Desde Maio de 2002 que está disponível pela mão da Infogrames o jogo para GameBoy Advance «DragonBall Z – Legacy of Goku». É, no geral, um jogo desinteressante e limitado que tenta retratar as duas primeiras Sagas de DragonBall Z (Pré-Cell, portanto).
O estilo de jogo não é tipo combates em duelo (como em «DragonBall Z 3: Ameaça Final» para Super Nintendo) nos quais se podem escolher várias personagens e lutar em torneio, nem tipo RPG sem luta (com “cartas”) como se vieram a fazer alguns para GameBoy. Não; em «Legacy of Goku» encarnamos o próprio Goku, er, Songoku, enquanto faz algumas sidequests e, sobretudo, ganha força para derrotar Raditz, Nappa, Vegeta, as Forças Especiais em Namek…
O interface é intuitivo: andar daqui para ali com o control pad do GBA, disparar, mudar de ataque e voar: eis o que Songoku pode fazer. Além, obviamente, de falar com várias personagens, muitas das quais não fazem a sua aparição no anime. Estas permitem-lhe ganhar experiência, itens, ataques, acesso a novas áreas e informação. Sim, para os jogadores que não gostam de “treinar” personagens como em qualquer bom RPG este jogo torna-se ainda mais irritante. O problema é que a a melhor forma de ganhar experiência, como sabem com certeza, é lutando contra inimigos. Ora, Em «DragonBall Z- Legacy of Goku» Songoku é extremamente frágil. Não dá uma p’rá caixa! Quatro toques do adversário e lá surge uma imagem que vos vai ser horrivelmente familiar: Songoku com asas e auréola no Outro Mundo. E mesmo com algum treino, em que notamos progressos porque somos capazes de derrotar o adversário mais e mais facilmente… a resistência continua inadmissivelmente baixa. Sem dúvida que este é um factor que tira grande parte do gozo ao jogo.
Os Bosses dão experiência, contudo… de modo que no final de um grande combate estaremos um pouco mais fortes para o adversário seguinte. Mas nunca o suficiente.
Os golpes também são irritantes… temos à disposição a rajada de Ki no início, depois o Ataque Solar do Tenshinhan e, depois da Saga no Planeta do Kahibe…. tadaaaa! Kamehameha! Estavam à espera de uma Força Universal ou “Técnica de Kahibe” para salvarem o vosso coiro contra o Vegeta? Continuem a sonhar! O ataque do Tenshinhan só dura uns dois segundos (!!!) mal dando para mudar para outra técnica agressiva, e o Kamehameha… bem, simplesmente não chega, e tem um alcance estupidamente limitado. Felizmente, a barra de Ki da qual depende a potência do ataque (carreguem no botão durante mais tempo para consumir Ki e produzir um ataque mais poderoso) regenera bem rápido. Ainda assim, se bem me lembro (e ao contrário de muitos RPGs) quando se sobe de nível não se fica automaticamente curado/regenerado. O que funciona melhor ainda é despejar uma série de rajadas de Ki para cima do adversário. Murros simplificam a tarefa, mas exigem o corpo-a-corpo… e um toque do adversário é fatal.
O vôo é absurdo. Podemos voar por *gasp!* uns 10 «passos». A verdade é que é suposto ser assim: voar é só para transpor obstáculos (o primeiro é um rio). Cuidado que se perdermos os pontos em vôo não ficamos onde estes terminaram: voltamos, sim, ao início. É assim preciso voltar ao solo para se ficar no local pretendido. Para regenerar os pontos de vôo que (logo) se perdem, existem (em todo o lado) globos com uma asinha para esse efeito.
São abundantes e ninguém ficará preso em lado nenhum por ter perdido os pontos de vôo todos. A distância vai aumentando à medida que nos vamos fortalecendo. E depois há muitas ervas no chão que regeneram 1/4 da saúde e feijões mágicos que regeneram tudo. Estes, contudo, são bem mais raros e devem ser poupados.
Uma coisa que me irritou um pouco a princípio foi a perspectiva; quero dizer com isto que são capazes de se sentirem algo «desorientados» na floresta. Os caminhos que podemos percorrer não estão nítidos, embora depois nos habituemos. Para cúmulo, há áreas às quais parece ser possível aceder a pé, mas miraculosamente temos de voar para lá chegar. Enfim. O resto dos gráficos está adequado para GBA, com paisagens à Toriyama sempre que possível. Quanto ao som… vamos saltar esta parte, está bem? Só espero que o Songoku a gritar «Kamehameha» agrade a alguém… -_-;
A este ponto, talvez seja boa notícia o facto de o jogo ser… curto. A sério, com esforço (ou descobrindo um qualquer glitchzinho providencial) faz-se num dia. As sidequests são poucas e desinteressantes, consistindo o jogo numa sucessão de batalhas do Songoku (responsável até por batalhas em que não interveio no anime).
Fortes
– O conceito está decente, para quem quer algo entre RPG e pancada à là DBZ.
– Gráficos não estão maus, quando comparamos com o resto do jogo em si.
– Há vários ataques disponíveis…
– Entre os vários… digamos… níveis, podemos ver imagens do anime. A introdução do jogo até está agradável, com cenas animadas dos filmes.
– Partes da história animadas: por exemplo, vemos tanto o Vegeta como o Songohan a crescerem para as suas formas simiescas mesmo no écran de acção.
– Bastante fiel ao anime, embora a parte inicial até e em Namek (sem Songoku) seja saltada.
Fracos
– Só podemos controlar o Songoku.
– Som.
– Mais importante que uma lista das quests que o Songoku já realizou era uma das que falta realizar…
– Os ataques são uma piada. Queremos os ataques aprendidos com o Kahibe! E com gráficos decentes!
– Songoku frágil como um jarro de porcelana: o vencedor do Torneio de Artes Marciais a levar de um cão?!?
– Jogo curto e desinteressante.
– Às vezes podemos ficar a atacar o adversário (mesmo Bosses) que ele não se mexe. É uma questão de achar a posição ideal.
Bem, bem, bem… eu diria que este jogo é mesmo só para quem é um GRANDE fã de DragonBall Z. Tem muitas falhas para ser agradável, e o seu potencial é desperdiçado. Nem serve como jogo «agradável-mas-curto», devido aos combates pobres e fraqueza do Songoku. Se mesmo assim o acabarem, duvido que tenham vontade de o jogar de novo. Ah, e resolvi usar a nomenclatura Novaga… as minhas desculpas aos mais puristas.
Autor:GoldPhoenix
