Se existem filmes que estão para além de uma critica quantitativa ou mesmo qualitativa ”Tamala 2010: A Punk Cat in Space” é um desses casos. Para além da paranoia “fashion” que podemos logo apercebermo-nos desde o inicio do filme é com uma inovação gráfica e sonora que nasce o que poderá ser o próximo fenómeno “Matrix” (mais uma intencional triologia), pelo menos para uma nova geração de espectadores asiáticos e tornar Tamala numa super heroína do século XXI.

Apesar de ser um filme com um estilo bastante “naif” e maioritariamente a preto e branco a fazer-nos lembrar o inicio do anime como por exemplo Astroboy, Wonder 3, Kimba ou outro qualquer anime da época. Durante aproximadamente 100 minutos deliciamo-nos com a animação de “Tamala 2010”.
O aparecimento da cor não foi esquecida e aparece no filme de uma forma quase surreal e onírica, quando Tamala adormece… Ela sonha a cores e com uma resolução extraordinária, onde o detalhe computorizado de certeza mete inveja a qualquer produção actual. Mas nem é só no sonho que verificamos este detalhe, logo no génerico do filme vários apontamentos de uma cidade são mostrados com uma definição tremenda, levando-nos a pensar que se trata mesmo de filme “real” em vez de imagens digitais.

Tamala, uma gata cyberpunk, viaja pelo universo simplesmente pelo desejo de ser divertir. Uma organização de nome Catty & Co., que tem o como objectivo primordial controlar a “Galaxia Felina”, decide inquietar a grande aventura de Tamala.
Por engano ou força do destino Tamala chega ao planeta Q, planeta onde existem um distrito de nome Hate e em que os gatos são altamente reprimidos por cães polícias. É neste distrito que Tamala encontra o seu futuro companheiro Michelangelo, um simpático “rapaz-gato” e que ela insiste em chamar-lhe Moi-Moi.
Também convém mencionar o cão policia que tem apresionado um rato de nome Penélope para satisfazer os seus prazeres sexuais mais obscuros, ou uma robot dominatrix de nome Tatla que tem como “fetish” fazer lavagens cerebrais a crianças (se calhar não devia escrever isto aqui, talvez não seja politicamente correcto) ao estilo de um qualquer Terminator.
Tamala 2010 é a estreia do colectivo artistico de Tokyo T.o.L (Trees of Life) como realizadores no universo das longas-metragens, depois de já terem no seu portfolio anúncios publicitários, videoclips e imensos trabalhos gráficos.
Este colectivo também tem uma vertente musical liderado por um projecto musical de nome Trees of Life a que coube o cargo de fazer a banda sonora para este filme. Navegando por ambientes do “up-tempo house” até às músicas alternativas de bandas de garagem, esta banda sonora mostra o quão eclético consegue ser a ala musical dos T.o.L.

Desde o primeiro fotograma até ao último, Tamala tem todos os condimentos para ser converter em mais um fenómeno pop dos nossos tempos. Provavelmente este será o filme mais estranho que podemos assistir até à data e de certeza que esta produção não será apelativo a quem está habituado aos grandes estúdios e directores japoneses, mas de certeza será uma enorme surpresa para quem gosta dos trabalhos de David Lynch ou David Cronenberg.
É sabermos que ainda existem pessoas que estão acordadas para fazerem e arriscarem na animação experimental. Fica o convite para investigarem esta produção completamente diferente do que estamos habituados a ver.
Escrito por: Fernando Ferreira
