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Excel Saga

Senhoras e Senhores, temos a honra de apresentar… «Excel Saga».
Ora essa, não têm de quê.

Várias vezes descrito como o o mais insano anime alguma vez feito (um título que com o tempo, mas não tão cedo, pode vir a ser ultrapassado), várias vezes descrito como o Monty Python dos japoneses, várias vezes descrito como… incomparável, «Excel Saga» apresenta, justamente, a saga de non-sense que é o quotidiano de uma organização que visa o controle do Mundo, capaz de empalidecer a própria Al-Qaeda. E porquê? Vejamos…

…talvez seja o facto de os únicos membros dessa organização, a ACROSS, serem 1- uma finalista do Secundário (a própria Excel), cuja dedicação ao seu patrão é proporcional à sua inteligência. Inversamente proporcional, claro está; 2- uma princesa extraterrestre, Hyatt, cujas capacidades incluem… jorrar sangue… ficar anémica… e morrer quando menos se espera; 3- e a Grande Vontade do Universo, encarregada de alterar o destino das pessoas (e as ressuscitar), se bem que os seus objectivos sejam frequentemente postos em segundo plano pelo mau hábito de seduzir em adultério mão-de-obra estrangeira?

…talvez seja o facto de o líder local da ACROSS, o grande Il Palazzo, definir como objectivo primário a conquista da cidade em redor (Cidade F), mas passar o tempo todo sentado no seu trono, castigando Excel com um alçapão, jogando videojogos de amor, antecipando a sua carreira de artista numa banda de j-rock ou simplesmente pensando em planos absurdos?

…talvez seja o facto de o único adversário da ACROSS ser um grupo de funcionários municipais subcontratados à revelia de qualquer lei de emprego para formarem uma equipa de super-heróis à boa tradição sentai, com mentor sombrio e cientista maluco incluídos? (Nota: não necessariamente humanos!)

…ou, quem sabe, talvez seja o facto de as rações de emergência das nossas heroínas serem, nem mais nem menos, que uma cadelinha (ou será gatinha?) viva chamada Tripas?

É impossível descrever aqui toda a imensidão que «Excel Saga» abarca. Em cada episódio o autor dá autorização (nem sempre de sua livre vontade) para transformar «Excel Saga» num tipo diferente de anime… filmes de acção, musicais, aventura, fantasmas, ficção científica… todos são abordados. É então altura para, na sede da ACROSS, Il Palazzo-sama fornecer as directrizes da missão do dia às suas fiéis servidoras, uma missão que, depois de infinitos gags, situações rocambolescas e totalmente imprevisíveis, irá inevitavelmente… falhar. Mesmo os episódios finais assumem inesperadamente uma… *gasp*… sequência, começando as coisas a fazer algum sentido, e culminando tudo no inesquecível 26º episódio.

Sendo uma série de anime, os seus 25 episódios foram exibidos a altas horas na TV Tokyo, entre Outubro de 1999 e Março de 2000. Como muitos animes, foi adaptado de um manga, embora a história não seja exactamente sobreponível, e tenha menos personagens… o manga já foi adaptado em Itália, Coreia do Sul e China. O seu autor, Koshi Rikudo (que faz múltiplas aparições no anime, como podem ver pela 1ª imagem da esquerda) costuma fazer doujinshis para convenções de anime japonesas…

Não se pense que só por ser non-sense «Excel Saga» passou para 2º plano em termos de seyuus! Como Excel temos Mitsuishi Kotono (Misato e Usagi Tsukino, sim, essas Misato e Usagi Tsukino), como Hyatt temos Minami Omi (Hoshino Ruri de Nadesico, Ijyuuin Akira de Campus Detectives), Il Palazzo-sama é dobrado por Koyasu Takehito (sim, o chamado «afrodisíaco ambulante» que criou Weiss Kreuz) e não, Rikudo não é dobrado por ele mesmo.

Não se pense também que as personagens estão limitadas às já descritas, não, há imensas! Não sendo uma história comum, podem decorrer múltiplas narrativas ao mesmo tempo, saltando personagens de umas para as outras à conveniência do autor. É igualmente frequente haver episódios que se concentram numa delas, caso em que surgem novas personagens para nos ajudar a compreender melhor a personagem original. Efeitos hilariantes à parte, algumas personagens acabam por ser bastante bem descritas, ou por nos surpreender. Quem não ficou minimamente comovido com a aparentemente invulnerável Excel a derramar uma lágrima enquanto, no 23º episódio, batia à porta do Quartel-General da ACROSS, implorando ao seu adorado Palazzo-sama que a deixasse entrar, que a perdoasse, que a podia lançar de um alçapão quantas vezes quisesse?…

