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Gunslinger Girl Vol. I

Há coisas que só são feitas só para serem as primeiras. E como em tudo na vida, pode correr bem, ou não correr bem de todo. A nova idade da plataforma multímédia, então, tornou tudo bem mais complicado. Vejamos o caso em questão: Gunslinger Girl é uma série de 13 episódios que atingiu alguma fama, baseado numa premissa que pode ou não ser ultrajante – Uma organização “sem fins lucrativos” recolhe crianças do sexo feminino de orfanatos, faz-lhes lavagem cerebral, e cria-as para serem assassinas profissionais a uma jovem idade, modificando-lhes o corpo com partes mecânicas. Ao contrário do que seria de esperar, no entanto, a série gira mais sobre a intriga e sobre as raparigas, que sobre a acção pura e dura.

Apontando para um mercado em que a Playstation 2 tem uma presença dominante em muitos lares, a editora decidiu então, premiar os compradores dos DVD’s da série, com um jogo, ou melhor 4 jogos PS2, um por DVD de 4 episódios. Dado que os dois primeiros DVD’s já saíram, vamos percorrer a premissa base do jogo, e analisar até que ponto funciona o processo.

Dado que a grande parte dos jogos baseados em anime não passam de aventuras gráficas, inatingíveis para grande parte do mundo ocidental sem conhecimentos de japonês, é uma surpresa agradável verificar que a Dimps fez um jogo com um perfil de acção. Mas se as imagens dão uma esperança leve que seja uma espécie de Max Payne, com Henrietta a disparar na terceira pessoa, também não esperem tal complexidade ou liberdade de movimentos. O que temos aproxima-se mais de um Time Crisis ajustado para o gamepad. Para evitar a lentidão típica de deslocar o cursor sobre os inimigos com o controlo analógico esquerdo e carregando no círculo, entrando e saído da protecção com a cruz, foi adicionado um sistema de Lock-On, ou seja, a mira fixa automaticamente um inimigo próximo se carregarmos no triângulo.

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Isto torna a experiência mais fácil, mas muito menos frustrante. No entanto, as coisas são um pouco mais complicadas. Há duas barras de energia, uma de saúde e uma de especial. Usar o triângulo gasta a barra de especial, que regenera com o tempo, com a quantidade de inimigos abatidos em combo ou power-ups. Pois, em combo. É que a Dimps, como boa empresa spin-off da SNK, tem uma paixão por reacção rápida. O que se passa é que é possível fixar mais que um alvo com o triângulo, e obter melhor pontuação. Além disso, há um “desperation move” que gasta a nossa toda a barra de especial mas elimina todos os inimigos mais fracos do ecrã. Isto contribuiu para um jogo que se torna mais activo, enquanto procuramos melhores oportunidades para marcar pontos e limpar o ecrã. A dificuldade aumenta com o facto de nem todas as protecções serem 100% inexpugnáveis. Isto quer dizer que temos de saltar de sítio em sítio, a caçar os inimigos que têm campo aberto sobre o nosso personagem. Adicione-se a isso, alguns momentos contra-relógio, e bosses difíceis o qb, e o jogo entretêm, pelo menos na primeira volta.

Falando em movimento, Gunslinger é aceitável no campo gráfico. Há alguma preocupação nos modelos principais e em manter um char design que se assemelhe ao anime, e em animá-los de maneira realista (não fosse a Dimps especializada em jogos de luta 3D) – ver Henrietta com energia em baixo, com o fato cheio de manchas de sangue e a arrastar-se entre pontos chega a ser comovente, mas em geral estamos a falar de gráficos que lembram mais que a sua dose a 1ª geração de jogos PS2.

Nota positiva para a arquitectura, que é agradável e bem modelada, e na quantidade de objectos destrutíveis que são colocados à nossa frente. As cutscenes, geradas em tempo real, utilizam o mesmo motor do jogo, e por isso não primam pela beleza ou proeza técnica. Em compensação, as vozes originais são usadas, e o trabalho sonoro não é desprestigiante. Um pormenor engraçado é o título da música aparecer quando esta começa a tocar.

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É difícil classificar o enredo ou a história, porque dado que o jogo vem com a série, e o jogo reflecte directamente eventos da série, ambos se complementam. Em geral, o jogo em si dá uma boa ideia do que se passa, com a ligação entre Henrietta e Pia a ser utilizada para enlaçar a acção de uma maneira coerente, sem alongar muito a história. O jogo privilegia antes um sistema de ratings, que oferece armas novas para o nosso benjamim assassino.

Para um jogo completamente orientado para os fans da série, Gunlslinger Girl (Vol 1 e 2) oferece uma experiência mais que agradável para os neófitos, ao mesmo tempo que os atrai para o universo marcadamente europeu da série. E tem a sua graça, nesta altura em que acusam jogos de tudo e mais alguma coisa, ter uma personagem mais-que-jovem armada até aos dentes…

Autor:Nuno Sarmento

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