Após o sucesso global da série sul-coreana Squid Game, ouvi falar que a série Imawa no Kuni no Arisu era similar. Apesar das comparações, só recentemente, após o anúncio da terceira temporada da série, é que avancei para a sua visualização. O veredicto? Imawa no Kuni no Arisu é muito superior a Squid Game.
Inspirado no manga original de Shinsuke Sato, Imawa no Kuni no Arisu foca-se principalmente em Arisu (Kento Yamazaki), um jovem inteligente, mas sem grande rumo na vida, que de repente se vê transportado, acompanhado pelos dois melhores amigos, Karube e Chota, para uma versão alternativa de Tóquio. Nesta nova realidade, e sem qualquer explicação aparente, têm de competir em jogos de vida e morte para assegurar a sua sobrevivência.

Largamente inspirado pelo universo de Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol, Imawa no Kuni no Arisu surpreendeu-me pela originalidade e suspense que me mantiveram preso ao longo das duas primeiras temporadas.
Em primeiro lugar, os personagens, muito deles baseados na obra original, como Usagi (Tao Tsuchiya) ou Chishiya (Nijirō Murakami), têm uma presença prevalente na história. Atraindo para si o foco em determinados momentos da narrativa, retiram algum do protagonismo a Arisu, criando novos pontos de interesse nesta misteriosa história. À medida que a história avança, ficamos com vontade de saber tudo sobre o rol de personagens. Este é um dos principais pontos fortes de Imawa no Kuni no Arisu, a forma como consegue que a força do elenco se sobreponha ao carisma do protagonista.

Em segundo lugar, e neste ponto é difícil de fugir a comparações com Squid Game, os jogos em Alice in Borderland são melhores e mais originais. Ao centrarem-se sobretudo na resolução mental, mais do que na física, os desafios revelam-se apelativos por si mesmos, independentemente de o futuro das personagens depender ou não da vitória.
Apesar de muitos jogos exigirem sobretudo raciocínio, nas provas físicas somos presenteados com cenas de ação que rivalizam, e por vezes superam, as de muitas produções cinematográficas.

Alice in Borderland foi para mim uma excelente surpresa e uma das únicas séries que me deixou colocado ao ecrã nos últimos tempos. A excelente narrativa, o mistério constante e a empatia que criei com os personagens, tornaram-na numa série viciante.
Com a terceira temporada aí à porta, a primeira que não é baseada no manga original, confesso que tenho algum receio que não consiga manter o mesmo nível de qualidade. No entanto, uma coisa é certa, as duas primeiras são excelentes e muito recomendadas.
Escrito por: Nuno Rocha
