtuais: Amazon Japan e em pequenas lojas de discos aqui no Jap&atilde;o.<br \/>As edi&ccedil;&otilde;es japonesas importadas s&atilde;o relativamente cardas comparadas com as lan&ccedil;adas e distribuidas no Jap&atilde;o, por isso estamos &agrave; procura de editoras que possam distribuir e vender a um pre&ccedil;o apropriado conforme o pa&iacute;s. Ao que sabemos, existe uma editora americana que est&aacute; interessada em editar alguns dos trabalhos dos Toe. E com isto, irmos fazer uma tourne&eacute; pelos Estados Unidos ainda este ano ou no &iacute;nicio do pr&oacute;ximo.<br \/>N&atilde;o temos planos para uma torne&eacute; pela Europa, mas queremos sinceramente dar uma s&eacute;rie de concertos em v&aacute;rios pa&iacute;ses.<\/p>\n<p><b>Por fim, qual &eacute; o peso das influ&ecirc;ncias ocidentais versus japonesas na vossa m&uacute;sica? &Eacute; algo em que pensem, ou as influ&ecirc;ncias revelam-se de forma subtil, sem pensar nisso? Acham que a cena musical underground japonesa aprendeu a equilibrar as influ&ecirc;ncias ocidentais e orientais na sua m&uacute;sica?<\/b><br \/>Quando falas de m&uacute;sica japonesa n&atilde;o sei a que tipo de m&uacute;sica te referes. Se &agrave; m&uacute;sica tradicional japonesa, se &agrave; m&uacute;sica pop, ou ainda &agrave; m&uacute;sica Enka (uma esp&eacute;cie de m&uacute;sica &#8220;country&#8221; japonesa). Estamos na era da Internet, onde qualquer pessoa pode influenciar, dominar e controlar todo o tipo de informa&ccedil;&atilde;o sem que olhemos para quem a coloca ou de onde a coloca. Al&eacute;m disso, as pessoas j&aacute; n&atilde;o v&ecirc;m a m&uacute;sica de certos pa&iacute;ses como sendo mais &#8220;cool&#8221; do que a de outros pa&iacute;ses, mas v&ecirc;m-na como uma m&uacute;sica global. E penso que as pessoas da cena &#8220;underground&#8221; japonesa t&ecirc;m o mesmo pensamento.<\/p>\n<p><b>E para terminar, querem deixar alguma mensagem para os f&atilde;s portugueses e aos leitores do ClubOtaku?<\/b><br \/>Esperamos poder fazer uma torne&eacute; europeia para breve. E claro que Portugal est&aacute; inclu&iacute;do, e quando isso acontecer esperamos que todos nos venham ver. Obrigado por nos lerem!<\/p>\n<p>Site Oficial: http:\/\/www.toe.st<br \/>MySpace: http:\/\/www.myspace.com\/toemusic <br \/><b>Escrito por: Bebio Amaro<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&laquo;Mais rock, menos conversa&raquo; poderia ser o lema da banda que tem um hom&oacute;nimo no outro lado do mundo. 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