{"id":8225,"date":"2008-11-25T00:00:00","date_gmt":"2008-11-25T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8225"},"modified":"2014-10-30T19:33:13","modified_gmt":"2014-10-30T20:33:13","slug":"entrevista-satoshi-takeishi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/music\/entrevista-satoshi-takeishi\/","title":{"rendered":"[Entrevista] : Satoshi Takeishi"},"content":{"rendered":"<p>Baterista, percussionista e compositor, Satoshi Takeishi \u00e9 um daqueles artistas cuja expans\u00e3o musical \u00e9 apenas compar\u00e1vel \u00e0 geogr\u00e1fica. Nesta entrevista, fala sobre o seu percurso, desde Mito, no Jap\u00e3o, a Nova Iorque, nos EUA, onde vive desde 1991, movendo-se entre o jazz, a m\u00fasica latina e as esculturas sonoras do projecto Vortex, onde, com a sua mulher, Shoko Nagai, explora improvisa\u00e7\u00e3o e processamento \u00e1udio em tempo real. Protomem\u00f3rias de um viajante sonoro.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/music\/entrevista-satoshi-takeishi\/attachment\/1-95\/\" rel=\"attachment wp-att-8893\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8893\" title=\"1\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/191.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/191.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/191-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><br \/>\nAntes do passado, o presente. No que \u00e9 que tem estado a trabalhar?<\/strong><br \/>\nNeste momento, estou a trabalhar com Dhafer Youssef, um grande executante de Oud e cantor tunisino, assim como com os projectos Renku e Twines of Colesion, de Michael Attias. E tamb\u00e9m trabalho permanentemente com a minha mulher, Shoko Nagai, no nosso projecto electro-ac\u00fastico Vortex.<\/p>\n<p><strong>Voltemos ent\u00e3o atr\u00e1s no tempo. Quando \u00e9 que se come\u00e7ou a interessar pela percuss\u00e3o e, mais concretamente, pela bateria?<\/strong><\/p>\n<p>Bem, o facto \u00e9 que comecei por tocar bateria e s\u00f3 depois, gradualmente, \u00e9 que tomei contacto com instrumentos de percuss\u00e3o. Quando estava em Berklee, um baterista brasileiro mostrou-me como tocar samba com uma baqueta e uma m\u00e3o num s\u00f3 suporte. Isso mostrou-me como um s\u00f3 elemento de percuss\u00e3o pode expressar tanto ou mais do que todo um conjunto. Estou sempre interessado na forma como o universo de um simples elemento pode ser alargado, seja no caso de um instrumento de percuss\u00e3o, de parte de uma bateria ou de uma ideia musical.<\/p>\n<p>Um elemento interessante da sua forma\u00e7\u00e3o musical foi os quatro anos que viveu na Col\u00f4mbia. Qual a foi a import\u00e2ncia dessa experi\u00eancia, e de que forma viria a influenciar o seu trabalho?<br \/>\nPosso seguramente afirmar que o per\u00edodo que passei na Col\u00f4mbia foi o mais importante da minha, dos pontos de vista musical e emocional. Mito, encanto, magia, montanhas e rios, ruas poeirentas, humildade e inoc\u00eancia, drama e com\u00e9dia, humanidade e trag\u00e9dia, e todas as cores e odores, das flores \u00e0 comida e \u00e0s pessoas. Estes elementos s\u00e3o o \u00e2mago do meu som. Todas estas coisas permanecem comigo e mant\u00e9m-me vivo, enquanto mitos.<\/p>\n<p><strong>Quais foram as figuras mais importantes para si, do ponto de vista formativo?<\/strong><br \/>\nEu nunca idolatrei ningu\u00e9m. Mas estarei sempre agradecido ao meu professor, Jimmy Southerland (que j\u00e1 n\u00e3o se encontra entre n\u00f3s), que me disse para tocar bateria \u201ccom o meu rabo aparafusado a um banco&#8221;. Espero que estejas orgulhoso de mim, Jimmy\u2026<\/p>\n<p><strong>O facto de, posteriormente, ter estudado e tocado com Joe Zeytoonian abriu-lhe uma \u201cjanela\u201d conceptual?<\/strong><br \/>\nSim, foi. E tenho de contextualizar essa hist\u00f3ria, que aconteceu em Miami, no final da d\u00e9cada de 1980. Se imaginar o qu\u00e3o frustrado eu estava enquanto tentava explorar o lado mais experimental da m\u00fasica, o Joe foi a \u00fanica pessoa com quem eu podia partilhar essa ideia. A ideia de executar m\u00fasica de uma forma menos convencional. Ele \u00e9 um mestre de m\u00fasica \u00e1rabe, turca e arm\u00e9nia, e tamb\u00e9m um grande improvisador. Ent\u00e3o, actu\u00e1mos bastante em duo ou trio, tocando com a sua companheira Miriam, que \u00e9 tamb\u00e9m uma excelente percussionista e dan\u00e7arina.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/music\/entrevista-satoshi-takeishi\/attachment\/2-91\/\" rel=\"attachment wp-att-8894\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8894\" title=\"2\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/287.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/287.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/287-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><br \/>\nEm que ponto \u00e9 que o seu percurso musical o conduziu ao jazz?<\/strong><br \/>\nPop, rock, funk, fus\u00e3o, brasileira, afro-cubana, jazz, improvisa\u00e7\u00e3o livre, colombiana, \u00e1rabe, turca, africana, da Europa de Leste, electr\u00f3nica, etc\u2026 Essa \u00e9 mais ou menos a ordem pela qual vim a aprender diferentes g\u00e9neros de m\u00fasica. O jazz \u00e9 apenas parte do meu processo de aprendizagem.