{"id":8260,"date":"2009-06-09T23:00:00","date_gmt":"2009-06-09T23:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/?p=8260"},"modified":"2015-06-30T21:01:51","modified_gmt":"2015-06-30T22:01:51","slug":"em-busca-do-carneiro-selvagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.clubotaku.org\/niji\/cultu\/em-busca-do-carneiro-selvagem\/","title":{"rendered":"Em Busca do Carneiro Selvagem"},"content":{"rendered":"<p>Murakami j&aacute; dispensa apresenta&ccedil;&otilde;es. Depois de ter ganho o pr&eacute;mio Kafka com o romance Kafka &agrave; Beira-Mar ou Umibe no Kafuka, de 2002, os romances deste escritor japon&ecirc;s tornaram-se best-sellers em Portugal. Bem antes disso, em 1982, escreve Em Busca do Carneiro Selvagem, romance que fecha a denominada &#147;trilogia do Rato&#148;, encetada por Kaze no uta wo kike (Heard the Wind Sing), de 1979, o primeir&iacute;ssimo romance de Murakami, seguido por 1973-nen no pinb&#333;ru (Pinball, 1973), de 1980.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/11044.jpg\" alt=\"1\" width=\"640\" height=\"290\" class=\"aligncenter size-full wp-image-19923\" srcset=\"https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/11044.jpg 640w, https:\/\/www.clubotaku.org\/nijiwp\/wp-content\/uploads\/11044-300x136.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>S&oacute; o &uacute;ltimo livro desta trilogia est&aacute; traduzido em portugu&ecirc;s, e o acesso &agrave;s tradu&ccedil;&otilde;es em ingl&ecirc;s dos outros dois romances s&atilde;o bastante restritas. Ainda assim, sabe-se que, mesmo precocemente, Murakami j&aacute; apresentava muitos dos tra&ccedil;os liter&aacute;rios que hoje se encontram nos seus romances actuais. Os dois primeiros romances da trilogia apresentam-nos Rato, um amigo do protagonista, algu&eacute;m alienado de tudo, avesso &agrave; sociedade. As marcadas alegorias, o sobrenatural que &eacute; t&atilde;o pr&oacute;prio dos romances do autor, as influ&ecirc;ncias das suas prefer&ecirc;ncias musicais e liter&aacute;rias, tudo isso j&aacute; l&aacute; estava.<\/p>\n<p>Ao ter nas m&atilde;os a edi&ccedil;&atilde;o portuguesa do &uacute;ltimo romance da trilogia, &eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o reparar nos inflamados elogios estampados na capa e vem-nos &agrave; mente a palavra &#147;pretensionismo&#148; ou qualquer coisa do g&eacute;nero. Leiam-no. Ficar&atilde;o abismados como fiquei. Reler&atilde;o a cr&iacute;tica do Daily Telegraph, tal como eu reli, que diz ser &#147;imposs&iacute;vel largar um livro de Murakami at&eacute; chegar ao fim&#148; e achar&atilde;o que &eacute; dizer pouco. Logo nos primeiros cap&iacute;tulos se desvanece o receio de n&atilde;o perceber a hist&oacute;ria por se tratar do final da trilogia. &Eacute; como que uma hist&oacute;ria diferente, porque posterior &agrave; dos livros anteriores, bastante simples e, simultaneamente, confusamente complexa se dedicarmos algum tempo ao penoso exerc&iacute;cio de pensar.<\/p>\n<p>Encontramos, agora, o protagonista em Tokyo, no ano de 1978, como um jovem adulto divorciado, publicit&aacute;rio, que v&ecirc; a sua vida mon&oacute;tona ser subitamente sacudida pela extravagante proposta de procurar um carneiro especial. Ap&oacute;s o espanto perante tal proposta, ficamos a saber que n&atilde;o existem assim tantos carneiros quanto pens&aacute;vamos no Jap&atilde;o. &Eacute; ent&atilde;o que partimos com o novo aventureiro rumo a Hokkaido e este decide instalar-se numa pequena localidade, num local ainda mais pequeno, o misterioso Hotel Golfinho. Entretanto, pelo meio de uma deliciosa hist&oacute;ria detectivesca, o &#147;nosso&#148; aventureiro v&ecirc;-se envolvido num estranho caso com uma jovem que trabalha como modelo de orelhas, das quais tem um enorme pudor, de t&atilde;o perfeitas que s&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; no Hotel Golfinho que, num quarto repleto de documenta&ccedil;&atilde;o acerca de carneiros, come&ccedil;am os primeiros encontros entre o protagonista e o ex&oacute;tico homem-carneiro e as suas surpreendentes conversas, que seguimos avidamente, palavra a palavra. Quando damos conta j&aacute; estamos completamente absorvidos por esta realidade avessa e espantosa, nem sabemos como fomos levados, como sair de l&aacute;, porque nem queremos saber disso. Onde est&aacute; o homem-carneiro? Quando volta? &#150; pergunta o &aacute;vido leitor, partilhando com o protagonista a &acirc;nsia de o reencontrar. Tudo culmina numa casa de quinta onde o protagonista se v&ecirc; obrigado a isolar durante o Inverno, muito rigoroso no norte do Jap&atilde;o, esperando a &#147;conversa final&#148; com o homem-carneiro, que parecia teimar e n&atilde;o vir. O culminar &eacute; bastante satisfat&oacute;rio para uns, desilus&atilde;o para outros.<\/p>\n<p>&Eacute; pr&oacute;prio de Murakami e prova da influ&ecirc;ncia kafkiana um final nada apote&oacute;tico comparado com o que se esperaria e, ao contr&aacute;rio do desejo do &#147;leitor amestrado&#148;, a grande moral do final do romance est&aacute; exclusivamente ao crit&eacute;rio do leitor. Na minha singela opini&atilde;o, tudo &#147;aquilo&#148; &eacute; verdadeiramente extraordin&aacute;rio e se fiquei com alguma m&aacute;goa, foi somente a de o livro ter acabado e assim se encerrar a &#147;trilogia do Rato&#148;.<\/p>\n<p><b>Escrito por: Joana Fonseca<\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Murakami j&aacute; dispensa apresenta&ccedil;&otilde;es. 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