Quando se fala de comédia japonesa, é difícil contornar o tema da paródia, e «Excel Saga» não é excepção. Sem contar com os momentos de comédia pura, «Excel Saga» parodia-se frequentemente a si mesma, sem contar com sátiras a filmes ocidentais (Guerra das Estrelas, Rambo, Mad Max e Aliens), séries japonesas (todos os sentais, Galaxy Express, Cutey Honey, DigiCharat, DBZ -claro que sim!- e bolas, quem está a contar mesmo…) e o estilo de vida japonês (sararymen, ko-gals, kawaiis, mangakas, imigrantes e, incontornavelmente, otakus!). Caramba, até surge uma personagem de Victor Hugo…

E é nesse mesmo enquadramento que se aplica a arte e os efeitos sonoros de «Excel Saga»: virados para a comédia. Embora a arte em si não seja nada de especial… não há problema, porque nada é estático! Ora temos a Excel, cara de sweatdrop estilizada só com 3 traços e o seu canino proeminente, ora temos um ultra-realista Pedro a gritar o já clássico NOOOOOOO!, e a transformar-se num quadro de Edvard Munch… Os efeitos sonoros combinam perfeitamente com as várias explosões, ossos partidos, raios laser… não se pode fazer boa comédia sem apoio sonoro. E, claro, temos as músicas. Nada por aí além, novamente o suficiente para criarem contraste entre uma cena de ir às lágrimas, como o falecimento da amada de Nabeshin, e a cena de pura violência que se lhe segue, enquando Nabeshin, o vingador, investe contra tanques, helicópteros e soldados com duas metralhadoras recém-encontradas no seu cabelo afro… A propósito, se não sabem como ele surgiu, notem o nome do director da série… Watanabe Shinichi! É supostamente ele na última foto do lado esquerdo!

Como devem calcular, a versão à qual se refere o artigo é a que foi exibida cá pela Sic Radical. Sobre isso, vale a pena referir que, por mais que eu acredite que a legendagem foi fiel à original inglesa, não é de todo suficiente para entendermos o que as personagens dizem, ou melhor, querem dizer… as marcas de oralidade devem ser mais que muitas, e só a perfeita compreensão do japonês permitiria desfrutar em pleno do humor contido em cada episódio… note-se que o personagem Sumiyoshi, que fala por legendas, raramente vê as suas linhas traduzidas, e logo aí se perde grande parte das suas piadas, uma vez que ele age frequentemente como crítico daquilo que observa. Foi inclusive de «Excel Saga» que já ouvi dizer que a versão americana seria mais conveniente que a japonesa… que a Excel estaria muito bem dobrada (pela Jessica Calvello, parece, que também dobrou Cutey Honey no anime do mesmo nome e Mink em «Dragon Half») e que quase senão mesmo todas as gags e piadas estariam explicadas em extras dos DVDs. De qualquer modo, detractores da Dynamic, não se esqueçam que os -chans e os -sempais sempre lá estiveram nas legendas… e o bónus máximo, o 26º episódio de «Excel Saga», essa preciosidade que não foi exibida em TV no Japão (foi cá em Portugal, contudo) mas faz parte das colecções de DVD, daí que lá tenham posto, enfim, tudo o que lhes apeteceu… sangue, abusos de enredo, sangue, hentai (ex)plícito (nem sempre com adultos, nem sempre com humanos sequer) e… já mencionei o sangue? No mínimo, merecia um artigo à parte. Sim, de facto fomos sortudos… aliás, agraciados… ou melhor ainda, bolas, fomos abençoados por podermos ter visto o 26º episódio de «Excel Saga»!

E é por tudo isto que o ponto forte de «Excel Saga» é um dos seus pontos fracos: non-sense não agrada a todos, por mais bem feito que esteja, e nem todos perceberão o manancial de alusões feitas em cada episódio. Outro problema prende-se com o facto de os episódios não serem constantes, refiro-me à imprevisibilidade de à pouco: há episódios nitidamente mais cómicos que outros. Ainda assim, quem puder dê uma olhada a alguns episódios, de preferência aos episódios 2, 8, 18 e 26, discutivelmente uns dos melhores, e logo poderá ver se a série é, ou não, do seu agrado.

Desnecessário dizer, os apreciadores de non-sense, particularmente os assíduos de anime, não podem perder o clássico que é «Excel Saga», mesmo que arrisquem paralisia facial de tanto rir… ou pior, submissão absoluta aos ideais da ACROSS!

Para terminar, porque não citar as palavras da dobradora da Hyatt após terminarem o último episódio?

Muito obrigada por terem feito tantas experiências em nós… Já acabaram?…


Autor:GoldPhoenix

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