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I, My, Me! Strawberry Eggs

Quando reparamos que uma fatia muito significativa do anime e manga existente é baseado num contexto escolar e com personagens adolescentes, não será muito difícil imaginar que se torna árduo para um argumentista deste tipo de obra imaginar um conjunto novo de situações para oferecer aos seus personagens. É aparente que a fonte há de secar, mas enquanto isso não acontece, somos brindados com histórias que podem pelo menos ser classificadas como marginalmente originais. Desde “Kareshi Kanojo no Jijou” a “Mahou Tsukai Tai!”, passando por “Azumanga Daioh” e “Card Captor Sakura”, é-nos oferecida uma panóplia de situações típicas (e não tão típicas) da segunda casa de quase todos nós enquanto jovens: a escola.

Quer seja o foco principal da história ou apenas um cenário para uma saga mais abrangente, a escola é um tema tão recorrente na animação e BD japonesas que quase todos os fãs já conhecem de cor muitas das particularidades do sistema de ensino japonês ou da mentalidade dos alunos nipónicos, mesmo constituindo estas séries espelhos muitas vezes distorcidos ou exagerados da realidade do país do sol nascente.

“I, My, Me! Strawberry Eggs” é mais uma instância de anime escolar que procura desesperadamente o seu cantinho de originalidade num mercado saturado, e que recorre a um artifício interessante para manter o interesse do público cada vez mais exigente. E isto é dizer muito, num género em que não é pouco frequente recorrer a anjos, extraterrestres e criaturas mágicas como elemento de originalidade…

Amawa Hibiki é um professor de educação física que arrenda um quarto nos arredores de uma escola privada, com o intuito de preencher a vaga ali existente para a sua especialidade. Porém, a sua oportunidade é estragada pelo ódio a homens nutrido pela reitora e vice-reitora da escola, as quais, durante a curta entrevista de emprego, conseguem humilhar Hibiki dizendo-lhe que nunca aceitariam um homem como professor, e que o seu desejo seria mesmo que a escola fosse exclusivamente feminina! Ferido no orgulho, Hibiki prepara-se para abandonar o seu quarto. Porém, a sua senhoria, Lulu, uma velhinha cheia de recursos e com uma paixão por motos, diz a Hibiki que o pode ajudar a vingar-se e a provar a capacidade dos homens como professores (para não falar que Lulu faz questão de ver a renda paga a tempo e horas!).
E é assim que o nosso herói volta à escola, impecavelmente disfarçado de mulher, e é admitido como… professora de educação física!

Hibiki traz às suas aulas um estilo que não é muito do agrado das reitoras, mas que acaba por cativar os alunos… muito particularmente a pequena e desastrada Kuzuha Fuuko, que com a ajuda de Hibiki consegue pela primeira vez correr mais que 5 metros sem bater com o nariz no chão! Com o tempo, a admiração de Fuuko por Hibiki cresce ao ponto de se tornar num sentimento que confunde a mente da jovem liceal.. afinal, será normal uma aluna gostar assim duma professora?

A história de “Strawberry Eggs” é nitidamente despretenciosa e leve, mas aborda ao longo dos seus 13 episódios alguns temas sérios de uma forma pouco típica para um anime: os travesties, o lesbianismo, e as relações românticas entre alunos e professores. Não obstante, nenhum destes assuntos é aprofundado de forma muito intensa, servindo apenas como brindes numa história que, de outra forma, seria pouco mais que corriqueira.
Surpreendentemente, e apesar da aparente previsibilidade inerente aos acontecimentos do enredo, “Strawberry Eggs” tem um fim interessante e comovente, alguns pontos acima da qualidade a que os restantes episódios nos habituam. Uma agradável surpresa naquilo que acaba por ser uma história mediana.

Tecnicamente, não há nada de especial a assinalar, sendo a animação apenas suficiente, as vozes competentes, e o acompanhamento musical bastante fraco. Os designs merecem algum destaque pelo facto de se entregarem à conveniência das situações: além das quantidades respeitáveis de “fan-service” e do exagero das formas de alunas de 14 anos (excepto por Fuuko, que é propositadamente deixada como sub-desenvolvida para a sua idade), a “professora” Hibiki é retratada, na sua forma feminina, como uma boazona que enganaria qualquer macho, mesmo ao vestir um fato de banho que deixa muito pouco por imaginar. Custa a acreditar que um homem de 25 anos tivesse formas assim tão femininas, apesar dos enchumaços que usa por baixo do soutien.
Apesar de agradável aos olhos, torna-se um pouco estranho.

No global, “I, My, Me! Strawberry Eggs” passa como um divertimento agradável e leve, sem grandes pretensões. Não é de forma nenhuma um título a não perder, mas os apreciadores do género não ficarão certamente desiludidos, particularmente com os últimos dois episódios.

Autor:João Rocha

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