<\/p>\n<p><strong>O facto de viver nos EUA foi significativo, a esse n\u00edvel?<\/strong><br \/>\nBastante. Especialmente em Nova Iorque, onde todo o tipo de grandes talentos se re\u00fanem. E isso faz com seja f\u00e1cil experimentar v\u00e1rios estilos art\u00edsticos. \u00c9 claro que, por vezes, \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o nos perder, mas enquanto soubermos o que queremos, poderemos alcan\u00e7\u00e1-lo. Eu desenvolvo uma s\u00e9rie de projectos que seriam imposs\u00edveis em outros locais.<\/p>\n<p><strong>Ao permanecer nos EUA, foi f\u00e1cil manter o contacto com o mundo da m\u00fasica latina?<\/strong><br \/>\nMiami \u00e9 uma cidade com uma enorme comunidade latina, assim como Nova Iorque. \u00c9 poss\u00edvel trabalhar apenas com m\u00fasica latina, se assim se desejar.<\/p>\n<p><strong>Por outro lado, e tendo em conta a perspectiva multicultural do seu trabalho, ainda se sente pr\u00f3ximo das suas ra\u00edzes japonesas?<\/strong><br \/>\nEu diria que as minhas ra\u00edzes\/influ\u00eancias japonesas est\u00e3o presentes no meu som, goste eu ou n\u00e3o. O que \u00e9 interessante neste caso \u00e9 que tenho cerca de cinco anos de experi\u00eancia a tocar no Jap\u00e3o e cerca de 25 no estrangeiro. No entanto, ainda mantenho comigo um certo sentimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s minhas ra\u00edzes japonesas.<\/p>\n<p><strong>Ao longo dos anos tem colaborado com v\u00e1rios e variados nomes da cena jazz (Ray Barretto, Anthony Braxton, Erik Friedlander e Michael Attias s\u00e3o apenas quatro nomes numa vasta lista). \u00c9 poss\u00edvel para si apontar as mais importantes ou significativas experi\u00eancias que teve, no que diz respeito a enriquecimento pessoal e evolu\u00e7\u00e3o musical?<\/strong><br \/>\nNo meu caso pessoal, todos esses momentos de \u201crevela\u00e7\u00e3o musical\u201d aconteceram em momentos bastante casuais. Como na sala de ensaio de uma banda de liceu ou num pequeno bar em Bogot\u00e1, ou num clube em Miami, etc\u2026 Em todos esses momentos, eu estava a tocar e ent\u00e3o, de repente, \u201ca m\u00fasica fez realmente sentido\u201d. Dito isto, sei que cada um dos m\u00fasicos com quem toquei me aben\u00e7oou com \u201cexperi\u00eancias significativas\u201d.<\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/music\/entrevista-satoshi-takeishi\/attachment\/3-92\/\" rel=\"attachment wp-att-8895\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8895\" title=\"3\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/388.jpg\" alt=\"\" width=\"640\" height=\"290\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/388.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/388-300x135.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><br \/>\nOutro aspecto do seu trabalho \u00e9 a improvisa\u00e7\u00e3o. \u00c9 esta uma consequ\u00eancia da sua abordagem pessoal \u00e0 m\u00fasica, ou apenas a vontade de experimentar?<\/strong><br \/>\nPara mim, a improvisa\u00e7\u00e3o \u00e9 um teste de for\u00e7a. Por vezes, tocar sem premedita\u00e7\u00e3o pode-nos revelar bastante sobre n\u00f3s pr\u00f3prios, o que pode ser desapontante. Mas d\u00e1-me for\u00e7a para lidar com a m\u00fasica em qualquer situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>De que forma \u00e9 que aplica esse conceito ao jazz?<\/strong><br \/>\nAjuda-me a ser livre de uma forma estruturada.<\/p>\n<p><strong>O tema da improvisa\u00e7\u00e3o conduz-nos ao projecto Vortex, onde explora o processamento \u00e1udio atrav\u00e9s de sistemas computorizados. Em que momento \u00e9 que come\u00e7ou a usar a electr\u00f3nica?<\/strong><br \/>\nH\u00e1 cerca de sete anos.<\/p>\n<p><strong>Encontra alguma rela\u00e7\u00e3o entre o seu uso e a perspectiva que mant\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 percuss\u00e3o?<\/strong><br \/>\nPara mim, ambas (electr\u00f3nica e percuss\u00e3o) s\u00e3o instrumentos para produzir m\u00fasica. A minha abordagem \u00e9 a mesma, trate-se de electr\u00f3nica, percuss\u00f5es ou bateria.<\/p>\n<p><strong>Que tipo de equil\u00edbrio encontrou, entretanto, entre as dimens\u00f5es ac\u00fastica e electr\u00f3nica, em termos de som e composi\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\nGosto que a electr\u00f3nica seja a extens\u00e3o de um som ac\u00fastico. Essa \u00e9 a raz\u00e3o pela qual normalmente n\u00e3o uso nenhum material sonoro que n\u00e3o seja o que se encontra em palco, quando estou a tocar. Recolha ao vivo, e depois processamento. Ainda tenho muitas coisas para aperfei\u00e7oar, mas encontro grandes possibilidades na tentativa de combina\u00e7\u00e3o entre improvisa\u00e7\u00e3o, electr\u00f3nica e elementos ac\u00fasticos.<\/p>\n<p><strong>Autor:Nuno Loureiro<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Baterista, percussionista e compositor, Satoshi Takeishi \u00e9 um daqueles artistas cuja expans\u00e3o musical \u00e9 apenas compar\u00e1vel \u00e0 geogr\u00e1fica. 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