{"id":8250,"date":"2009-03-05T00:00:00","date_gmt":"2009-03-05T00:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8250"},"modified":"2009-03-05T00:00:00","modified_gmt":"2009-03-05T00:00:00","slug":"naomi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cultu\/naomi\/","title":{"rendered":"Naomi"},"content":{"rendered":"<p><i>Aos 15 anos, Naomi era uma discreta rapariga que trabalhava como recepcionista no Caf&eacute; Diamante. &Agrave; primeira vista, parecia uma crian&ccedil;a melanc&oacute;lica, de rosto p&aacute;lido, quase transparente. Mas como nota o narrador, Joji, um engenheiro de 30 anos, havia algo de ocidentalizado na sua apar&ecirc;ncia e ela parecia-se mesmo com a estrela de cinema Mary Pickford.<\/p>\n<p>O Jap&atilde;o dos anos vinte experimentava ent&atilde;o uma crescente influ&ecirc;ncia ocidental. Joji morava sozinho numa pens&atilde;o, ganhava bem e tinha uma vida agrad&aacute;vel. Incapaz de resistir &agrave; sensualidade de Naomi, concebeu o projecto de viver com ela, vendo-a crescer, levando uma vida divertida e talvez um dia casando.<br \/>Mas ao longo de sete anos de casamento vai descobrir uma Naomi inesperada.<\/i><\/p>\n<p>Naomi &eacute; considerada por alguns uma esp&eacute;cie de Lolita japonesa ou, noutra perspectiva, Joji representa um Frankenstein japon&ecirc;s, j&aacute; que ele &eacute; atacado pela sua pr&oacute;pria cria&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Seja l&aacute; qual for a compara&ccedil;&atilde;o que se fa&ccedil;a, &eacute; certo que &eacute; uma obra com elementos t&iacute;picos de Tanizaki, nomeadamente na tem&aacute;tica da obsess&atilde;o, que tem um lugar de destaque qualitativo na generalidade da obra.<\/p>\n<p>Ao ler &#147;Naomi&#148; &eacute; necess&aacute;rio ter presente a sua localiza&ccedil;&atilde;o temporal de realidade das primeiras d&eacute;cadas do s&eacute;culo vinte no Jap&atilde;o. S&eacute;culo baseado na procura do &#147;desenvolvimento&#148; e da &#147;moderniza&ccedil;&atilde;o&#148; do Jap&atilde;o atrav&eacute;s da aceita&ccedil;&atilde;o dos modelos ocidentais, maioritariamente europeus e progressivamente americanos. &Eacute; o fasc&iacute;nio pelo ocidente que une o casal protagonista da hist&oacute;ria e &eacute; o fasc&iacute;nio pelo ocidente que torna este livro uma pe&ccedil;a perturbadora.<\/p>\n<p>O livro &eacute; percorrido por uma acep&ccedil;&atilde;o simb&oacute;lica que j&aacute; levou muitos cr&iacute;ticos a atribu&iacute;rem a conota&ccedil;&atilde;o de ocidente a Naomi e de oriente a Joji. Isto porque Naomi representa a predomin&acirc;ncia, a exalta&ccedil;&atilde;o de fasc&iacute;nio e fonte de interesse apaixonante. A sua sensualidade &eacute; demasiado envolvente e leva joji a supor um conjunto de atributos mentais e espirituais que em pouco tempo se apercebe falsos. Ainda assim, n&atilde;o h&aacute; como evitar e n&atilde;o h&aacute; como n&atilde;o ceder ao desejo de lasc&iacute;via de Naomi.<\/p>\n<p>A partir desse momento vemos bem delineado o car&aacute;cter submisso de Joji e a sua falta de senso pr&oacute;prio. N&atilde;o penso que ser&aacute; assim t&atilde;o linear atribuir simbolismos t&atilde;o pr&eacute;-defenidos &agrave;s personagens. A tem&aacute;tica da domina&ccedil;&atilde;o feminina &eacute; recorrente em Tanizaki e portanto pressup&otilde;e uma significa&ccedil;&atilde;o mais particular do que uma mera fun&ccedil;&atilde;o metaf&oacute;rica.<\/p>\n<p>&Eacute; uma leitura interessante para se compreender a frivolidade crescente de uma sociedade dominada pelas apar&ecirc;ncias. O livro tem quase um efeito contemplativo. Tem aspectos sexuais que chegam a ser dolorosos, pelo conceito que representam, ent&atilde;o consegue provocar um antagonismo de sensa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>O que realmente incomoda neste livro &eacute; a extravag&acirc;ncia da discrep&acirc;ncia entre os dois protagonistas. Mas se por um lado a atitude de Naomi consegue ser relativamente veros&iacute;mil &#150; a mulher caprichosa que utiliza o sexo e o seu poder de lasc&iacute;via para conseguir extorquir (essencialmente dinheiro) aos homens, por outro a personagem de Joji &eacute; profundamente irritante e chegamos a apelar ao seu bom senso !!<\/p>\n<p>Pode haver uma frac&ccedil;&atilde;o caricatural no meio disto tudo pois a ideia primordial do livro &eacute; nitidamente que o leitor odeie profundamente cada personagem mas anseie por uma conclus&atilde;o de catarse que, escusado ser&aacute; dizer, n&atilde;o surge.<\/p>\n<p><b>Autor:Sara F. Costa<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 15 anos, Naomi era uma discreta rapariga que trabalhava como recepcionista no Caf&eacute; Diamante. &Agrave; primeira vista, parecia uma crian&ccedil;a melanc&oacute;lica, de rosto p&aacute;lido, quase transparente. 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