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Hideshi Hino

Além de Junji Ito, outro dos grandes nomes da banda desenhada japonesa de terror é Hideshi Hino (日野日出志). Nasceu em Qiqihar, na Manchúria (China) a 19 de Abril de 1946 e desde muito cedo foi viver para a região da capital japonesa, numa cidade chamada Tokorozawa situada na província de Saitama. O motivo dessa mudança foi porque tanto a sua família como outros imigrantes japoneses tiveram que fugir para não serem linchados por grupos civis chineses que desejavam vingar-se dos anos de dominação japonesa.

A destruição do Japão pós-guerra marcou profundamente a sua forma de pensar e o trabalho que viria a desenvolver como autor de banda desenhada. Muitos mangás de Hino retratam factos da sua vida, como, por exemplo, o seu avô, que era membro da Yakuza, ou o seu pai, que criava porcos e tinha uma tatuagem de uma aranha nas costas.

É também desde muito cedo que Hino se interessou em desenhar manga. Segundo consta o seu interesse começou quando descobriu os mangás de Shigeru Sugiura e ficou ainda com mais vontade que este fosse o seu futuro depois de ter contacto com o trabalho de Fujio Akatsuka. Depois de ter terminado o ensino secundário, decidiu desenhar mais a sério e lançou o seu primeiro mangá em 1967 com “Tsumetai Sweat” tendo sido seleccionado para o 5º Prémio Mensal da edição de Outubro da revista “COM” publicada pela editora Mushi Production que era de Osamu Tezuka.

Em 1971 começou a ser publicado na famosa revista Garo, onde nasceram as suas histórias do “Teatro Repugnante de Hideshi Hino” e são elas que consolidam a sua reputação como autor de mangá. A sua imensa galeria de cadáveres em decomposição, seres grotescos e assassinos doentios habitam hoje mais de duzentos livros e ajudaram a fazer dele um dos grandes mestres dos mangás de Terror.
Entre os anos de 1975 e 2002, Hino lança mais de 50 histórias de mangá e que foram publicadas em várias revistas: Hibari Shobo, Rippu Shobo, Continental Shobo, Akita Shoten, Tokyo Sanseisha e Kodansha, entre outras.

Mas é em 1982, que Hideshi Hino lança a sua obra-prima “Jigokuhen” pela Hibari Hibari Shobo (e que recentemente viu a luz do dia pela editora portuguesa Sendai). Depois deste lançamento, começa a trabalhar numa revista de mangá onde publica imensos trabalhos de terror e mistério. È nesta revista que os seus trabalhos com um estilo único começam a dar-lhe um estatuto importante no mundo do mangá de terror, bem como uma popularidade de culto. Além de desenhar mangá, Hino também produziu livros ilustrados, livros infantis e design de personagens.

Três anos mais tarde, decide também experimentar o cinema e realiza a polémica série Guinea Pig do qual é responsável por dois episódios: Guinea Pig 2 Bloody Flower e The Guinea Pig: Mermaid in the Manhole e quase 20 anos depois é responsável pelo filme Labyrinth of Roses.

É com os filmes que Hideshi Hino tem o período de vida mais conturbado. Devido ao teor dos seus filmes serem extremamente violentos, bizarros e com conteúdo de “snuff movie”, ele começa a ser investigado pelas autoridades japonesas para ver se era verdade toda aquela situação e argumentos dos seus filmes. Além de realizar Hino também escreveu vários argumentos para filmes,
Depois dos seus filmes Guinea Pig, o ritmo de produção diminuiu bastante em comparação com o que Hino estava habituado.

Ele volta à carga a sério em 2018 na plataforma digital twitter (uma das preferidas dos japoneses) depois de ter criado o personagem “First Emo” para uma marca de snacks doces lançada pela Choshi Electric Railway.

Como curiosidade, Hideshi Hino tem sangue tipo A e é um grande coleccionador de katanas. Alémd e coleccionador também é praticante de artes marciais, mais precisamente Budo.

Escrito por: Fernando Ferreira

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