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91 Days

Não há muitas séries de anime que se foquem na máfia italiana ou na era da proibição, o que é bastante normal, primeiro porque que não é um tema que esteja propriamente ligado ao Japão e segundo porque a máfia japonesa, os Yakuza, já dão bastante material para os autores japoneses se inspirarem e criarem obras que revolvem à volta desta. No meu caso pessoal, que tenho um interesse particular por obras que se baseiam na era da proibição nos EUA, 91 Days valeu a pena espreitar só pela época onde a obra se situa. Felizmente esta série é mais do que apenas um passeio nostálgico por uma das épocas mais marcantes da história da máfia nos EUA.

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Tal como muitas outras histórias baseadas neste tema, 91 Days é uma história de vingança, com uma narrativa que retira influências óbvias da obra “O Conde de Monte Cristo” de Alexandre Dumas. O personagem principal da história é Angelo Lagusa, um jovem oriundo da cidade de Lawless em Illinois, que viu a sua família ser assassinada quando era pequeno por Vincent Vanetti, um antigo companheiro do seu pai. Angelo conseguiu escapar, passando todos os momentos da sua vida após o massacre a acumular ódio contra a família Vanetti.

Voltando à cidade de Lawless sete anos após o incidente, assume uma nova identidade para passar despercebido e conseguir infiltrar-se no negócio da família Vanetti, dando-se agora a conhecer pelo nome de Avilio Bruno. De volta a Lawless, Angelo (ou Avilio) infiltra-se na operação da família Vanetti a partir da venda de álcool, produzido ilegalmente por Corteo, seu amigo da infância. Este negócio irá levá-lo a tornar-se próximo de Nero Vanetti, filho do homem que matou o seu pai, e a pôr em marcha o plano para vingar a sua família.

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Caracterizando de maneira convincente esta cidade fictícia, 91 Days tem uma aproximação bastante interessante à temática que aborda, não se focando demasiado na violência e acção, mas indo acompanhando detalhadamente o plano de Angelo e o destino que este tem planeado para todos os que causaram a morte dos que amava. Angelo é um personagem bastante soturno, vivendo apenas com um único objetivo desde que a sua família morreu, mostrando no entanto uma competência e talento acima do normal para o antigo negócio da família. Por outro lado, Nero Vanetti, no qual a série também se foca bastante, é um personagem mais alegre e aberto, bastante competente no papel que desempenha dentro da organização mafiosa, criando com Angelo uma ligação especial, não suspeitando no entanto da verdadeira identidade deste. Com um leque vasto de personagens além dos dois principais, a série consegue criar um ambiente de fraternidade entre os vários elementos da família Vanetti e também entre os seus rivais, o que ajuda a criar empatia com os personagens que vão aparecendo e aumenta a tensão nos momentos mais determinantes da série.

A série em termos de história e a maneira como esta é executada agradou-me bastante, mas em termos de animação deixa um pouco a desejar em alguns momentos. Nas cenas de acção pauta-se por uma animação normalmente bastante boa, principalmente nas sequências mais violentas. No entanto, nas cenas mais paradas da série, a qualidade da animação cai de maneira notável, o que me deixou um bocado desiludido, no entanto pode ser que na edição em Blu-Ray essas cenas sejam melhoradas, como tem acontecido com a maior parte das séries recentemente.

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91 Days é fortemente influenciado por filmes como “The Godfather”, “Miller’s Crossing”, “Once Upon a Time in America” e outros filmes de Hollywood baseados na máfia ao longo do século XX nos EUA. Essa influência está também bastante presente na banda sonora da série, que na minha opinião é excelente, ajudando a consolidar o ambiente da série com músicas que fazem relembrar os filmes mencionados anteriormente. Só mesmo a opening da série, “Signal” de TK dos Ling Tosite Sigure, é que foge um bocado ao estilo pelo qual a banda sonora da série se guia.

91 Days, escrito por Taku Kishimoto e realizado por Hiro Kaburagi, não é uma série muito grande, resumindo os noventa e um dias da história da obra a apenas doze episódios, o que leva a que esta não se torne enfadonha e crie sempre entusiasmo no espectador para saber o que se vai passar no próximo episódio. Numa área pouco explorada no mundo do anime, 91 Days sai-se bastante bem, sendo especialmente interessante para os adeptos de filmes e séries sobre a máfia, tendo sem dúvida na minha opinião lugar entre os melhores animes do ano de 2016.

Escrito por: Nuno Rocha

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