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Nadare

Apesar da sua visão amplamente progressiva, talvez seja injusto descrever Mikio Naruse como um cineasta político. No entanto, o cinema naquela altura (final da década de 1930 ) foi visto como um acto pertencente a uma atitude política, mesmo que por omissão.

Nadare (雪崩) de 1937, foi um filme produzido nos estúdios P.C.L. Eiga Seisaku-jo e foi depois distribuido pela Toho Eiga Distribution Corp..  A produção do filme também teve a colaboração especial do intelectual de esquerda Tomoyoshi Murayama que ajudou o realizador a adaptar o romance para o grande ecrã.

Este Nadare (Avalanche, em português) é um filme curto com menos de uma hora de duração e relata-nos uma triste história de amor, onde vamos conhecer o clássico trio amoroso: Kusaka Goro, um jovem de uma família rica e duas mulheres. De um lado temos Fukiko, uma bonita jovem ultra tradicional e obediente (o que os japoneses chamam de Yamato Nadeshiko) do outro, Ema Yayoi, uma jovem menos conservadora, com uma vida mais livre e longe da tradição familiar.

Ao longo do filme vamos assistindo ao desmoronamento de um casamento e ao mesmo tempo acompanhamos o verdadeiro drama de Goro (Hideo Saeki) para tomar uma decisão acertada para a sua vida futura junto com Fukiko (Noboru Kiritachi) ou Yayoi (Ranko Edogawa). Durante o filme também são revelados ao espectador alguns dos detalhes do cinema de Naruse e que mais tarde ele irá usar nos seus projectos futuros mais assumidamente.

Um dos aspectos que salta mais à vista neste filme de Naruse é o seu final que é estranhamente “optimista” se conhecermos o resto da filmografia do realizador, considerando escuridão dominante do filme. No final assistimos a uma resolução embaraçosa de uma das personagens principais a optar por uma solução em detrimento de outra, ficando assim um final em aberto permitindo que o “herói” encontre uma salvação em vez da destruição repentina da emoção.

Narrativamente, Nadare é um filme bastante moderno, e o argumento joga com vários temas que Naruse utiliza no seu cinema (honra, tradição contra a modernidade e o papel das mulheres na sociedade japonesa). No entanto, o próprio Naruse considerou este filme um fracasso. Ao certo não se sabe porque fez esta consideração, mas um dos motivos tenha sido a fraca reacção que o filme teve na época.

Talvez a maior curiosidade deste filme de Mikio Naruse é contar com dois gigantes do cinema japonês como colaboradores nas filmagens, Akira Kurosawa e Ishiro Honda. Embora Naruse não deixasse que eles tocassem em nada.

Apesar dos 58 minutos de “Avalanche”, esta curta metragem é comovente, dolorosa e incrível. Em suma, este filme é um olhar agudo e assustador do que podem ser as relações entre pessoas.

Mas mais palavras para quê? Podem conferir tudo seguindo o link do filme Nadare no vosso canal preferido de cultura japonesa, a NIJI TV.

Escrito por: Fernando Ferreira

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