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Fūrin

Geralmente são feitos de vidro, ferro ou porcelana, e estão pendurados sob o telhado ou à entrada das casas, para que o vento faça soar o seu som característico. O Fūrin 風鈴 (sino de vento) é uma decoração tradicional e o seu nome vem de “風 – fū” (on-yomi do kanji de vento – kaze) e “鈴 – rin (on-yomi do kanji de sino – suzu).

A parte da campânula tem habitualmente uma forma arredondada (sendo comum as de porcelana terem forma de animal) e contém um pêndulo ou batente no seu interior. Nesse pêndulo (zetsu) pendura-se um pedaço de papel chamado tansatsu, o qual pode conter um poema tradicional (haiku), um desenho ou padrão alusivo à estação do ano. Quando o vento sopra no papel ele move-se, produzindo um som suave e agradável. O seu uso muitas vezes não é apenas para fins decorativos, pois também se acredita que ajudam a proteger a casa e as pessoas contra males e maus espíritos.

Pode-se ver e ouvi-los com mais frequência no Verão, não só em áreas rurais, como também em distritos modernos. O seu som anuncia a brisa refrescante durante os dias quentes e húmidos no Verão, tornando-o um símbolo desta época. É de tal forma popular que existe até um Pokemon fūrin, o chiirin.

Os sinos de vento têm origem na China, onde eram usados para fazer previsões baseando-se na direção do vento e no som. Esses sinos foram introduzidos no Japão pelos budistas no Período Nara (710-794), e eram usados para expulsar espíritos malignos dos templos. Nessa época os sinos eram sempre de bronze, chamados de fūtaku. Pesados e resistentes, era necessário um vento mais forte para o agitar, mas o seu som era ouvido à distância.

No pedaço de papel eram inscritas pequenas orações ou palavras de ordem que se acreditava que funcionariam como fórmulas de protecção, convertendo assim os fūrin em amuletos protectores (omamori). Os Japoneses acreditavam que nada de mau aconteceria enquanto o som do sino tocava. Por emitir um som, era também usado para espantar pequenos animais de perto das casas.

Nos séculos XII a XVII, as cidades e aldeias foram afetadas em grande escala pela epidemia da peste. E é uma crença dos Japoneses que quando um vento forte sopra, uma epidemia se espalha. Mas nesse período, somente famílias de nobres e samurais conseguiam pendurar os sinos, pois como eram feitos de bronze fosforoso, eram muito caros. Desses tempos provém a crença de que os fūrin podem ser usados para evitar epidemias e doenças.

Entre os séculos XVIII e XIX o fūrin passou a ser feito em vidro e pintado com padrões típicos. Essa técnica foi introduzida pelos Holandeses e desde logo os sinos de vidro e outros produtos desse material, que era novidade para os Japoneses, chegaram às grandes cidades e tiveram muito sucesso.

Hoje em dia é possível encontrar fūrin em qualquer lugar no Japão, para todos os gostos, variando em forma e preço. Desde os que encontramos nas lojas de 100 ienes (hyakkin), até aos produzidos à mão por artesãos vidreiros, em que cada um faz um som distinto, podendo custar cerca de 4000 ienes (30€).

Escrito por: Carolina Bárbara

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