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Imiri Sakabashira

À medida que vamos entrando mais neste mundo que é a banda desenhada japonesa, vamos descobrindo nomes menos conhecidos. Ainda assim, para nós, não japoneses, haverá sempre nomes que, de uma forma ou de outra, poderão ser inatingíveis, como por exemplo o misterioso mangaká Imiri Sakabashira (いみり逆柱) cujo o seu nome real é Mochizuki Katsuhiro.

Foi na cidade de Shizuoka que, a 14 de Julho de 1964, nasceu Mochizuki Katsuhiro, um dos artistas mais enigmáticos da banda desenhada japonesa e não só. Depois de ter terminado a escolaridade obrigatória, trabalhou localmente como empregado de escritório durante vários anos e, nos seus tempos livres, era um ávido consumidor de mangá, ao ponto de querer tornar-se também um autor de banda desenhada.

Debutou em 1989 no número 300 da revista GARO e foi partilhando os seus trabalhos por várias outras revistas das quais se destaca a Ax, pertencente à editora Seirin Kogeisha. O trabalho de estreia é uma série de quatro mini-histórias: くじら (kujira – baleia), ウミウシ (umiushi – lesma marinha), タネ(Tane – sementes) e ふくらはぎ (fukurahagi – bezerro), com 8 páginas cada.

Ao longo da sua carreira, entre 1994 e 1999, publicou mais de uma dezena de mangás, normalmente de tomos únicos e que rapidamente se tornaram raridades por terem tido tiragens baixas. Em paralelo, nunca descurou a possibilidade de ir lançando nas revistas de banda desenhada alternativa, em especial a GARO e a AX. Foram mais de 25 histórias curtas.

É também no seu período mais fértil de criatividade que Sakarashiba decide casar. A escolha para sua mulher foi Migawa Pan (みぎわパン) também ela autora de banda desenhada japonesa.

Além de ter publicado vários mangás em volumes e em revistas, também fez algumas capas de discos como, por exemplo, para os japoneses GuiltyConnector e Tabata Mitsuru, Hikashu ou os brasileiros Joana Queiroz, Rafael Martini, Bernardo Ramos “GESTO”(2016). Foi ainda responsável pelas artes cénicas de um grupo de teatro da sua cidade natal.

Outro dos talentos de Sakarashiba é a música. Ele pertence a uma banda chamada RODEN-GINZA que tocam um estilo de música indie rock com pitadas de kayoukyoku, uma espécie de irmão mais novo do estilo Enka.

Sobre o seu lado mais artístico e estético, notamos algumas semelhanças e influências de Suehiro Maruo, na forma como ele retrata um mundo muito único e surreal. Embora Imiri Sakabashira seja um mangaká “menor”, ele é altamente comparado a outros grandes e famosos artistas de mangá e mesmo realizadores de cinema.

Foi esta semana lançado o mangá “A Jornada de Kappa” em Portugal pela Sendai Editora, e tem também publicações nos Estados Unidos (Drawn & Quaterly) e Itália (Starcomics).

Escrito por: Fernando Ferreira

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