O mercado editorial nacional dedicado à banda desenhada do estilo mangá cresce a olhos vistos no nosso país. Desde o inicio do aparecimento da revista Dangan que temos estado a assistir ao aparecimento de novos autores e novas publicações do género.

Um desses casos é Occam’s Blade: A Navalha de Occam, publicado pela Oficina da Escrita e com desenhos e textos de Ana Rosado. A história acompanha um rapaz transportado para uma época desconhecida, cuja chegada provoca uma fissura temporal e desencadeia uma aventura de contornos cada vez mais inquietantes. Entre realidades alternativas e virtuais, a narrativa explora questões como a identidade, a memória, o livre-arbítrio e o lugar do ser humano num mundo cada vez mais próximo da tecnologia. Com uma clara inspiração no manga “seinen”, a obra combina ficção científica, mistério e reflexão filosófica.
Visualmente, o manga apresenta um traço expressivo, capaz de alternar entre momentos de grande dinamismo e passagens mais contemplativas. A construção das personagens, os ambientes e a atenção aos elementos tecnológicos contribuem para criar uma atmosfera simultaneamente familiar e estranha, reforçando a sensação de deslocação temporal que atravessa toda a narrativa.

O desenho revela ainda uma forte influência da linguagem visual do manga japonês, sem deixar de afirmar uma identidade própria, especialmente na forma como combina acção e imaginação na construção deste universo de ficção científica. Um dos aspectos que podia ser melhorado é a legendagem que está um pouco desadequada ao tipo de desenho e história.
Natural de Évora, Ana Rosado é artista visual, autora e professora de artes. Licenciada em Línguas, Literaturas e Culturas pela Universidade de Évora, tem desenvolvido um percurso ligado à ilustração, ao manga e à divulgação da cultura japonesa na sua cidade, participando em exposições e dinamizando workshops de desenho. A sua obra distingue-se pelo cruzamento entre narrativa, expressão visual e temas de identidade e sociedade.

Occam’s Blade é um manga imaginativo e promissor, que é um one-shot mas também podemos ver como um final aberto por isso podemos pensar que poderão aparecer sequelas. É uma história recomendada a leitores de ficção científica e narrativas de viagem no tempo.
Escrito por: Fernando Ferreira
